tia minha, educadora de crianças cegas, me pediu pra enviá-la uns contos meus pra ela ler e discutir com seus alunos. pensei logo na crônica "Bart", que fala do meu cachorro velho e cego. "mas não dá pra falar de cachorro cego pra criança cega", salientou dona denise. fomos passando texto por texto, "esse aqui o cara se mata. esse aqui, o car dá o cu. esse aqui, o cara se mata. esse aqui, o cara é assassinado. esse aqui, só tem palavrão. esse aqui, o cara se masturba dentro do carro".

acho que a minha literatura não é nada infantil.
domingo - 23 de janeiro, 14h11min


moloko com velocet: (lembram da substância ilícita do Laranja Mecânica? tá aí a receita)
leite
leite condensado
gelo
rum
efedrina
anfetamina
dosar com cuidado, animais!

roubado da mel.
domingo - 23 de janeiro, 11h27min


boas novas. fui aceito na Oficina de Criação Literária do Assis Brasil. começa em março e dura um ano, uma vez por semana. estou excitado.
quarta - 19 de janeiro, 18h15min


"A beleza não é democrática. É distribuída desigualmente entre as pessoas. E aquelas que podem criá-la (em poemas ou pinturas) são uma minoria, uma elite favorecida"

mais, aqui, em inglês.
quinta - 13 de janeiro, 20h14min


tem material meu publicado no SARCÁSTICOcomBR. zine legal, de gente bem humorada. passa lá.
segunda - 10 de janeiro, 14h42min


"E tudo isso quer dizer literatura: a requintada crueldade de poder observar as próprias vísceras expostas refletidas no espelho e imaginando não ser as nossas, como se este refletisse toda a humanidade agora - a desumanidade estará dentro de nós, como o olho cego da câmera fotográfica, as lâminas frias da cortina que fecha e abre a objetiva, o vidro da lente, inopinadamente a sangrar, a sangrar, amigos, a sangrar, o fluxo maldito chamado literatura, a sangrar..."
Márcia Denser, em Relatório Final.

essa mulher sim tem colhão.
sexta - 7 de janeiro, 13h18min


Showing Off

eu tenho uma calça jeans que eu comprei aos 15 anos. quando eu tinha 20 e trabalhava no foro de aspone de burocrata, ela rasgou no joelho, com toda aquela história de se abaixar pra procurar processo e levantar pra entregar pra advogado. continuei usando pra ir trabalhar, pra faculdade, sair. era só uma calça jeans com um acidental rasgo no joelho. mas rapidamente, ela começou a se desintegrar comigo dentro. puída, começaram a aparecer rasgões diversos e que se alargavam com o senta-levanta da frente da tv. começou a ficar obsceno, a aparecer minha cueca de diversos ângulos. percebi que era hora de parar de usar na rua e usar como mais uma daquelas roupas que a gente usa só pra ficar em casa, pra ninguém pensar que a gente tá com depressão e parou de se preocupar com a própria aparência. mas a peça ficou ótima pra usar no verão, ventilando meus fundilhos.

hoje, cansei de ter que me cuidar pra sentar e levantar pra evitar mais rasgos, peguei uma tesoura e fiz uma bermuda. de calça obscena, passou para bermuda obscena. ainda dá pra ver mais do que eu realmente quero que vocês vejam, mas ficou com um aspecto bem menos farrapo do que tava até então.

eu não usava bermuda desde mil novescentos e noventa e cassetada, mas realmente aprovei o artigo. é o conforto daquele mesmo jeans surrado - porque jeans bom é jeans surrado -, mas um pouco mais apresentável. se eu costurar o rombo de trás, nem vou mais precisar trocar de roupa quando as visitas chegam. na verdade, gostei tanto da idéia que fiz outra bermuda com outro jeans que não usava desde mil novescentos e noventa e cassetada. agora, pela primeira vez em uma década, eu tenho duas bermudas no armário. onde eu estava com a cabeça, que as evitava com veemência? cinco de janeiro de dois mil e cinco vai ficar marcado como o dia que eu descobri a bermuda e como o dia que eu descobri que tenho pernas.
quarta - 5 de janeiro, 22h


primeiro dia útil do ano e eu começo super bem. não fiz porra nenhuma. teclei com cris, teclei com cacá, teclei com andy, entrei em chat, ouvi madonna, vi Sai de Baixo - mas não conta pra ninguém -, comi torta fria e protelei tarefas para o dia seguinte, as quais eu sei que não vou cumprir amanhã porque eu não tenho vergonha na cara e também pra, quando chegar sexta-feira, eu dizer "nossa, mas a semana já acabou? eu não tenho tempo pra nada, mesmo". auto-sabotagem é melhor arma da procrastinação.

se eu pensar pela ótica do "dos males, o menor", eu decorei a letra de Express Yourself e me senti hiper realizado. na real, eu não preciso temer o amanhã. meu país não sofre nem com terrorismo nem com tsunami. cenário bem convidativo pra adiar compromissos.
segunda - 3 de janeiro, 19h55min


don´t go for second best, baby
put your love to the test

pra começar dois mil e cinco bem legal, eu cito madonna - porque o pop é inspirador, sim.
segunda - 3 de janeiro, 13h19min


começo dois mil e cinco desejando muito, muito sofrimento para certas pessoas. não, clarissa. não é quem tu tá pensando. é alguém cujo nome não merece ser mencionado nem num bloguezinho medíocre que nem esse aqui.

feliz dois mil e cinco pra todos. ou melhor, quase todos.
segunda - 3 de janeiro, 12h40min


"se o que eu for pegar, fugir, não como"
da sabedoria vegetariana.
quarta - 29 de dezembro, 11h11min


A Onda do Momento

esses asiáticos são mesmo burros. se esse negócio de tsunami tivesse acontecido aqui no Brasil, em uma semana já tinha virado tema de escola de samba, o criativo axé baiano já tinha inventado a Dança do Tsunami, os funkeiros cariocas, o Funk do Tsunami e a mania ia naturalmente virar moda, com camisetas de estampa temática, do tipo "eu sobrevivi ao tsunami 2004!" e "tsunami: NÃO entre nessa onda". negócio da China.
terça - 28 de dezembro, 22h07min


era pra ser um post qualquer, mas acabou virando uma crônica.

Trabalho de Ourives

fazer a barba é um ritual. envolve senso de simetria, precisão e bom gosto. o manuseio adequado do aparelho e a técnica certa, as quais sempre procuro aplicar, me garantem a satisfação de um resultado esteticamente atraente. afinal, barba é importante. o cabelo molda o resto por cima; a barba por baixo.

barba também ressalta o sorriso. e o meu, quero mais é que seja ressaltado. cinco anos e meio de tratamento ortodentário, muito dinheiro e tempo foi o investimento no meu sorriso - o qual (e não peço perdão pela falta de modéstia) é mais que bonito. é um tesão, quase. um dos meus melhores dotes. um dos.

já fiz de tudo com meus pêlos facias. usei barbão Los Hermanos, costeleta Elvis Presley, deixei por fazer (também conhecido como 25/8)e aquele visual, um dos mais legais, que se faz com máquina e se apara os contornos com lâmina, dando aquele efeito de "barba por fazer", mas uma coisa mais limpinha e simétrica. agora tô de cavanhaque; uma moldurinha discreta ao redor do sorriso. sempre o mantenho do mesmo tamanho com a máquina. não, não é chato. adoro dedicar um tempo pra fazer a barba. ou qualquer que seja o adorno que eu esteja aplicando ao rosto com meus pêlos faciais. se desse, até arabescos eu desenhava.

fazer a barba é um momento solitário, de reflexão. tem que ser no silêncio, ouvindo a lâmina raspando na face, num banheiro bem iluminado e com um espelho que te permita enxergar o rosto todo. nesse momento, toda a tua concentração se volta unicamente ao teu próprio rosto. não tem Guerra no Iraque, terremoto na Ásia, falta de grana ou frustrações amorosas que te invadam a cabeça nesse momento. por isso tem que ser um ritual demorado, feito com a delicadeza de um ourives. fazer a barba é refletir sobre o quão importante é a própria aparência. é filosofar sobre a importância de dar-nos o direito do capricho, o direito de mimar-nos. é o teu rosto, tua lâmina e os teus pêlos faciais. o mundo e suas dores ficam lá fora.

a maior prova de intimidade que se pode ter com alguém é fazer a barba do homem que se ama. pode ser entendido como um teste de confiança. tu confiaria em qualquer um de lâmina em punho, raspando perto da tua veia aorta? tem que confiar na precisão da mão e no bom gosto do outro, já que não se pode ficar grudado no espelho, fiscalizando o trabalho.

ter barba é ter a garantia de momentos silenciosos, solitários e propensos à reflexão. sou feliz por ser homem de barba cerrada. ela me dá a possibilidade de ser inventivo, além de ser um adereço gratuito ao rosto. triste é o homem de cara lisa feito bebê, como a maioria dos executivos e engravatados. não pode se dar ao luxo da contemplação semanal do próprio rosto - seja belo ou não. afinal, homem de barba é homem por inteiro. é mais homem. porque barba fala. os homens deveriam ser proibidos de calarem seus rostos.
domingo - 26 de dezembro, 23h48min


"Temos aqui o mundo pós-moderno: um mundo de presente eterno, sem origem ou destino, passado ou futuro; um mundo no qual é impossível achar um centro ou qualquer ponto ou perspectiva do qual seja possível olhá-lo firmemente e considerá-lo como um todo; um mundo em que tudo que se apresenta é temporário, mutável ou tem o caráter de formas locais de conhecimento e experiência. Aqui não há estruturas profundas, nenhuma causa secreta ou final; tudo é (ou não é) o que parece na superfície. É um fim à modernidade e a tudo que ela prometeu e propôs."

mais, aqui.
domingo - 26 de dezembro, 17h05min


matéria da ISTOÉ fala da nova exposição do Leon Ferrari, o cara que faria Luis Buñuel e André Breton vibrar. vai lá ler. cultura faz bem pra cabeça.
sábado - 25 de dezembro, 23h27min


eu detesto muitas coisas no final de ano, mas a que eu mais detesto é a capacidade que as pessoas têm de sumirem, nesses dias. como se elas não tivessem mais nada pra fazer. todos os compromissos, interesses e contatos do cara têm que ser protelados até janeiro, porque as pessoas desaparecem. muito difícil lidar com isso.
sábado - 25 de dezembro, 12h30min


final de ano, época de lista do "best of 2004".

melhor decisão tomada: largar o trampo. segundo lugar, voltar pra montevideo ou sair do armário em casa e contar sobre o abuso sexual na infância, não sei direito;
melhor livro: Diana Caçadora + Tango Fantasma, Márcia Denser. segundo lugar, Sonhos de Bunker Hill, John Fante;
melhor cd: The Beatles, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. segundo lugar, Depeche Mode - The Singles 81-85 e 86-98;
melhor filme: Party Monster. segundo lugar, não me lembro, fui pouco no cinema, esse ano;
melhor novo bar: Circuito. segundo lugar, Circuito;
melhor nova banda: Stereoplasticos. segundo lugar, Quizzicals;
melhor trepada: é injusto;
melhor show: Quizzicals no Guanabara. segundo lugar, melina, no Jeckyll;
melhor noite: depois do show da melina, acompanhá-la, juntamente com o walter, até o aeroporto, às três da manhã, esperá-la embarcar às seis e ir direto pro dentista;
melhor surpresa: a certeza de que eu tenho os melhores amigos do mundo.
sexta - 24 de dezembro, 16h27min


tô com 10 convites ao gmail pra distribuir e ninguém dos meus contatos quer. qualquer coisa, só me escrever que eu mando.
terça - 23 de dezembro, 14h15min


comecei a ser publicado no varal.org. passem lá, tem uns contos muito bons.
quarta - 22 de dezembro, 12h17min

juliana
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Márcia Denser
Diana Caçadora + Tango Fantasma
Charles Kiefer
A Poética do Conto
Robert J. Ray
O Escritor de Fim de Semana


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