saber todas as letras do Immaculate Collection é indício de alguma coisa? digo, de algo que eu ainda não saiba?
quinta - 24 de fevereiro, 20h12min


mas os meus cabelos...

em 2002, eu era assim, cabeludo.
não sinto saudades.
segunda - 7 de fevereiro, 01h27min


Virundum

anos atrás, na minha infância, eu me lembro que a Leci Brandão tinha um hit nas paradas chamado "Madagascar". hoje, conversando sobre marchinhas de carnaval com a cris, descubro que eu passei anos cantando aquela música errado. o certo é "ilha-ilha do amor, Madagascar/ilha-ilha do amor, Madagascar" e eu sempre cantei "ia-iá iaô, Madagascar/ia-iá iaô, Madagascar". e ia além, cantando o resto do verso; aiêêê, Madagascar olodum, iô, olodum, iô/aiêêê...".

fico pensando no mico que eu paguei esse tempo todo, cantando errado o maior hit da grande Leci Brandão - uma das grandes musas da Música Popular Brasileira. deus me livre que ela leia esse ultraje.
quinta - 3 de fevereiro, 00h41min


só pra constar, ainda tenho convites pro Gmail. quem quiser, me dá um toque.
quarta - 2 de fevereiro, 21h05min


"A Burocracia do Amor" também tá no Pessoas do Século Passado.
segunda - 31 de janeiro, 20h02min


carajo. alguém mais acha que Human League é tão ruim que chega a ser muito bom?
segunda - 31 de janeiro, 16h20min


artigo meu publicado no Pessoas do Século Passado - projeto legal que tenta nos lembrar que nós, contemporâneos ao século XXI, descendemos do complicado século XX.
domingo - 30 de janeiro, 16h42min


crônica nova.

A Burocracia do Amor

uma das maiores invenções do mundo moderno é o sexo casual. com seu advento, as relações entre homens e mulheres tornaram-se igualitárias. ambos passaram a reconhecer que o sexo pelo sexo é uma opção madura e responsável de quem sabe o que quer e sabe que alguém também quer. duas pessoas com objetivos afins se encontram e se entendem, naqueles momentos. porque só o que lhes interessa, naquele momento, é aquele momento. é preciso um amadurecimento pessoal concreto e amplo para levantar o sexo casual como possibilidade de relacionamento.

a sociedade contemporânea, perdendo-se em sua hipocrisia puritana e ilusória, procura reduzir o valor do sexo pelo sexo e exaltar a importância do amor, da paixão, do estar enamorado. como se o amor fosse algo comum, disponível em qualquer esquina, em qualquer festa, em qualquer sábado à noite. a sociedade contemporânea, insegura que é, ainda teme o sexo casual. tem medo de levantar reais possibilidades de envolvimento - porque o sexo pelo sexo abre reais possibilidades de relacionamento. desse medo, resulta a banalização do amor. todo mundo se apaixona o tempo todo, por pessoas que sequer beijamos, tocamos, comemos. amor tem sexo no meio, também. e quem vai pra cama só por amor, vai pra cama muito pouco na vida.

não estou pregando o fim do amor romântico, porque esse, pobre coitado, foi tão banalizado pela música pop, pelo cinema e pelas novelas que parece que ele tá à mão de qualquer um com dois braços e duas pernas. essa banalização do amor gera uma frustração, uma desconsideração pelo humano. amor não é produto à venda em mercadinho de bairro. é raro; se esconde entre uma trepada e outra. e o sexo casual faz parte dessa busca eterna pelo grande amor de nossas vidas.

e daí que a fulana tem um jeitinho de mexer no cabelo que te deixa louco? e daí que o beltrano sabe ser sensualmente eloqüente? tem muita coisa por trás daquele gestual e daquela articulação verbal. o sexo casual tenta descobrir isso. a contemplação romântica perdeu espaço e função em uma época em que somos mais visuais, objetivos e sofisticados. amor platônico não é amor, é carência. por isso afirmo que sexo casual é coisa de gente bem resolvida consigo e com suas inúmeras opções. é muito fácil ostentar um amor platônico, quero ver tu segurar um amor real, com sexo e tudo.

me lembrei agora de uma tirada brilhante da também brilhante Márcia Denser, no seu conto "Tigresa". "se ama tira a roupa", ela diz, provocando a mulher e o homem contemporâneos, exaltando a fraqueza de apaixonar-se como meio e o sexo como fim. é uma hipérbole das relações afetivas atuais, mas dá margem à reflexão. "se tu me amas, tira a roupa que eu quero ver se tens colhão pra me aguentar - ao meu corpo e às minhas neuroses, inseguranças, paranóias, medos e hesitações". porque o amor é assim mesmo, dá um trabalho do cão. o sexo casual, esperto que é, sabe disso e não exclui o amor como hipótese que a trepada de uma noite pós-festa pode revelar. quer amor? então trepa.

sexo casual não é coisa de gente superficial e que tem dificudade de envolvimento, como a hipocrisia contemporânea tanto alarda. sexo casual é sincero, honesto, joga limpo. e nesse jogo, quem sabe, o vencedor pode até ser o amor. se não for, beleza, parte pra outra. porque, como diz a sabedoria popular, a fila anda. e é fila bem longa, de serviço público. deus salve a burocracia do amor.
sábado - 29 de janeiro, 12h22min


conto novo.

acaBAMento

Acordou e o braço doía. Dormiu tenso sobre um lado do corpo. A manhã estava quente e pegajosa, escorrendo pela testa e grudando no lençol. Detestava dias quentes.

A bateção no apartamento acima logo começou. BAM BAM BAM Há muitas manhãs os martelos e as furadeiras do 402 o acordavam, ofuscando a rádio AM da vizinha abaixo, que insistia em cantarolar os antigos sucessos da Jovem Guarda enquanto lavava a louça, esbanjando água e esnobando a torneira. A basculante da cozinha abria para um fosso que comunicava todos os pequenos apartamentos do edifício. Era por ali que entravam, além dos ruidosos e típicos sons da cidade acordando, os ratos gordos e as baratas fugidias – sua basculante estava emperrada desde que alugara o JK, há três meses.

BAM BAM BAM

Sentou na cama com esforço, “a idade começou a pesar”, pensou. Dormiu com 59, acordou com 60. Não havia nada para celebrar, não receberia ligações de feliz aniversário, nem parabéns a você, nem aquelas tele-mensagens cretinas de clichês que qualquer um que sabe enfileirar palavras numa frase pode elaborar. A saudação de aniversário era a bateção do andar acima e a manhã pegajosa da fronha quente e úmida.

BAM BAM BAM

Aniversários são todos iguais, além de banais. Todo mundo faz aniversário, não há nada de especial. Não há porque sentir-se feliz por dormir com 59 e acordar com 60. Sabe que quando chegar a manhã em que acordar com 70, depois de dormir com 69, será igual a todas as outras manhãs pegajosas de verão. Só espera que então não seja acordado pela bateção do andar acima, já que não pode evitar as manhãs quentes do mês de janeiro.

BAM BAM BAM

O braço doía. E vai continuar assim pelo resto do dia. A sexta década de vida é inaugurada com dor e suor. Nada de festa, abraços e risadas. “Para um velho, presente bom é relaxante muscular”. Desistiu. Deitou e fechou os olhos. “Quem sabe a bateção me faz dormir de novo”. BAM BAM BAM A reforma durou mais dois dias. O velho também.
sexta - 28 de janeiro, 11h25min


Moacyr Scliar defende luta contra indústria cultural

entrevista com o escritor + crônica especial FSM.
quinta - 27 de janeiro, 20h12min


arquivado.

poacity tá atrolhada. tem neguinho saindo pelo ladrão e os hipongas me dão a impressão que os anos 60 estão de volta - o que não é exatamente uma coisa boa.
quinta - 27 de janeiro, 12h28min

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