meu conto "Hollywood" foi publicado na Vitrine Literária, do Charles Kiefer. muito glamuroso, até pro meu bico.
dá uma olhada na minha descrição aqui do lado e diz se não ficou a cara da dani moire e de qualquer um que tem o gosto aguçado.
mel comprou o cd da Peaches.
desejem-me sorte. consegui uma entrevista pra Assessoria de Imprensa da Carris, amanhã de tarde. salário bom, turno integral e passe livre em qualquer ônibus da cidade. muita cobiça.
parabenizem-me. hoje é aniversário do David Bowie. 56 e tudo em cima. muito luxo.
eu engoidei e ninguém me mandou e-mail de felicitações.
Crawford Kilian é professor na Capilano College, em Vancouver, e escritor de, entre outros títulos, Writing for the Web - onde trata da escrita voltada para a Web. ele foi entrevistado pelo Projeto Casulo, e fala sobre literatura, blogs e a influência de um sobre o outro.
trecho:
e
"Eu posso comentar uma novela do Machado de Assis, mas ele não pode dizer se meus comentários foram bons ou ruins. Agora, os leitores podem encontrar os autores na Internet e fazer críticas ou elogios. E os autores podem responder. Essa é uma forma de contato muito diferente da que normalmente tínhamos com os autores."
às vezes, sair à cata de blogs dá em coisa boa. visitem esse aqui. dor de barriga de tanto rir.
o fim de semana:
o ponto alto foram os óculos do laboratório de Química que o walter me deu (pra fazer o estilo Bono Vox) e o adesivo made in London, mandado por uma certa leitora assídua desse blog. thank you, by the way!.
seu araújo deu pra ouvir Coldplay no repeat, agora.
Jude Law viverá David Bowie no cinema
o meu ator preferido vai interpretar meu cantor preferido.
sonhei que havia casado com uma catadora de papel e fomos morar lá na entrada da cidade, no conhecido Favelão do PT. eu estava preocupado porque o chuveiro - luxo da nossa maloca - ficava ao lado da cama e estava molhando minhas (poucas) roupas, e elas ficariam todas amassadas e eu teria que ir até os altos da Protásio pra passá-las.
acordei bem assustado. vai que é um sonho premonitório para 2004.
começo o ano com várias reflexões acerca da minha psicologia. nem esperava por essa.
mas enfim. muito tesão pra todo mundo. e viva o hedonismo.
trago forte, ontem.
hoje, acordei sem saber se tava vivo ou morto. e com aquela sensação de que vai dar churrio, mais tarde. por enquanto, nada. mas nem quero voltar no banheiro dessa prefeitura. é um antro de mosquito. a última coisa que preciso na virada do ano é picada de mosquito na bunda.
duas novidades.
uma, a dani moire se encantou com uma pin up do meu super-fantástico-made by myself-quadro com fotos de pin ups francesas, e exigiu que eu desse um jeito de mandar a foto pra ela. vou fazer uma seleção das fotos que sobraram e vou mandar pra maior pin up-maníaca de SP. se bobear, mando junto mais algumas lembrancinhas.
a outra, é que o márcio, colega aqui do serviço, se encantou com a guria. e olha que ele só leu alguns trechos da entrevista que ela concedeu ao muito antigo Porão do Unabomber. não viu anda ainda.
faz mais de uma semana que ouvi a frase que encerra meu 2003, mas vou rir disso pro resto da vida.
puta que me pariu.
comecei ontem e terminei agora um quadro com colagens de uma revista francesa de pin ups dos anos 50, que comprei num brechó em Montevideo. baita raridade a preço de banana. que ver como ficou? aqui, ó!
Dialética do conto
Narrar é um des-velamento. Desencobrir o que estava velado, no mundo e em si mesmo, e re-velar – tornar a cobrir de véus –, o que estava evidente, esconder outra vez. Esse duplo movimento, de fazer aparecer, e de fazer esconder – o excesso de luz também impede de ver –, é a essência do bom conto. Na poesia, essa dialética melhor se mostra. Na prosa, a luz difusa e homogênea do verbo desgastado pela cotidianidade também permite ver, mas superficialmente e sob um mesmo tom monocromático. Neste sentido, o conto, o objeto literário que mais se assemelha à poesia, ainda pode re-velar, desde que evite a tagarelice, o prosaísmo, e consiga equilibrar harmonicamente fábula e trama. Se o contista descura da última, lança o seu objeto nas águas poluídas do entretenimento; se desmerece a primeira, arrisca-se a descaracterizar o gênero, jogando-o no tedioso mar do lirismo em prosa. Um bom conto esconde o que mostra e mostra o que esconde, exigindo um leitor ativo, capaz de dinamizar as profundas reservas de energia que o texto não pode sonegar, mas que não deve oferecer com a facilidade dos anúncios publicitários.
Charles Kiefer
faz tempo que não posto nada do Jabor. então, aí vai.
O corpo humano esta virando mercadoria. São próteses sexuais, peitos com silicone, implantes de pênis. Ninguém suporta mais a decadência, a perda do desempenho.
Nosso ideal agora é funcionarmos tão bem quanto as coisas. As mulheres querem ser turbinadas como aviões, querem rebolar como liquidificadores, os homens querem ser metralhadoras sexuais, pênis como foguetes. Todos rindo muito, porque ficar triste não é mais "comercial".
E com o aumento da demanda por plásticas, num país pobre e incompetente, isso é um grande lucro para os picaretas, e charlatães. Por isso, vemos tantas cirurgias dando chabu: caras tortas, peitos que caem, bundas que explodem.
Sem falar no mercado dos miseráveis que disputam o direito de vender seus rins em liquidação: "rins novinhos, pague em três vezes!". Agora, temos essa incrível invasão de hospital para roubar botox, o veneno do botulismo que virou remédio, para criar caras lisinhas, caras de pau em um país que está cheio delas, principalmente em Brasília.
Mas quem terá feito esse assalto ao hospital? Terá sido uma ação terrorista das MAPF - Milícias Armadas das Peruas Feias? Ou foi o grupo dissidente FLMB - Frente de Libertação das Mocréias Brasileiras? É... O século 21 começou mal: é uma guerra santa misturada com chanchada erótica.
coluna do Arnaldo Jabor no Jornal da Globo, Edição de 16/12/03
conto novo. com esse aí, tentei duas coisas: 1, não definir sexo do personagem principal e 2, falar sobre o obsessivo culto a celebridades.
Hollywood
Quando as quatro paredes já estavam cobertas com fotos de suas estrelas preferidas, desesperou-se. Lhe restava o teto e o chão. Optou pelo primeiro, pois não ousava pisar naqueles rostos que tanto admirava. Tinha Hollywood ao seu redor. Dormia – no chão, pois livrou-se dos móveis, prejudicavam a contemplação de seus afetos - , acordava e masturbava-se sob aqueles olhares inertes que recortara das revistas de celebridades.
Quando lhe faltou teto, lhe sobrou a pele. Tatuaria. Começou pelo pescoço e foi descendo. Costas, braços, pernas. Axilas, rego, virilha. Quando restava apenas o rosto, chorou. Era o último resquício de quem ainda era. Sua vida, sua pele, seu sexo, cobertos pelo rosto de outros, como um carimbo de posse de terceiros sobre documento de sua propriedade. Mas sua face ainda era sua.
Procurando uma resposta, nunca mais saiu de lá. Afogou-se em Hollywood, tentou com muito esforço manter a cabeça acima da água. Com a última porção de ar que guardava nos pulmões, gritou por socorro, mas ninguém ouviu. Pensou em sinais de luz, mas que luz seria percebida com tantas estrelas ao seu redor?
final de ano, época de listinha dos melhores de 2003. aí vai.
Melhor show: Maximilian Hecker e Barbara Morgenstern, no Instituto Goethe
não posso citar "melhor festa" simplesmente porque o que esse ano foi de produtivo, foi de divertido. aprendi muito, enchi bem a cara, me cansei bastante, dormi bem mal, mas valeu a pena. tô fechando 2003 com um sorriso de orelha a orelha. acho difícil o próximo ano superar esse que termina.
falei com o Eduardo, amigo de Guarulhos, SP, e parece que ele se interessou em colocar "A Importância da Beleza" num fanzine que tá rolando lá pra cima. diz que a dani moire vai entrar nessa também. é um lance sobre moda, arte, gente bonita, muito luxo, muita riqueza, muito glamour e muita cobiça, segundo a própria dani. vamos ver.
ontem, em comemoração a absolutamente nada, fui bater queixo na Serra com o seu Araújo e a dona Denise. bem bom. bateu saudade do frio. e ainda ganhei de Natal uma boina a la guerrilheiro zapatista, pra fazer a linha militar. luxo só.
Bruce LaBruce é um escritor, fotógrafo e videomaker, cujas criações orbitam o mundo homoerótico punk-skinhead. vale uma visita.
artigo novo aí.
A Importância da Beleza
Segundo Oscar Wilde, no prefácio de "O Retrato de Dorian Gray", toda arte é inútil. O autor irlandês acreditava na inexistência de uma função prática para a arte, sendo esta apenas uma ferramenta para o regozijo dos prazeres humanos. Olhando para o mundo atual, podemos concluir que Wilde, que tornou-se conhecido por criticar a sociedade vitoriana em suas obras, anteviu nosso tempo, em que a arte como protesto, como educação e iluminação das massas deixou de existir, sendo suplantada pela arte por ela mesma, pela beleza e pelo prazer. O que não é, de forma alguma, um retrocesso.
Engana-se quem acredita que a arte é fundamentavelmente didática e a beleza inútil. Cria-se arte por criá-la, não pensando numa função social. Arte não pode mais ousar propor revolução num mundo em que revoluções ocorrem a cada minuto, em diferentes lugares ao mesmo tempo. Há muita revolução acontecendo e pouca arte para expressar isso. A globalização pôs fim à arte revolucionária, mas deu gás ao discurso da beleza.
No mundo hedonista que temos, um John Lennon protestando pela paz é menos necessário que um Anderson Dornelles desfilando por alguma grande grife. Não que a arte com propósito social tenha se tornado inútil. Ela apenas não se atualizou às revoluções. As mudanças atropelaram a arte. E a importância da beleza também.
Alguém muito rápido no julgamento diria que esse panorama é a comprovação da inversão de valores de uma sociedade superficial. Ledo engano. A beleza tem um discurso que, hoje em dia, é mais necessário que nunca. É o escapismo de uma realidade proletária embrutecida pelo dia-a-dia. A frustração diante das revoluções contínuas encontra alento muito mais na beleza que na arte. Isso justamente porque a arte distanciou-se do espírito humano. A beleza, com um lobby muito mais eficiente, roubou esse papel da arte. Porque além de bela e útil, a beleza é esperta.
Longa vida a Oscar Wilde. A John Lennon e a Anderson Dornelles também. A perpetuação e valorização da beleza é imprescindível à uma sociedade que procura viver além do protesto à realidade. Protestemos, mas sejamos belos. Afinal, a revolução é sempre mais elegante num Calvin Klein.
minha presente situação financeira não me permite continuar com as grandes e imprevisíveis aventuras dos finais de semana, por isso decidimos passar o sábado e o domingo assistindo vídeos do Paul McCartney e do Manson. foi bem divertido até. mas o grande acontecimento foi o dano, seguido de conserto, veja bem, ao sistema hidráulico do banheiro do Walter que eu causei. tudo porque tive a péssima idéia de tomar banho. "Cristiana, aconteceu um acidente" podia ser o jargão da minha vida, mas diz ela que "ai, meu deus do céu" reflete mais o meu espírito naquela tarde de pavor.
no final das contas, gastei uma paulada com o conserto da bagaça e ainda fiquei devendo pra Cryka. mas uma lição de vida vai ficar guardada pra sempre: tudo o que você precisa é de um pedaço de arame e de muita boa vontade. e do encanador da Protásio, é claro. |
arquivo 04 ilustrações
de carlos zéfiro |