"acho que eu tô doente, proque eu só penso em sexo"
adoro a minha chefe.
conto novo.
Les Beat (ou o Dia em Que Paulo Achou sua Cabeça, Para Tornar a Perdê-la em Seguida)
Franziu o cenho e, surpreso, perguntou “como assim, ele tá vivo?” seus olhos não o enganariam, os fatos não o enganariam. Viu sua cabeça voar pelo pára-brisa, como um míssil, rodopiar no ar e espatifar no asfalto, como um ovo de gema vermelha. Do outro lado da linha, um suspiro. “vivo... bem vivo... com cabeça e tudo”. “não pode ser”. “mas é. eu até falei com ele”. “o que ele disse?”. “que sente saudade e que vai te procurar”. Desligou, era demais pra sua cabeça. Esperava na esquina quando o vira ser decapitado no acidente. Foi no funeral, acompanhou o cortejo, foi na missa de sétimo dia. Chorou por ele, dias a fio. O conhecera na adolescência, foram grandes amigos e foi uma grande perda, perdendo a cabeça no sinal vermelho.
Pegou o casaco e uns trocados, desceu as escadas. Marchava, confuso. Duas quadras e um cigarro depois, entrou no bar. Beberia, pra entender como Paulo conseguira voltar à vida. Sete garrafas e muitas mijadas depois, perdia a cabeça na confusão da cerveja. Sem sucesso nas reflexões, pagou a conta e saiu, cambaleante, porta afora. A calçada balançava como gelatina e as luzes dos apartamentos acima o confundiam. As da sinaleira, nem percebeu. Cruzava o sinal verde, quando uma buzina, um berro e uma freada o jogaram no chão. O carro rodopiou, riscando o asfalto. Saiu correndo, sem sentir o cheiro de borracha queimada, e sem ver o carro destruído contra um muro e o corpo de Paulo, que voou pelo pára-brisa, de um lado e sua cabeça de outro, esmagada no chão como um ovo de gema vermelha.
duas notícias, duas palavras: meu deus.
e eu ando numa confusão espiritual, profissional e acadêmica tão grande que nem vale a pena comentar aqui. nevermind.
protesto básico agora, aqui na ULBRA. carro de som, galera sentada no meio da rua - inclusive eu - e gritos de ordem contra o reitor: "Peter, sacana, devolve a minha grana!"
foi tão divertido. tomara que amanhã tenha mais.
sem muitas novidades.
seu araújo tá definhando de tristeza em casa, porque comecei a me coçar e procurar um JK na Cidade Baixa. acho que amanhã visito um, durante o almoço. ensolarado, com divisão de peças e totalmente arcável. se é habitável, são outros 500. fiz até uma lista do que preciso comprar pra morar sozinho:
hoje, no serviço, teve comemoração do Dia da Mulher. um grupo de mulheres apresentou dança do ventre. uma das dançarinas era a dona Eva, que tem 72 anos e arruinou a minha vida sexual pra sempre. fora isso, tudo na mesma. trabalho, faculdade, casa, falta d´água no serviço.
a propósito, parabéns, meninas. senhoras, putas e santas também. viva os ovários.
ontem, o walter não tinha nada pra comer em casa e forjou organizar um lance à noite, aqui em casa, pra poder filar a bóia de graça. veio ele, mallmann, rafaella, fester e míseras 12 latinhas.
dando ouvidos ao que clarissa, marcos e cristiance me falam há certo tempo, sábado que vem começo a fazer terapia. bem baratinho, uma cooperativa de psicólogos, ali no Menino Deus. não sei muito bem o que esperar, nunca passei por isso antes. mas, whateva.
família voltou da praia, de mala, cuia e cachorro. acabaram-se minhas tardes de solitários prazeres onanísticos, nos fins de semana.
conto novo.
Manequim
Ela, sozinha, sentada na escada, na entrada do prédio, nua e mal iluminada. Ele, 10 anos, observava sua pele cinza, plástica e inanimada. Suas juntas lhe chamaram a atenção. Percebeu que seus membros podiam ser separados. Percebeu que podia remonta-la como bem quisesse. Tocou-a no rosto, beijou-a, excitou-se. Dentro de suas calças, ele cresceu. Dentro de sua cueca, ficou apertado. Ele gostou, ela não respondeu. Ele aproveitou, tocou-a no mamilo. Enlaçou seus pequenos braços ao redor do pescoço, um braço caiu. Continuou.
Do outro lado da rua, ele, também 10 anos, excitava-se com a cena. Marcado pra sempre, em sua cabeça, a apresentação da volúpia em sua vida. Não mais temeria os manequins.
enquanto todo mundo foi exercitar seus vícios de beber sem moderação, sexo sem proteção e farra sem prudência na praia, eu fiquei na capital e tive um feriado bem saudável. eu e o seu araújo. fomos até no cinema. comemos fora quase todos os dias, comprei o DVD da Madonna e escrevi um conto que ficou uma bosta. o melhor de tudo foi descobrir o prazer de comer. comer por comer, não por fome. ando comendo tanto, o tempo todo, de tudo. quem tava na praia, pecou por luxúria. eu pequei por gula.
sobre os novos pecados capitais, aqui.
noite de sonhos esquisitos.
primeiro, a clarissa veio procurar meu irmão porque ele fazia umas magias e encantos pra conseguir a pessoa amada. a clarissa tava interessadíssima no mallmann - sem perguntas, por favor. daí eu perguntei pro rodrigo como ele sabia fazer aquelas coisas, e ele disse "é que eu tive que aprender pra conqusitar a cryka". mas eu pensei "mas espera um instante... então deu errado, porque vocês não estão juntos...". daí acordei suado, tremendo, e quase mijado.
depois, sonhei que o secretário de Turismo do Estado, Luís Augusto Lara, sofrera um acidente de automóvel e tinha que usar pernas mecânicas, que o deixavam com quase dois metros e meio de altura. não sei porque, mas ele era amigo da minha mãe. acordei suado, tremendo e quase mijado.
o terceiro e último foi o mais bizarro. eu, dani moire, crisis e icarus éramos colegas de segundo grau no Bom Conselho. eu era amigo de todos, mas eles não se conheciam muito bem. a dani moire usava óculos de nerd e tinha um estojo metálico bem organizadinho. o icarus sentava de costas pro professor - que acho que era o Dagoberto, de Biologia - e o crisis usava bermuda preta com detalhes cinza e tinha as duas sombrancelhas juntas. mas ele tinha uma pele boa, quer dizer, sem espinhas, entende?
coisas estranhas acontecem com a cabeça do cara quando ele começa a cultivar o hábito de comer barras de cereais.
essa história de "it´s been a hard´s days night and i´ve been working like a dog" tá me cansando. louco pra que chegue o final do mês, de uma vez.
ontem seu araújo veio me dizer que teve um pesadelo comigo. sonhou que ele tinha me matado porque eu tava dando o rabo prum cara numa barraca.
podre. parece uma daquelas coisas do programa da Márcia Goldenshower.
hoje me perguntaram por que estou sempre de preto.
por que que toda vez que eu olho pro selo "Eu Sou Feliz Sem Celular!", sinto calafrios? |
arquivo 06 ilustrações
de carlos zéfiro |