"Primeiro a Internet (e depois também)" tá na capa do Pessoas do Século Passado. e tem mais alguns textos meus espalhados pelas editorias da nova edição do site. segundo o Dodô, "o Vitor Diel caiu de amores pelo site e anda mandando bons textos a doidado". pudera. o PdSP é o melhor site que publica novatos da web brasileira. passa lá.
Bom de garfo
eu tô ficando com fama de bom de garfo, no serviço. por aqui, volta e meia tem festinha de aniversário, despedida, recepção, coisa e tal. e, sacumé, sempre tem um bolinho, salgadinho, docinho. por exemplo, quinta-feira era aniversário da estagiária da assessoria jurídica. eu fui o primeiro a chegar e o último a sair. e no dia seguinte, ainda comi o resto da torta e mais uns salgadinhos que se esconderam na geladeira. eles podem se esconder, mas não podem fugir.
eu não entendo muito de metabolismo e calorias, mas eu sei que eu só engordo se manter uma dieta diária de "comer até se sentir mal". mas isso cansa. eu como bem, sim, e não engordo uma grama por causa disso. o que é muito frustrante, considerando que eu queria (deveria) pesar uns quatro quilos a mais.
hoje tem comilança, de novo. sábado foi aniversário da fabiana, RP da casa, e encomendaram um cento de salgadinhos - os quais já filei uns, escondido - e uma torta pesada pra burro. eu perguntei pra vera, a moça do café, se vão me deixar servir minha própria fatia de torta. ela disse que não. "tem que se cuidar" - advertiu - "tem que se cuidar".
"Ansiedade excessiva pode atrapalhar até a paquera, mas tem tratamento"
tô dizendo. mais, aqui.
Quem sabe, canta junto
because it's a great big white world
Clipping Bumerangue!
entrevista com Anatoly Berezovoi na página 30 da ZH de hoje.
A suspeita soviética
Ontem, fui à palestra de Anatoly Berezovoi - um antigo cosmonauta russo que passou sete meses no espaço, em 1982. Na época, foi um recorde que o lançou à fama em sua terra natal. Durante o falatório, o cosmonauta exibiu alguns videos de lançamentos de foguetes russos tripulados, inclusive o de Yuri Gagarin, em 1961, e do treinamento pelo qual todos os candidatos a viajantes espaciais passam, na Cidade das Estrelas - a 40 quilômetros de Moscow.
Obedecendo ao cerimonial de qualquer palestra convencional, Anatoly abriu espaço para perguntas dos presentes. Um senhor porto-alegrense, também chamado Anatoly e carregando dezenas de canetas no bolso da camisa, fez uma pergunta que Anatoly, o russo, deve estar cansado de responder: "lá em cima, o senhor se sentiu mais perto de Deus?". O russo nem pensou duas vezes: "não" - afirmou, com a impessoalidade típica de alguém do frio norte - "lá em cima, temos muito trabalho pra fazer que mal dá tempo de ao menos olhar pela escotilha e admirar a Terra". Achei um tanto quanto irônica, a insistência do pragmatismo soviético em meio à gravidade zero.
Anatoly Berezovoi é um senhor que já fez sementes de ervilha brotarem e se tornarem pequenas mudas dentro da MIR, nos anos 80, e cujo cartão de visitas, diplomaticamente redigido em inglês, o descreve como "acadêmico, piloto-cosmonauta e Herói da URSS". Assim mesmo, com agá maísculo em "herói". Sem dúvida, qualquer um que vai ao espaço, volta, e 20 anos depois viaja pelo Brasil palestrando sobre isso, é um Herói. E esse título se confirmou ainda mais quando Anatoly, o russo impessoal porém simpático, descreveu o que passou pela sua cabeça quando olhou a Terra do espaço, pela primeira vez: "você olha lá pra baixo e não vê nada, só oceanos, desertos, rios e lagos. É como se não existissem aqueles seis bilhões de pessoas que você sabe que existem. Mas como você não pode ver, parece que não existe. Lá em cima, quem me garante realmente que existem seis bilhões de pessoas, na Terra, quando eu só estou vendo uma - no caso, o outro cosmonauta que me acompanhou na missão?". Se Anatoly não vê, não crê. E eu entendi perfeitamente o que ele quis dizer, com isso.
"Se não ver algo é pôr sua existência sob suspeita, tu basicamente desconfia de tudo, porque, até segunda ordem, é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo"
Quando pequeno, me parecia improvável que todas aquelas pessoas nas calçadas, no supermercado, no ônibus, não estivessem obedecendo algum padrão, alguma ordem, algum script. Pra mim, a vida era uma novela da Globo, cujo diretor era algum Deus Todo-Poderoso. Anos depois, quando assisti O show de Truman e quando vi o Hugh Grant no Actor´s Studio, percebi que não estava sozinho na minha paranóia existencialista. E ontem, na palestra do Anatoly Berezovoi, confirmei que essa loucura não é luxo somente dos ocidentais. A descrença no que foge aos nossos olhos é uma paranóia humana. Aqui na Terra ou lá no espaço, não importa: se não vemos, duvidamos. O ser humano é um descrente por excelência.
Tentar ter o controle de tudo dá muito trabalho. Na real, acho que a gente começa a acreditar nas coisas que nos dizem por comodismo, mesmo. É mais fácil aceitar do que tentar buscar por si próprio as respostas. Acho que a minha terapeuta tinha razão, quando dizia que suspeitar da realidade é um indício de paranóia. O melhor que eu posso fazer por mim mesmo é acreditar nas estatísticas e deixar essa suspeita toda para filmes como Matrix. Se o censo planetário me fala que somos seis bilhões por aqui e se o Anatoly Berzovoi me fala que mudas de ervilhas crescem normalmente na gravidade zero, eu acredito. Até que provem o contrário, eu acredito.
e de Oops! I Did it Again também.
eu sei toda a letra de Sometimes, da Britney Spears.
Geração 00
no MSN, a pesquisa sobre blogues, que rola até o dia 25 desse mês:
vitorino diz:
putz! perdi!
link novo aí do lado. é o caderno de vidro, do andré laurentino. recomendo.
eu passei o dia corrigindo monografia, de novo. sei tudo sobre a cultura automobilística gaúcha. pó perguntar.
Consumismo e qualidade de vida
"Por exemplo, você compra um carro que, obviamente, torna mais agradável e fácil sua ida ao trabalho do que se fosse de trem ou ônibus. Mas quantas horas, dias, semanas, meses a mais você tem que trabalhar por ano, a fim apenas de pagar seu carro bom?"
artigo do Renato Janine no AOL Notícias. link roubado da dani. e, assim como ela, eu também casava com o Janine. casava, sim.
Listinha de supermercado da dona denise, afixada na geladeira
comprar:
Family business
eu e meu irmão no MSN:
Rod Scorpion diz:
são notícias como essa que ainda me fazem sorrir.
Juiz defere adoção a homossexuais
O homossexualismo não afeta o caráter nem a personalidade de ninguém, enfatiza o juiz. Explica que, em razão disso, decidiu que dois meninos, um de 2 anos e outro de 3 anos, fossem adotados por duas mulheres conviventes em união estável há mais de sete anos. Uma delas já era responsável pela criação desde o nascimento dos irmãos. Marcos Danilo acrescenta que, ao conceder a adoção, considerou a excelente criação e ambiente de afeto em que vivem as crianças, satisfazendo todos os requisitos que muitas vezes não estão presentes nos lares de casais considerados normais pela sociedade. Ele reconhece que vai enfrentar algumas reações, mas lembra que as famílias formadas por homossexuais também devem ser reconhecidas.
O Ministério Público já recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça do Estado, o que, segundo Marcos Danilo, serve para ampliar a discussão sobre a matéria. No caso de adoção em Bagé, estão assegurados aos menores todos os direitos como dependentes das responsáveis. Para o juiz, a possibilidade da convivência dos meninos com homossexuais poder influir na opção sexual deles está descartada. Argumenta que, se isso fosse verdadeiro, não existiriam pessoas homossexuais em famílias constituídas por heterossexuais.
Marcos Danilo já havia concedido várias adoções para pessoas homossexuais, individualmente. Mas essa foi a primeira para duas conviventes do mesmo sexo. Ele acredita que sua decisão possa estimular novas adoções por parte de outros conviventes, em casos como esse.
A mãe das crianças está grávida pela terceira vez e já procurou as duas mulheres, disposta a doar o futuro bebê. Elas, porém, ainda estão avaliando a situação. Segundo o juiz, são pessoas de instrução superior, estáveis economicamente, e nada impede que se habilitem a uma nova adoção.
Jossicar Saraiva
mais sobre eu mesmo, agora
A hora é: 00h09min;
Dicotomias reais
tava lendo a matéria da Istoé online, em que uma das fontes é a Paola Maria Bourbon de Orleans e Bragança Sapieha, herdeira do trono brasileiro - caso a Monarquia fosse o regime vigente no País. e daí que quando começaram a descrever a moça de 22 anos, imaginei uma menina toda frágil, pequena, pudica, branquinha. "viro a página" e tem uma foto dela - toda mulherão, com coxão, peitão, cabelão, pele bronzeada, a gostosona do bairro.
eu que sou ingênuo demais ou a realeza no Brasil de fato é bem brasileira?
Ka-boom!
segundo a Folha de hoje, tem dinheiro público envolvido no esquema do mensalão do PT.
que feio.
Diálogos reclusos à minha imaginação
com as mãos no bolso, me aproximo da mesa do chefe:
Deixa ser
Eu não tenho tatuagens. Ainda farei uma, mas por enquanto, não sei o quê. Sei que gostaria de tatuar o Coringa, cujo sadismo e sagacidade sempre me fascinaram. Gostaria também de tatuar o David Bowie, na sua fase Ziggy Stardust, nos anos 70. Mas nada certo ainda. E é exatamente esse o porém das tatuagens: elas são certezas da vida. São perenes, uma promessa, um casamento até que a morte nos separe. Eu não sei se, do alto dos meus 23 anos, eu tenho tanta certeza com quem quero casar - se com o arqüinimigo do Batman ou com uma versão maquiada e glamurosa do Bowie. Gosto dos dois em pé de igualdade, o que me dificulta bastante quando penso em escolher entre o primeiro ou o segundo. Mas, na verdade, quem não tem dificuldades em tomar decisões que mudarão sua pele, ou sua vida, pra sempre?
"Deixar ser" implica em deixar a vida ser como ela é, aceitá-la com seus meandros obscuros, injustos e casuais. Nós nascemos correndo atrás de alguma coisa - emprego, carreira, amor, sexo, ordem ou progresso. Somos expelidos do útero materno já levando chicotadas, com um sinhozinho berrando "vai! corre! trabalha! não perde tempo!". Mas nem sempre, por maior que seja nosso esforço, conseguimos alcançar, de fato, tudo aquilo que almejamos. A vida é injusta e imprevisível e deixá-la ser é a decisão mais sábia e madura que podemos tomar.
Nos falta aprender a parar de querer, de correr, de lutar, de tentar e tentar e tentar, numa luta eterna do martírio individual contra o mundo sádico. Viver é desgastante, nascemos e começamos a nos aproximar do fim. E entre uma coisa e outra, somos forçados a constantemente tomar decisões, adquirir posturas, como se fosse o último dia de nossas vidas. Para que tanta pressa? Para que tanto querer? A teraputa da Priscila deveria completar o seu "deixa ser" com "um dia de cada vez". Há tempo para tudo na vida - inclusive para errar.
Eu não quero ter que tomar decisões agora. Prefiro deixar a vida ser, crescer e ir me moldando e ajustando os prafusos conforme eles forem precisando de ajuste. A vida não é crítica, embora somos ensinados a acreditar que sim. Urgente mesmo é aceitar que nem todos os nossos anseios serão, de fato, saciados. A gente passa tempo demais correndo atrás da felicidade que esquece de ser feliz. E se felicidade, para uma sociedade ocidental e capitalista, é um correr eterno, me desculpe, mas dispenso-a sem titubear.
Escolherei minha tatuagem quando tiver mais certezas - se é que as terei, algum dia. Por hora, eu poderia também tatuar "deixa ser" no meu punho. Reconheço que às vezes esqueço disso e que seria interessante ter um lembrete desse valor marcado para todo o sempre na minha pele. Acho que o único compromisso sério que eu faria com o meu futuro agora seria o de não esquecer que a vida tem tempo e que eu não preciso correr pra decidí-la agora. Há tempo para cozinhá-la, há tempo para tatuá-la. deixa os yuppies correrem atrás do que quer que seja que eles tanto querem. O único objetivo que eu tenho agora é encerrar esse parágrafo pra poder fumar um cigarro. Mas sem pressa - deixo o texto ser o que ele tem que ser. E amém.
depois de cinco meses na gaveta, orbitando entre o "deletar" e o "publicar", dou um ctrl+v nesse texto que, sim, tá legal.
Primeiro a Internet (e depois também)
Eu não acredito nas antologias de novos autores lançadas por editoras medianas. Tampouco em seus concursos literários que visam à publicação futura de uma compilação de novatos. Volta e meia recebo comunicado de editora convocando a galera pra mandar textos a serem reunidos numa só publicação. Eu passo reto, primeiro, porque muitas dessas iniciativas são cobradas - e não é pouco, diga-se de passagem. Segundo, porque tu coloca todo mundo no mesmo saco; os bons, os nem tanto e os dispensáveis. Antologia de novos autores sempre é um pouco injusta. Além do quê, ninguém compra.
Toda editora tem a mesma história: começa pequena, acanhada e cheia de ideais de lançar só a nata dos desconhecidos. Depois, ela descobre que tem que se manter. E que antes de seus princípios de fomentar a nova produção literária, precisa botar comida na mesa dos seus donos. Afinal, mercado literário também é mercado. E é somente para manter-se no mercado que essas antologias de novos autores das editoras medianas são criadas. Porque o que mais tem por aí é nêgo querendo se lançar e que aceita pagar para ter um espaço numa antologia, crente que vai ser a bola da vez.
Eu fico com a Internet, onde a divulgação ainda é de graça. Além disso, no meio virtual, tu consegue ter uma resposta muito mais rápida do público leitor. E todo autor novato precisa saber se é lido. E, principalmente, se alguém vê qualidade no que ele escreve.
E tem ainda a possibilidade de diálogo que esse meio permite. É mais fácil alcançar outros novos autores através da Internet. Assim se cresce, se aprende e se criam idéias novas. É um espaço democrático onde o acesso às novidades é muito fácil. Afinal, literatura publicada na Internet não tem tiragem, não tem custo de gráfica e nem de distribuição. Publicação no meio virtual não pode ser entendida só como divulgação, um estágio antes do último degrau - o papel. Publicar na Internet também pode ser o objetivo, o fim. E enquanto continuar de graça, nós, os novatos, temos mais é que aproveitar. A Internet tá aí, espaçosa, bonita e disponível, oferecendo tudo o que um novo autor precisa pra alcançar o que ele mais quer - um público leitor interessado e fiel.
De fantasmas a zumbis
a tv a cabo sempre tem uns programas bacanas pra marcar o Dia das Bruxas e ontem, dia 31, não foi diferente. primeiro, o especial "Fantasmas em flagrante", no GNT. um documentário com narrador de voz gutural e trilha umbralina, mostrando registros sonoros, fotográficos e filmados de aparições do além-túmulo. vocês, eu não sei, mas eu adoro essas coisas: a velinha morta que fica passeando no andar de cima à noite, a mocinha que morreu estrangulada e agora fica vagando num casarão abandonado, homens engravatados que não fazem nada além de zanzar pelos corredores da casa que costumava ser sua. na real, morrer deve ser um tédio. essa gente não faz nada além de caminhar por aí. por isso que existe poltergeist, eu acho. são fantasmas que, de saco tão cheio, resolvem pregar umas peças em que ainda tá vivo. e todo mundo sabe que assustar gente viva é muito fácil. eu, por exemplo. levo susto todo dia 10, quando depositam minha grana e descubro que metade dela serviu pra cobrir o buraco deixado pelo mês anterior. nessas horas eu até penso que ser fantasma tem suas vantagens. basta um lençol branco e uma corrente comprida que tá feita a festa.
ainda ontem, comecei a reler "Horror em Amityville" e fui dormir todo encagaçado. além disso, vi o que eu acho que é o melhor filme que eu já vi esse ano. se chama "Todo mundo quase morto" e me deu dores no maxilar de tanto rir. é uma comédia inglesa, de 2004, sobre todo mundo virando zumbi e atacando os vivos. um grupo de idiotas londrinos, liderados pelo idiota-mor gerente de uma loja de eletrodomésticos, julga sensato entrar no carro e dirigir até o pub, onde eles supostamente estariam mais seguros. quando começar o fim do mundo, eu já sei pra onde ir: pra Inglaterra. a ironia e o sarcasmo ingleses são a verdadeira proteção contra os quatro cavaleiros do Apocalypse. assistam, vale a pena.
não sei porquê se comemora Dia das Bruxas. tampouco sei porquê dessa obsessão ocidental pelo oculto, pelo além, pelo não-físico. sei, sim, que o desconhecido é excitante, apesar de todas essas histórias de fantasmas, aparições, e até de zumbis londrinos, já serem facilmente digeridas pelo público de 2005. sei também que enquanto elas continuarem a ser produzidas, persistirei tentando desafiar-me e tentando provar que, pfff, não é tudo isso, não. quer dizer, pelo menos até sugir uma nova forma de histórias de horror. Hollywood é bem inventiva, mesmo - não duvido dela quando se propõe a assustar.
arquivado, é. |
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