é meio complicado de entender, mas volta e meio isso acontece na minha vida.
tem o meu irmão. ele conhece a lidi, e eu a conheci através dele. a lidi tem um irmão que se chama érico. o érico namora o edu, que divide apartamento com a jaque - que eu conheci em 2002, através do edu. a lidi conhece o edu, é claro, e também o sérgio, ex dele. a jaque vai casar com o fabiano, que conhece o edu, o sérgio, o érico e a mim. mas não sei se ele conhece a lidi, e definitivamente não conhece meu irmão.
e daí que a jaque, que divide apartamento com o edu e que eu conheci em 2002, deu em cima do rafael, meu colega do serviço, sem saber que ele era meu colega do serviço. isso no Ocidente. mas eles ficaram mesmo depois, uma vez, no Venezianos. quer dizer, segundo a jaque, porque o rafael não me falou nada.
o rafael me disse que conhecia a jaque e que ela deu em cima dele depois de ver uma foto em que tá eu e ela, ali no Bingulin. ele disse "bah, essa louca deu em cima de mim!". e quando eles se reencontraram no Venezianos, eles ficaram e o rafael se apresentou como "amigo do vitor".
me pergunto se o mesmo aconteceria numa cidade com mais de 1.4 milhão de habitantes.
walter, o nosso loser preferido, rendeu-se à mídia blogueira. i am a loser online, é o nome da coisa. dá uma passada lá, faz bem pro ego dele.
a minha chefe foi embora e não volta mais hoje porque deve estar com problemas femininos. o clós não chegou, a panetone tá de plantão no Gasômetro, o rafael foi almoçar com a mãe no sópin, e a patrícia, me esqueci, mas não tá na sala. isso quer dizer que tô sozinho aqui. isso quer dizer que o vitor pré-período terapêutico estaria se masturbando nesse momento. mas o vitor atual fica frio e manda e-mail pra clarissa felicitando o trampo novo. é isso aí, boneca! mostra pra eles quem é que manda!
até esqueci de comentar sobre a claudinha-gostosa, ex do meu irmão, que apareceu com um embrulho rosa lá no show da Quizicalls, domingo. detalhe que no meio do embrulho tinha um filho. filha, aliás. vitória, o nome. promete. "ai, eu não tinha percebdio que ´vitória´ é feminino de ´vitor´!!". a claudinha nunca foi muito esperta. tadinha.
ontem, saída de última hora com a melina. cidade baixa, de bar em bar, terminamos no Cotiporã rodeados por gente feia. isso depois de profundas discussões sobre o pop e o mito de cada um de nós. alto estilo, nós dois.
a surpresa ficou por conta do meu momento Sarah Jessica Parker em Sex and the City. vi um casaco numa lojinha perto do Guion, levei na hora. "fútil, agente somos fútil". longe de mim.
me desculpe, mas eu sou muito talentoso.
hoje tá fazendo cinco dias de chuva e goteira a 20 centímetros do computador.
marcos, ex-colega da radioescuta e futuro desenhista, escreve:
bah, que merda. ninguém me leva a sério.
amanhã eu folgo porque labutei no domingo último. isso significa que vou dormir atééééé às 8. luxo. inveja. cobiça. e nesse domingo tem show da Quizzicals - a banda cover de Bítons do walter. entrada gratuita e pertinho de casa. luxo. inveja. cobiça.
eu estava escrevendo um puta post sobre a terapia de ontem, mas desisti de publicar porque percebi que, se publicado, esse post faria do meu blog apenas mais um blog na rede.
ontem eu comprei uma agenda. vocês não fazem idéia do avanço que isso é na minha vida. eu nunca tive agenda - ou qualquer tipo de caderno de anotações que concentrasse as coisas que eu frequentemente esqueço. é que eu caí na real que eu JAMAIS vou ser respeitado se continuar colecionando pedaços de papeizinhos nos bolsos das calças. e, tipo, com coisas importantes do trabalho, como telefones, coisas a fazer, datas e agendamentos. e agora sim, tudo numa agenda. só preciso me lembrar de anotar essas coisas em suas páginas, porque aposto que eu vou esquecer de tenho uma agenda.
faz tempinho já que o povo do refeitório da Carris cisma que eu sou cópia do Renato Russo. vai entender por que.
se eu tivesse problemas de auto-aceitação, esses apelidos acabariam comigo. mas minha psique é foda, então não dá nada. EU sou foda.
alguém mais teve que acordar às 6:40 num domingo e ir trabalhar no churrasco da companhia, ouvindo pagode e tirando fotos do campeonato de futebol?
ok, só pra saber.
o quadrinho é de 2002, mas ainda vale a pena.
mais, aqui.
colega meu do serviço é da Igreja Batista e parceiro pra caralho. me emprestou um cd de remixagens hip-hop/drum & bass/dance grooves que se chama "The Ultimate PRAISE e WORSHIP Remix".
estranhamente bom.
alguém mais chegou no final do mês com 89 centavos no banco?
ah, a comunicãção entre pais e filhos...
"Ô, filho do Simpson, é o seguinte... (o apelido dele é homer, por motivos óbvios)
Se pretendes ir para a capital dos castelhanos no dia 9/6/04, obviamente que até lá receberas dois salários (abril e maio), devendo em consequência promover o seu contingenciamento visando sobrar algum numerário. Quanto a dólares americanos, não os tenho (aliás, agora queres te socorrer do George W. Bush, capitalista, inimigo dos terroristas, etc.), mas voltando ao tema, se persistires na idéia de ir à terra do tango, até posso de emprestar umas merrecas (reais). Falamos oportunamente a respeito do assunto.
ontem foi o primeiro show oficial da banda cover de Beatles que até então se chamava Pepperland, mas agora tem outro nome que eu esqueci. foi num lugarzinho pra lá de esquisito na João Pessoa. na banda, tem o walter, mais um cara com cerca de dois metros - ou mais - e duas gurias com cerca de 1,50 - ou menos. apesar da discrepância entre as estaturas dos integrantes, há um entendimento, uma comunicação e um tesão pela coisa que os aproxima e os faz animar uma galera com Can´t Buy me Love, Paperback Writer, Mr.Postman e por aí vai. chique, quente, invejável e infinitamente melhor que a Beatles Fun Club. e eu vi ao vivo, tá?
tô suspeitando que eu tenho raízes judaicas ocultas, porque meu pai tem alguns fenótipos, manias e atitudes que são facilmente reconhecidas num judeu.
ah, e ontem eu descobri que aquele papo que vale-refeição também é moeda é mó balela. pelo menos com os taxistas da Cidade Baixa.
respondendo e-mails, ia escrever "mocinha", escrevi "maconha". não pode.
saí do serviço e fiz minha fezinha na Mega. 500 pau paga Poa-BsAs ida e volta de avión, mais oficina, mais terapia e mais ceva, muita ceva. e maconha. digo, mocinha.
em Buenos Aires, eu teria hospedagem gratuita, na casa do pablo. porém, se eu realmente for pra lá, no Corpus Christi, terei que ir de avión. porém, se eu realmente for de avión, vou gastar 97,654% do meu salário só na passagem ida/volta - segundo o que o rapaz da DMTur me reservou. isso significa que seu eu realmente for pra lá de avión no Corpus Christi, eu preciso começar a economizar, tipo, AGORA. isso significa que seu eu realmente for pra lá de avión no Corpus Christi, tenho que parar com a terapia, com a oficina e com a ceva do findi.
o Rolim escreve umas coisas bem interessantes, e o texto dele é muito bom. esse que segue não é um dos melhores, mas vale pela reflexão.
Nas Trevas
A recente polêmica produzida pela idéia do vice-governador do Rio de Janeiro de erguer um muro em torno da Rocinha revela muito sobre o Brasil e seus dilemas. Primeiro, o episódio confirma a estranha situação pela qual qualquer pessoa, destacadamente na função pública, está autorizada a apresentar "receitas" de políticas de segurança, ainda que não guarde com o tema qualquer relação, quer como profissional da área, quer como pesquisador. Ao contrário do que ocorre em outros domínios do conhecimento, a área da segurança pública convive sem sobressaltos com os "palpites" e com a improvisação. Ninguém daria atenção a um oportunista qualquer que, à margem dos protocolos de cientificidade, anunciasse, por exemplo, a "cura do câncer"; assim como não se valorizaria a opinião de alguém que, sem ser economista, se atrevesse a discorrer sobre as metas de inflação ou a volatilidade dos capitais. Medicina e economia, afinal, são algumas entre as muitas áreas onde até mesmo o senso comum já não tolera feiticeiros ou aprendizes. No Brasil, entretanto, são eles que, muito freqüentemente, concebem e gerem as políticas de segurança.
Em 1999, um ex-subchefe da Polícia Civil do RS declarou que as taxas de criminalidade aumentavam em nosso Estado sempre que soprava o vento norte. No mesmo ano, para uma platéia de fervorosos fiéis, o atual secretário de segurança pública do RJ, Anthony Garotinho, declarou que o crime e a violência no Brasil eram causados pelo fato de as pessoas não trazerem Jesus no coração. Não se sabe, ao certo, que decorrências práticas esses "especialistas" retiraram de tão agudas observações causais. Na Idade Média, acreditou-se que as pessoas poderiam enlouquecer se expostas por muito tempo à lua cheia. Aquela foi uma época em que também era comum se dividir o mundo entre as pessoas que "traziam Jesus no coração" e as que "não traziam". O que nos separa desses tempos sombrios é o conhecimento acumulado através dos séculos e a promessa civilizatória que inaugura a modernidade. Na área da segurança pública, no Brasil, infelizmente, estamos mais próximos da Idade Média do que de qualquer outra época. Estão aí os muros e os "garotinhos" para quem ainda tinha alguma dúvida.
Somos herdeiros de um modelo reativo de policiamento que faliu em todo o mundo e seguimos imaginando que uma boa política de segurança se mede pelo número de prisões efetuadas pela polícia e não pelo êxito na prevenção. Seguimos matando supostos "traficantes" nos morros e exibindo os cadáveres de jovens pobres e negros como se isso fosse uma resposta e não uma vergonha. Empilhamos milhares de seres humanos em presídios pestilentos obrigando-os ao convívio com a curra, com os espancamentos e com as ratazanas e dizemos que os que denunciam situações do tipo são "defensores dos bandidos". Botamos para correr as crianças maltrapilhas que se esparramam em nossas calçadas e, agora, passamos a prender mendigos. Já temos os inquisidores e um público fiel, em síntese. Só nos faltam bruxas e fogueiras na praça.
emanuel, antigo leitor deste blog, escreve:
ando dormindo meio mal desde segunda, mas estou em vias de aceitar que foi uma escolha dele - escolha que nunca vou cogitar como razoável. o que nunca vou aceitar é que eu podia ter sido mais presente. talvez um telefonema tivesse evitado isso tudo. parte de mim nunca vai me perdoar e nunca vai entender.
ATENÇÃO: ISTO NÃO É UM CONTO
como eu lamento ter aberto o jornal, de manhã.
dizem que pulou do nono andar, o Felipe. tinha 20, fazia veterinária na Ulbra e tinha a cara cheia de pírssins e tatuagens. era uma figura peculiar, o Freak. cada vez que o via, em encontros casuais na Cidade Baixa ou no Ocidente, ele tava diferente. uma coisa de metal aqui, um desenho novo ali, cabeça raspada ou cabelo preto e espetado. ele era uma atração por si só.
me lembro quando ele colocou meu pírssin. no quarto dele, em meio a lençóis encardidos e gatos manhosos. tirou foto da minha cara recém pirssada. mó barato.
a última vez que falei com ele, tava bem apaixonado pela namorada. uma body modificator do Rio que morava com ele, naquele apartamento do nono andar.
no velório, a nata da política gaúcha. senador, governador, secretário, todo mundo. menos eu. o pai dele é secretário da Agricultura do Estado. dizem que foi pro enterro à base de tranquilizantes. quem me dera ter uns à mão quando abri o jornal hoje, ou quando fui ao cemitério - fazer não sei o que diante de seu túmulo.
cinco minutos parado em frente a uma cova ainda sem lápide. qual o epitáfio de um suicida? não rezei, não levei flores, não li os recados deixados nos arranjos de flores. não soube o que fazer. tremi e dei meia volta.
volto pro serviço e me dou conta que fumei demais. nervoso, tenso, sei lá. agora, me dói a cabeça e me sinto como se tivesse sido atropelado por um ônibus. ou atingido por um suicida do nono andar.
mas o que lamento mesmo é que se eu não tivesse aberto o jornal hoje, eu ia continuar pensando que tínhamos apenas nos distanciado e que ele continuava envolvido em congressos de body modification e esporádicas viagens ao Rio ou Brasília. se eu não tivesse aberto o jornal, ia continuar achando que ele tava vivo. maldita rotina que, entre burocracias do dia-a-dia e papéis espalhados em mesas bagunçadas, me fala da morte de um amigo.
sem gran finale porque o finale da vida nunca é gran.
ó, deus, por que destes asas às baratas?
que pena que eu não posso contar tudo pra vocês.
ontem, oficina à tarde e depois, xis e ceva na lancheria e um celular sem bateria. o legal mesmo foi olhar a "extensão do domínio da luta" de certas pessoas. depois, melina e eu seguimos para a Cidade Baixa, onde assistimos As Invasões Bárbaras - sim, tomei vergonha na cara, finalmente vi. como saímos à luz de profundas análises do filme, decidimos refletir sentados na República, e também comer, beber e falar sobre a puritana monoteta, a judia conformada e figurantes que tentam ser protagonistas. ah, e claro, sobre o grande evento do meu funeral e os insolúveis casos de amor da melina. fechei a noite com a clarissa me chamando e oferecendo carona pra casa.
hoje, três horas sentado num restaurante mais ou menos com o seu araújo e o rodrigo, numa discussão calorosa sobre idealismo, descrença no governo e estagiários que ganham tanto quanto profissionais formados. agora, com licença que o pablo tá online. |
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de carlos zéfiro |