foi-se o siso maldito. agora tô com um buraco na boca, seis pontos na gengiva e a cara inchada e dolorida. duas horas e meia de cirurgia e diversas interjeições de surpresa do dr. clóvis: "bá, mas tem mais dente!", "bá, mas que coisa enorme!", "bá, vou ter que dar mais um ponto! e mais um!", "bá, vamo dá um tempo!". sufoco, camaradas. sufoco. tenho a impressão que nunca mais vou pdoer abrir a boca pra... comer.
terça - 21 de dezembro, 12h20min


dor de siso

essa noite, sonhei que tava tendo um ataque cardíaco. daí conseguiram me ressuscitar. mas tive outro em seguida. me ressuscitaram de novo. mas um terceiro me derrubou de vez. a médica se atrapalhou com o aparelho de choque, perdeu tempo com os fios enroscados e quando deu me deu o choque, a máquna travou e ficou me eletrizando um tempo. daí eu morri.

dona denise disse que é nervoso, porque hoje eu tiro meu siso. da última vez, fiquei uma semana mal. sangrei como se tivesse menstruando pela boca. doeu muito. trauma feio.

enfim. desejem-me sorte. e caso eu morra, processem a médica que se atrapalhou com a máquina de choque. aquela inútil.
segunda - 20 de dezembro, 12h54min


"Por que continuam negando espaço para a literatura de entretenimento? E é bom que se diga: literatura de entretenimento não é o que produz uma pessoa como Narcisa Tamborindeguy (aliás, cadê ela?). Aquilo não é entretenimento nem é literatura. Gente como ela não escreve: enfileira palavras e amontoa parágrafos"

mais, aqui.
quarta - 15 de dezembro, 17h46min


segundo esse site aqui, eu nasci em Coroados, mas resido em Porto Alegre.
eu não sabia disso.
terça - 14 de dezembro, 20h15min


especulações à parte, diz que o Circuito tá virando o Ocidente, quando era legal.

especulações à parte, parece que dona denise tá com anorexia nervosa. os exames chegam amanhã.

especulações à parte, diz que o walter já tá morando com o irmão n´um dormitório.

fato: cris fez ânus, sábado. teve celebration no Ocidente, mas não fui 1) porque não tinha grana, 2) porque tava tendo profundas e desconcertantes discussões com gilberto sobre valores pessoais, ambições de vida e coisa e tal. enfim, parabéns pra mocinha. dois-ponto-zero, ela fez. muito money, success, fame and glamour pra ela.
terça - 14 de dezembro, 11h44min


tem material meu publicato no site O Caixote. no link artigos, tem "A Importância da Beleza" e "Dogville, o Mundo é um Canil". em contos, tem "Uma Ousadia no Espaço", "J", "Hollywood", "Tio Sam e o Homem-Bala" e "gozo no silêncio". passa lá, o site é bem bacana, bonito e com uma renca de autores novos.
segunda - 13 de dezembro, 15h48min


walter matou seu blogue, deixando milhões descontentes. tomo a iniciativa e lanço uma campanha de apelo popular, a fim de estimular o retorno desse criativo e irônico loser ao mundo blogueiro.


O Mundo Blogueiro Precisa de Você!

copie e cole no seu blogue. força na peruca, galera.
quarta - 8 de dezembro, 23h


ah, não! já começou?!


terça - 7 de dezembro, 12h42min


a partir do dia 10, no Sr. do Bom Fim Café, vai rolar a primeira exposição de lomografia do RS. segundo o jotapê, um dos participantes da ação, lomografia "é um ramo da fotografia que utiliza câmeras russas para produzir fotos muito absurdas: cores estouradas, borrões, uma mesma imagem dividida em quatro, em oito ou em nove ângulos diferentes, e por aí vai. Cada uma das câmeras lomo tem uma peculiaridade e produz um tipo de foto". bueno, no?

mais, aqui. e aqui, também.
terça - 7 de dezembro, 12h25min


Xarope de Groselha

em casa de gilberto, com sede. abro a geladeira e acho uma sedutora garrafa de xarope de groselha. no rótulo, me salta aos olhos a discreta inscrição VÁLIDO ATÉ 19 JAN 95.
"gilberto, isso aqui tem validade até 1995?"
ele, deitado no sofá, estranha.
"é?"
"é! diz aqui, válido até 19 de janeiro de 1995!"
"não pode ser... deve tá errado..."
"gilberto, isso aqui ia completar uma década na tua geladeira"
. levanto a garrafa. "tu te lembra quando tu comprou isso aqui?"
hesita.
"deixa ali. deve tá errado."
volta a dormir.

que espécie de afeição bizarra é essa de alguém por uma garrafa melecada de xarope de groselha que descansa no mesmo lugar, uma década após ter expirado sua data de validade? o que de tão importante aconteceu em janeiro de 1995 que merece ser lembrado e conservado para a eternidade? porque afeiçoar-se a uma garrafa de xarope de groselha e, por tabelinha, a janeiro de 1995? porque "deixa ali" e não "joga fora"?

eu tenho 22, gilberto tem 36. frequentemente, o pego lamentando não os meus 22, meus seus 36. a inexorabilidade da passagem do tempo não lhe parece inexorável, apenas cruel. ele diz que, até me conhecer, hesitava muito relacionar-se com alguém tão mais novo que ele, com medo de cair no pouco digno lugar comum "no meu tempo". e ele tem fugido de "no meu tempo" como o diabo foge da cruz. exagero meu, talvez. mas me é sabido que ele não intromete seus 36 anos de história de vida no nosso relacionamento de, até o momento, três semanas. ele assumidamente estranha, mas aceita, se sente à vontade e se envolve com alguém de 22. alguém que em janeiro de 1995 havia passado pra 7° série e cuja única preocupação era jogar video-game e bater punheta. ele, em janeiro de 1995, comprava xarope de groselha. não sei pra quem, mas pra mim é que não era. alguém importante, cuja pesença deve ser conservada não apenas na memória, mas no frio da geladeira, por mais de uma década. por que ele disse "deixa ali" e não "joga fora"? ao dizer isso, me pergunto se, na verdade, ele dizia "deixa o passado ali, à mão, pra sempre que eu precisar revirar minhas memórias mofadas e me lembrar como era bom aquele tempo". qual a minha função nessa história, como o relacionamento do presente de gilberto?

o passado de gilberto é uma garrafa melecada de xarope de groselha, cuja validade já expirou. não sou eu quem vai jogar fora aquela garrafa - a geladeira não é minha. eu, aos 22, guardo meu passado nas lembranças sinuosas dos momentos vividos. e em alguns textos, também. ele, aos 36, deixa alimentos perecíveis na geladeira por uma década. o passado vive mesmo é na memória - mesmo que oblíqua -, não nos mantimentos que um dia compramos no supermercado.

não sei da vida de gilberto em janeiro de 1995. na verdade, nem quero saber. o passado dele diz respeito a ele, tão somente. se um dia, por ventura, ele quiser me contar o que de tão marcante aconteceu há dez anos atrás, que conte. as memórias dele são só dele. enquanto elas continuarem quietas, conservadas no canto das lembranças ou no frio da geladeira, como uma garrafa de xarope de groselha, tudo bem. agora, se elas estiverem ainda gritando por atenção, não me peça compreensão. no momento, quem cuida das futuras boas lembranças afetivas de gilberto, sou eu. afinal, janeiro de 2005 bate à porta. vamos encher nossos copos com xarope de groselha e brindar não ao que passamos, mas ao que ainda podemos passar. brindemos ao futuro, não ao passado. de janeiro de 1995, nada sei. mas em janeiro de 2005, quem vai brilhar serei eu. pelo menos para gilberto.
domingo - 5 de dezembro, 23h14min


ontem, cervejada de aniversário da cacá, na República. gente que eu não via há muito tempo, Lobão e Beach Boys no violão, cantoria desafinada e tudo mais que pode fazer de uma quinta-feira pra lá de divertida.

hoje, audiência com a escrivã da Delegacia da Infância e Juventude. uma hora de conversa sobre todo o ocorrido na minha infância, seus reflexos até o momento e um processo judicial em andamento. muito burocrático, nada doloroso. depois, dona denise começou a puxar papo sobre homossexualidade. interessada mesmo em saber como é que é essa coisa toda de ser gay, quem foram os homens que eu já me envolvi, quem foram as mulheres que eu já me envolvi, sexualidade em geral e quem é gilberto. papo sincero e claro. tenho certeza que ela aprendeu bastante.

agora, ainda tô tentando entrar em contato com uma jornalista que trabalha com questões de abuso sexual na infância, pra estabelecer um contato e saber como eu posso colaborar - porque todo o conhecimento prático que eu tenho do assunto seria, julgo eu, muito útil pro bem comum. salve salve maturidade!
sexta - 3 de dezembro, 16h02min


link novo aí do lado. juliana ming, de SP. volta e meia a gente se cruza e se perde e se cruza e se perde e enfim.
quinta - 2 de dezembro, 16h16min


hoje é aniversário da clarissa - cacá - do valle. não contem pra ela, mas eu vou comprar um bolo gigante e saltar de dentro dele só com um biquini minúsculo e uma garrafa de espumante. cantando happy birthday, mr. president, claro. parabéns pra mocinha.

quem faz anos hoje também é a britney spears, assim ouvi dizer. parabéns pra putinha.
quinta - 2 de dezembro, 13h33min


meu conto Tio Sam e o Homem-Bala saiu na Bestiário, revista online de contos. o Tio Sam da ilustração é tudo, olha!
quarta - 1º de dezembro, 13h22min


os meus amigos são todos loucos.
há semanas que tô com dois ingressos pro filme Nina que ganhei num sorteio de um programa de televisão e não acho uma viva alma que esteja desocupada às 14h40 da tarde e se disponha ir no cinema de graça. isso porque os meus amigos são todos loucos. e ocupados.

eu achava que isso ia terminar, com minha vida de committed.
quarta - 1º de dezembro, 12h20min


artigo novo.

A Autodestruição Americana

"Pelo fato de uma milícia bem regulamentada ser necessária à segurança de um estado livre, não se infringirá o direito das pessoas de ter e de portar armas."
Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América, aprovada em 1791.

Assim como o culto ao herói, a predileção por cultivar inimigos é parte ativa da cultura americana, manifestando-se diariamente na vida dos cidadãos daquele país, desde as escolas primárias, com sua divisão em winners e losers, às suas relações internacionais. Por anos, o alvo foi o comunismo que, “do lado de lá” do mundo, assombrava a liberdade e os valores do Ocidente. Os Estados Unidos mantinham mísseis apontados para a Rússia; os russos tinham na mira as metrópoles americanas, à sombra do inimigo eterno. Por anos, a América teve contra quem lutar e alguém para deter, como bem ensina a cultura do heroísmo. Entretanto, finda Guerra Fria, a América viu-se carente de ameaças reais. Não mais havia fantasmas para assombrar a grande nação norte-americana – vitoriosa na disputa capitalismo X comunismo. Sem inimizades no mundo real, Hollywood foi a criadora do estímulo a um way of life que glorifica a luta e os louros da vitória.

Filmes hollywoodianos reforçaram a idéia que, com o fim da ameaça do comunismo e o estabelecimento da cultura de consumo e sua superioridade graciosa, a única próxima ameaça capaz de aterrorizar os EUA viria do espaço. Alienígenas com naves gigantescas que incendiavam milhões de pessoas, cometas que caíam no mar e lavavam as metrópoles americanas com ondas de quilômetros de altura. Depois da Guerra Fria, Nova York foi destruída várias vezes no cinema, para milhões de espectadores, ansiosos e satisfeitos por finalmente terem um inimigo a combater e manter sua cultura de herói viva – mesmo que somente na fantasia hollywoodiana. Os arranha-céus da maior cidade americana sucumbiram inúmeras vezes, diante de diferentes ameaças cinematográficas. Os mesmo prédios que simbolizam a vitalidade econômica da maior potência do mundo foram ao chão – ou voaram pelos ares - pelos próprios americanos, em suas fantasias megalomaníacas de autodestruição, como pondo fim ao sufocamento do indivíduo que a cultura de consumo incute no dia-a-dia daqueles miseráveis. Ao explodir seus símbolos no cinema, o país dava sinais da carência de inimigos pelo qual a América pré-11 de setembro vinha passando.

O caráter iconoclasta da cultura americana teve ainda outras expressões, no cenário pop. Madonna beijava santos em videoclipes, divertindo-se com o antagonismo entre o profano e o sacro e provando que, nos anos que estavam por vir, nenhum símbolo estaria livre da perversão. Mais tarde, o shock rocker Marilyn Manson rasgava Bíblias e queimava a bandeira americana em seus shows. Como um exercício da obsessão americana pela destruição dos valores da cultura ocidental através do fogo, do fim de tudo em um espetáculo pirotécnico. E ainda David Bowie que, na época, cantava “I´m afraid of americans/I´m afraid of the world”. O cantor inglês propôs um futuro em que a América seria temida e contrariada no panorama mundial, como é hoje em dia.

Só uma nação que esbanja vitalidade, poder supremo e saúde financeira desmedida se dá ao luxo do regozijo com sua autodestruição – mesmo que exclusiva à cultura popular, controlada pelo mercado e inofensiva à realidade de segurança que o capitalismo, a tecnologia e os valores do american way of life pareciam oferecer. Antes do 11 de setembro, a América dava-se ao luxo de autodestruir-se em seus filmes quantas vezes quisesse. Era o alento de milhões de americanos que queriam salvar os EUA (portanto, o mundo) dos infiéis e impuros – sejam eles os comunistas ateus, os alienígenas ceifadores ou os árabes sanguinários. Afinal, qual a utilidade de um mundo sem inimigos, quando a cultura do heroísmo ensina que a luta contra o mal nunca acaba? Qual a utilidade de um poderio militar mundialmente incomparável se não há inimigos a serem combatidos? Qual a finalidade de conquistar o mundo, se não podemos destruí-lo? A Redenção da humanidade, o Armaggedon, a Nova Jerusalém só viria com o fim deste mundo que conhecemos. E os americanos, com suas forças armadas e suas corporações que não vêem fronteiras geográficas ou morais, têm o luxo de decidirem quando o mundo pode terminar. Ou tinham, até o dia 11 de setembro de 2001.

Osama Bin Laden mostrou que, com o fim da Guerra Fria, a América não estava livre dos inimigos, como acreditava. O milionário saudita, ao derrubar aviões comerciais sobre a maior potência do mundo, afirmou que nem Madonna, nem Marilyn Manson e nem os filmes de Hollywood representavam qualquer ameaça aos Estados Unidos e que eles não eram os agentes da deflagração final. Bin Laden mostrou para o Tio Sam que não seriam os próprios americanos os responsáveis pelo fim do mundo, apesar de suas forças armadas e suas corporações que não vêem fronteiras geográficas ou morais. O que até então era um luxo, o que até então era uma autodestruição reclusa à tela da televisão e à sala escura do cinema, tornou-se real. Bin laden mostrou para os americanos que sonhar com a destruição da América (leia-se mundo) imerso na falsa segurança do capitalismo, da tecnologia e do american way of life é muito fácil. O século XXI trouxe a inexorabilidade do fim do mundo para o dia-a-dia de seus contemporâneos.

A Segunda Emenda da Constituição americana garante o direito de todo cidadão daquele país portar quantas armas bem entender. A Segunda Emenda foi fruto de dois séculos da ameaça da monarquia britânica sobre o povo norte-americano. A fim de manter sua liberdade, pensou-se que um povo armado seria empecilho para o estabelecimento de qualquer ditadura ou qualquer intervenção política contrária aos anseios da população. As atuais ameaças à América não se restringem a alguns ingleses carregando velhas baionetas, mas a muitos árabes loucos, com milhões de dólares no bolso e milhares de homens dispostos a morrerem por uma causa dita sagrada. Não há povo armado que consiga impedir essa nova ameaça. E não há filme de Hollywood que se dê ao luxo de contemplar a autodestruição americana. Não em época de guerra contra um terror real.
quinta - 25 de novembro, 13h42min


arquivado.
muitas novidades, pouco blog.
segunda - 22 de novembro, 15h33min

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