conto novo.

jesus nasceu, viu?

sou interrompido da minha leitura.
"tá ouvindo esse passarinho?"
levanto os olhos, aturdido.
"que passarinho?", pergunto com o desprezo de quem não quer assunto e quer encerrar esse que se inciou.
"esse ó!", diz, com o indicador ao alto, apontando o nada.
olho acima, procuro nos galhos, não acho. um canto de três notas curtas soa sob nossas cabeças. abre um sorriso, "viu? sabe o que ele diz?"
furtivos, meus olhos procuram resposta.
"ele tá dizendo 'jesus nasceu, viu?'".
"em aramaico?", debocho, sem demonstrar. "não, em português". "ahn..."
o animal volta a soar. "ó, viu? 'jesus nasceu, viu'", canta num dueto com o pássaro. "ele só aparece nessa época do ano, pra avisar que jesus nasceu".
queixo franzido, boca arqueada, confirmo. caio sobre o livro, onde pássaros não falam com pessoas e não anunciam o nascimento de carpinteiros judeus.
quarta - 17 de novembro, 16h56min


vivo e bem. muito bem. ótimo, na verdade. adoro.
domingo - 14 de novembro, 22h41min


amanhã é dia de anular, digo, votar, por isso vim pra casa da família araújo. é só eu botar o pé aqui que os problemas me voltam. tô começando a acreditar que a melhor maneira da minha família me ajudar é à distância.

ontem, mel e cacá insistiram que eu não tô sendo um estorvo, tampouco incomodativo, no jk delas. que bom, porque eu me esforço pra não ser.
sábado - 30 de outubro, 20h53min


segunda à tarde, fiz as malas e me mandei pra cidade baixa. tô morando de favor com a mel e a cacá. fazer guisado, lavar panela e estender cueca na janela pela manhã nunca foi tão divertido.

terça, lançamento da antologia "101 que contam". a página 411 é do meu conto "um dia na vida". no evento, reencontrei amigos e vi muita-muita-gente bonita. isso é legal.

diz que o seu araújo surtou e nem foi trabalhar. dona denise diz que ele se sente culpado. eu também acho que ele é.

eu procuro emprego. eu procuro emprego. eu procuro emprego.
quarta - 27 de outubro, 23h55min


o gigante aqui vai passar uns dias fora de casa. quero ver se encontro a minha aldeia. sem internet, blog ou telefone fixo, cês me encontram só no celular.
segunda - 25 de outubro, 15h59min


cacá, também conhecida como clarissa, postou em seu blog algo voltado também pra mim. transcrevo.

Tudo parece tão familiar, e tão absurdo e assustador...

Vamos para o mar, nadar nus sob a luz da lua, brincar com castelos de areia.
Um Rei e uma Rainha de copas.
Vamos para longe, fugir desse mundinho idiota, vamos cortar as correntes e ser livres.
Nada a perder, uma vida inteira pela frente e muita pretensão.
Possibilidades em todos os lugares, amores em todos os cantos, os covardes fugindo ladeira a baixo.

Abre bem os olhos para a verdade, respira fundo e sente o ar, sente a vida penetrando nos seus pulmões e preenchendo cada canto do seu corpo, sente o sangue correndo rápido.
Respeite, respire, transpire, pire.
Eu vejo a solidão te machucando, eu sinto sua fantasmice de morto flutuando, seus olhos mortificados e sua alma gemendo e pedindo ajuda.
Vem comigo, me dá a sua mão, grite, porque eu vou te salvar, eu posso te salvar.
Vem comigo. Vem comigo.
segunda - 25 de outubro, 11h53min


O Gigante

sábado, custei a dormir. o armário de remédios me tentava e me seduzia. o 38 do meu pai também. há alguns anos isso não me acontecia.

quando finalmente dormi, sonhei com os meus amigos. todos aqueles cujas ligações eu recusei o sábado inteiro e mais todos os outros. fazíamos uma festa. eu, impecavelmente bem vestido, não temia nada. muitas máquinas digitais e muitos flashes eternizavam a situação. música alta, sofás brancos, televisores. conforto, segurança e rostos familiares - não de familiares. acordei sorrindo e não levantei da cama até todos levantarem da mesa, depois do almoço. comi e voltei pra cama. saí agora.

a mãe, outrora chorosa, me pergunta se eu não estou me sentindo melhor por ter desabafado. "eu já havia desabafado. pagava terapia uma vez por semana pra desabafar, esqueceu?". novatos na dor, eles acreditam que me salvaram, que agora, tudo vai se resolver e finalmente deixaremos de ser uma família improvisada e seremos uma família de fato. eles acreditam que cumpriram sua missão, que me resgataram das trevas, que são os senhores da boa-vontade, do bom coração e do perdão. é fácil ser cristão com um sofrimento de dois dias. quero ver a tua fé continuar imune a um sofrimento de duas décadas. sofrimento solitário e negligenciado, devo ressaltar.

pensei numa párabola sobre um gigante solitário, porém gente boa, que traz problemas a um pequeno vilarejo medieval. a cada passo seu, algumas casas ruiam. a cada espirro, outras eram destelhadas. resolve fugir. caminha até a praia e mar adentro. vai afundando, sereno. some. FINAL ALTERNATIVO: resolve fugir. caminha continente adentro. caminha até se cansar. se cansa, mas descobre um vilarejo de gigantes, de casas altas e telhados resistentes. é recebido com festa. ali permanece pra sempre, sereno.

já destelhei casas. o que eu faço agora? adentro mar ou continente? não cabe a mim escolher.
domingo - 24 de outubro, 19h06min


I’m a blind man, I’m a blind man, now my room is cold
When a blind man cries, lord, you know he feels it from his soul

When a Blind Man Cries - Deep Purple
sábado - 23 de outubro, 22h10min


de novo, infelizmente, isso não é ficção.

O Lado Sombrio da Lua

acordei e fui recepcionado por uma mãe chorosa, um irmão de voz trêmula e um pai chocado. "é verdade o que tua mãe disse sobre o jairo?". "sim". "tu é veado?". "sim". me deus as costas, ajoelhou-se no canto e chorou como se a vítima fosse ele. "não me fala, não me mata de desgosto! de dois filhos, um não pode ser assim!". sobre o abuso, me fez as perguntas que eu já esperava. a mãe chorosa e o irmão de voz trêmula agiam como os protetores que eu nunca tive. o que pra mim é um problema de mais de duas décadas, pra eles é problema novo. sua simpatia não me ajuda em nada, agora.

o pai correu até seu 38, eu não me movi. a mãe chorosa e o irmão de voz trêmula arrancaram a arma de sua mão. aquela bala não era pra mim, mas para o agressor passivo e covarde. eu não sou a ameaça.

pela primeira vez em alguns meses, a família sai de carro junta. não para um amistoso almoço numa receptiva cantina italiana da Zona Norte, mas para olhar nos olhos do fracassado traidor de 39 anos. desarmados, porém.

nem uma palavra no caminho até a casa da tia. ela se choca com a "novidade" e nos informa que o fantasma está na praia, provalmente com um dos outros meninos que ele sempre carrega pra cima e pra baixo. abusando-os.

depois, a 21ª DP, na rua abaixo. registro ocorrência de abuso sexual. "eu preciso de uma data pra registrar o ocorrido", diz o burocrata, atrás do monitor. data do ocorrido? isso não foi ontem, nem semana passada. "foi há 11 anos atrás. não me lembrou quando começou.". optamos por outubro de 1987, ano da minha primeira lembrança de abuso e primeira lembrança de vida.

no caminho de volta pra casa, choveu. odeio clichês.

até agora, já recusei quatro ligações. meus ombros pesam demais pra conseguir segurar o telefone.

"tu sabe que pode confiar na gente, né?", diz a mãe, não mais chorosa. "yeah, right...". responde a eterna vítima que há 22 anos luta pra perder esse título humilhante. eu não posso confiar na minha família, nunca se importaram o suficiente pra estimular a confiança. não sacam que eu não preciso de ocorrência policial agora, depois de homem feito. precisava de um pai presente, interessado e carinhoso, que se importasse tanto comigo a ponto de perceber que incontinência urinária não é birra de criança e depressão profunda não é charme de adolescente metido a escritor do Mal do Século.

agora, o pai me olha com repugnância, a mãe com pena, o irmão com culpa. eu não os olho. porque deveria olhar pra quem nunca me percebeu?

nasci, me deram mais responsabilidades que eu podia suportar e um tapinha nas costas: "te vira, magrão". foi o que eu fiz. abandonado à própria sorte, sem 38, ocorrência policial ou suporte familiar. cansei de tanta responsabilidade, cansei de ser lúcido, cansei de tentar sobreviver e de ser a vítima. por favor, alguém assume o controle da minha vida, porque eu acho que eu não quero mais.
sábado - 23 de outubro, 20h16min


How could you touch something
So innocent and pure
Obscure
How could you get satisfaction
From the body of a child
You're a vile, sick

It's true what people say
God protect the ones who help themselves
In their own way
And I often wondered to myself:
Who protects the ones who can't protect themselves?

Fee Fi Fo - The Cranberries
sexta - 22 de outubro, 21h06min


"The only thing necessary for evil to succeed is for good men to do nothing."
Edmund Burke (1729-1797)- filósofo irlandês


sexta - 22 de outubro, 20h26min


dona denise, que é espírita, veio aqui, agora. "quando eu quero limpar a cabeça, abro o Evangelho aleatoriamente. olha o que caiu".

"Formam famílias os espíritos que a analogia dos gostos, a identidade do progresso moral e a afeição induzem a reunir-se. Esses mesmo espíritos, emsuas migrações terrenas, se buscam, para se gruparem, como o fazem no espaço, originando-se daí as famílias unidas e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, acontece ficarem temporariamente separados, mais tarde tornam a encontrar-se, veturosos pelos novos progressos que realizaram. Mas, como não lhes cumpre trabalhar apenas para si, permite Deus que espíritos menos adiantados encarnem entre eles, a fim de receberem conselhos e bons exemplos, a bem de seu progresso. Esses espíritos se tornam, por vezes, causa de perturbação no meio daqueles outros, o que constitui para estes a prova e a tarefa a desempenhar."

é uma forma válida de entendimento. entretanto, o que eu acho que explica melhor casos como o meu, que são muito comuns, é a negligência da sociedade. abuso infantil não é problema familiar, é problema social, por ser tão comum como é. enquanto a sociedade continuar evitando conversar sobre taras e desvios sexuais, existirão molestadores e crianças molestadas.

nada incentiva mais a violência que a negligência. abuso sexual infantil é tabu, na nossa sociedade. as escolas não sabem educar as crianças para a sexualidade, as igrejas também não, a mída, muito menos, o poder público se cala. quando não se conversa uma questão grave como essa, ela vira tabu, tornando mais fácil de outros casos acontecerem.

nós vivemos numa sociedade erroneamente moralista, paternalista, machista e excludente das diferentes expressões de sexualidade. é um terreno fértil para que casos com o meu se repitam por muitas outras gerações.

wake up, people. tem muita criança passando por situações desnecessárias ao seu crescimento por aí, nesse exato momento.
sexta - 22 de outubro, 14h37min


o testemunho que segue, de forma alguma, é uma ficção.

Propaganda de Margarina

hoje eu acordei a fim de mudar a minha vida. tomei café e fui ao ateliê da dona denise, onde ela trabalhava e ouvia Band AM. a peguei de surpresa quando perguntei "dê, posso fazer uma pergunta?". "faça". "tu não sabia que eu fui abusado sexualmente durante a infância?". ela se virou, chocada. "como assim?! por quem?!".

foi uma longa conversa, mais de uma hora. pela primeira vez, alguém da minha família passou a saber certos detalhes da minha vida que, até então, poucas pessoas sabiam - como dra. lourdes, cristiance, cacá e mel. porque, afinal de contas, ser vítima de abuso sexual na infância não é uma coisa que o cara sai declarando num blog.

dona denise realmente ficou chocada. muito mais chocada com isso do que com o "a propósito, eu sou gay", que veio, ao longo da conversa. ela indagou-se muito, sobre como ter deixado isso acontecer, ainda mais com alguém tão próximo da família - meu tio, que também é meu padrinho, melhor amigo do meu pai, além de ter trabalhado com ele por mais de 10 anos.

uma das minhas primeiras lembranças de vida é aos cinco anos, numa situação de abuso sexual com esse meu tio. e eu me lembro de já estar acostumado com isso, me lembro de saber que aquela situação era frequente e comum na minha vida. era a minha realidade e a minha vida. e isso se prolongou até o 11 anos. sendo assim, conscientemente foram 6 anos da minha infância com meu tio querendo me comer o tempo todo. não fui uma criança feliz, afirmo sem hesitar.

segundo a dra lourdes, casos de abuso sexual na família são extremamente comuns e acontecem, muito frequentemente, com a cumplicidade dos pais. não que meus pais tenham feito um acordo de cavalheiros com o molestador, mas um pacto silencioso em que ficou acertado que nunca se falaria sobre isso. e eu dava sinais de que havia alguma coisa muito errada comigo. sofria de incontinência urinária, devido à tensão da responsabilidade que me incutiram, ainda na primeira infância. mais tarde, aos 15, tive depressão profunda, com idéias suicidas constantes e uma culpa enorme por ser o centro de um problema familiar grave. era o irmão que meu pai mais se dava, morava com a minha vó, trablhava com meu pai. nesse período de depressão, que durou um ano e meio, minha vida era voltada para achar um fim a ela mesma. procurava os prédios mais altos e como poderia pular de seus terraços. rezava para que acontecesse um acidente de carro e eu fosse á única vítima. "quem sabe assim, morto, iam sentir minha falta", era o que eu pensava. porque vivo, não sentiam. não me percebiam. não viam que eu guardava um segredo que jamais deveria ter se tornado segredo.

meu tio era uma pessoa de confiança dos meus pais, por isso a dona denise ficou tão chocada. aos cinco anos, tu entende que se teus pais confiam naquela pessoa, porque tu não confiaria quando ela te pedisse pra jamais contar pra alguém que ele me violentava frequentemente?

meus pais têm uma dívida muito grande comigo, que jamais será quitada. eu dava sinais de ter problemas, eles não viam. eu era o objeto do tesão de um homem de 35 anos e meu pai tava bêbado demais pra perceber. e, segundo a dona denise, mesmo que ele estivesse sóbrio, fingiria não perceber. com eu disse, um pacto silencioso em que o algoz finje e a vítima se cala. e os "protetores", negligenciam à realidade.

na primeira infância, me deram uma responsabilidade maior do que eu poderia suportar. e nunca ninguém importou-se com isso. eu cresci num ambiente familiar em que a sexualidade não era conversada, em que a invasão à intimidade era comum. frequentei uma escola que nunca me ensinou a perceber o que é sexualidade, sua importância na formação do caráter, tampouco me ensinou que crianças devem descobrir-se seres sexuais com outras crianças, numa situação justa e igual. nunca me disseram nada sobre um homem de 35 anos que gostava de pegar no meu pau e dizia querer me ver pelado. essa era a minha realidade, essa era a minha formação sexual. eu cresci num ambiente familiar que ajudou a desconstruir minha sexualidade. e nignuém se importava com isso.

dona denise e eu chegamos à conclusão que somos uma família de aparências. família de propaganda de margarina. que problemas podem haver com uma criança que frequenta uma boa escola, tem muitos brinquedos e não precisa vender bala na sinaleira? que problemas podem haver com uma família com uma ótima renda anual, com o carro do ano na garagem, com um apartamento na praia? daí vinha muito da minha culpa, por ridiculamente pensar que eu era a única força capaz de destruir o que eu acreditava ser minha família. ledo engano.

eu não tive um pai, tive um ótimo financiador. nenhuma mensalidade da escola, do inglês, da natação e, agora, da faculdade, atrasada. além de nunca estar presente, de formalmente ausentar-se da criação dos filhos, de negligenciar uma situação de violência sexual, seu araújo pouco contribuiu com a minha vida. nunca foi exemplo de homem, pra mim. ele nunca se esforçou pra ser, afinal. eu disse pra dona denise "às vezes eu penso que tu merecia coisa melhor, não esse homem que mora aqui". ela me surpreendeu quando disse "eu também penso isso". propaganda de margarina, saca?

eu poderia ser filho de um cara que me desse orgulho, que se interessasse pelo que eu faço, que fosse um modelo de masculindade, de educação, de refinamento, de perspicácia. mas não, sou filho de um burocrata retrógrado, sexualmente mal resolvido e com inúmeras dificuldades afetivas. mas um ótimo financiador.

dona denise agradeceu aos meus amigos, os que sabem o que eu passei na infância, por terem sido tão claros e resolutos, e agradeceu aos amigos que sabem que sou gay, que me aceitam e que fazem a diferença na minha saúde psicológica. "que bom que tu te cercou de pessoas que te ajudaram". pudera, é isso o que a gente procura quando cresce sozinho.
sexta - 22 de outubro, 11h52min


acabo de perceber uma coisa.
eu julgo as pessoas pela quantidade de bons contatos que elas têm.
isso é errado? como jornalista, acho que não. como pessoa humana, acho que não, também.

ok, then.
quarta - 20 de outubro, 21h26min


eu, dona denise e seu araújo fomos dar os pêsames à vizinha da casa 3, agora. o marido dela morreu essa madrugada. coisa mais constrangedora. dona denise disse "só pra te dizer que a gente lamenta, mas deus sabe o que faz" e "a vida continua". seu araújo, muito protocolar, disse "é a vida", seguido de um longo suspiro. caralho. eu nunca falava com eles, eu não acompanhei o drama da família - o cara tava com câncer não sei aonde. o último contato que tive com o falecido foi numa madrugada que cheguei em casa sem a chave e não tinha ninguém pra me abrir a porta. fui lá bater na casa 3. acordei o cara e pedi pra ele chamar um chaveiro. até rendeu um conto, "Uma Hora a Menos no Meu Dia". era início do horário de verão, tinha que adiantar o relógio, por isso o título.

e o cara, uma vez eternizado num conto, se foi. estranho que tenha sido eternizado justamente num dos poucos momentos em que o vi sendo solícito, porque ele não era uma das pessoas mais gentis que eu já conheci. mas, lembrando as sábias palavras de seu araújo, "é a vida". >suspiro<...
quarta - 20 de outubro, 20h25min


meu conto Tio Sam e o Homem-Bala foi publicado na Vitrine Literária do Kiefer. that makes two of them.
quarta - 20 de outubro, 17h44min


arquivado. segue conto novo.

gozo no silêncio

ajoelhado, tenho uma arma apontada pra minha cabeça. vejo os teus sapatos na minha frente. levanto os olhos com medo de não conseguir levantá-los até os teus. “puxa o gatilho pra mim?”. pega a arma da minha mão e a afasta da têmpora. o cano frio, no topo da minha cabeça. “vai”. me resigno pra sempre, perdedor.
terça - 19 de outubro, 14h11min

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