Furtando conversas

Navegando pela blogosfera, achei este blogue coletivo aqui. Se chama Conversas furtadas e se dedica à postagem de trechos de diálogos absurdos ouvidos em locais públicos, como o do exemplo abaixo:

MULHERES NO ÔNIBUS, COM CURVA AO FINAL
— Aí, ela acha que tá grávida, aí eu perguntei pra ela se tinha sentido alguma alteração no corpo e ela disse "meus peito tão inchado e faz dois meses que eu não menstrôo".
— Eu nem me animo mais com as gravidez de vocês. Vocês dizem que tão grávidas e depois chegam e dizem "ah, eu não tava grávida". Vão tudo tomar na bunda vocês!
— Mas eu tava grávida! Aquela vez lembra? Pode perguntar pra mãe! Mas aí eu tomei aquele chá... Aquele chá de arruda sabe? Pergunta pra mãe que ela vai te dizer que tive grávida sim!
—...
— Com uma curva dessas, a gente sai rolando.
— Pois é!
— Com esses nossos corpo esbéltico...

Vale a visita.
sexta - 23 de fevereiro, 20h35


The Simpsons Movie

Um elenco de milhares em um filme que demorou 18 anos para ser feito. A espera termina em julho. Confira abaixo o trailer definitivo - em inglês, porém.


quarta - 21 de fevereiro, 12h07


Óinc, óinc!

O ano novo chinês começa amanhã e o animal que vai ditar as regras até fevereiro de 2008 é este aqui ao lado: o porco.

Segundo a tradição oriental, os nascidos sob a égide suína são pessoas amáveis, glutonas e habilidosas nas relações pessoais. O que contraria o significado da expressão "espírito de porco" - alguém dado ao cinismo e às maldades voluntárias.

Rejeitado pela culinária judaica, o porco é, juntamente com a lentilha, uma iguaria muito comum nos pratos brasileiros na virada do ano. Curiosamente, a carne suína é uma das de mais difícil digestão pelo organismo humano.

Certa vez, alguém me disse que a sabedoria popular é muito burra ao determinar que uma pessoa de hábitos higiênicos duvidosos é "porca", porque os porcos rolam na lama justamente para se limpar. O exato oposto das galinhas, que além de não gostarem de água ou lama, não fazem nada pela sua higiene. São, isto sim, umas porcas. Digo, galinhas.

Ontem eu fui ao super e vi um coração de porco no balcão das carnes. Achei bonito e me lembrei que no século XVIII e XIX era prática médica comum as tranfusões sangüíneas em humanos com sangue de porco. Hoje já sabemos que isso é uma grande imbecilidade, mas na época era coisa séria; ciência. E parece que faziam o mesmo com sangue de cabra. Mas isso deve ser mais uma daquelas coisas obscuras dos anais da medicina ocidental, porque, naturalmente, nenhum paciente transfusado - ou seria transfudido? - sobreviveu pra contar a história.

Voltando às vacas magras, dizem que o ano regido pelo porco será de prosperidade e fartura. Ou seja, porcos são um bom sinal. Jogue fora seus pés de coelho e ferraduras e adquira um porco de estimação. Basta isso pra chover dinheiro na sua horta.
sábado - 17 de fevereiro, 21h46


Querido diário,

Não adianta. Por mais que eu tente, eu não consigo ver novela. Não consigo engolir, não dá. Não apetece. É tudo tão plástico e montado, dos sorrisos aos diálogos, das panorâmicas cariocas besuntadas em Photoshop e absurdamente idílicas aos dramas individuais das personagens. Não dá. Desculpe.

***

Hoje eu passei o dia estudando. E foi divertido. Acho que os anos de CDF estão de volta. Graças.

***

Em compensação, ontem eu assisti o programa do Tom Cavalcante e rolei de rir. Foi genial.

***

Acho que eu ando num momento TV aberta da vida.

***

Hoje eu fiz um arroz que ficou daqui, ó.

Na verdade ficou meia-boca, mas deixa eu me enganar, vai.

***

Amanhã vou ver aquele que me estimula a estudar e a pensar e que eu não vejo desde domingo e tô doido de saudades.

Namorado bom é aquele que só soma: te faz mais esperto, mais sabido, mais curioso, mais centrado, mais calmo.

***

Chega. Isso aqui tá até parecendo um... blogue.
quarta - 14 de fevereiro, 21h17


Século passado

Uma nação de idiotas tá na capa do Pessoas do Século Passado.
terça - 13 de fevereiro, 14h05


Elas e o Rock - II

O post do mermão sobre mulheres que cantam Rock me fez pensar em duas bandas bacanas lideradas por mulheres. Uma é a Republica, que só teve duas músicas de sucesso nos anos 90 e parece que não existe mais.



But when I look at you, you´re forgiven
A Saffron é nigeriana com ascendência portuguesa, chinesa e inglesa - que eu me lembre.

Abaixo, o vídeo de Drop Dead Gorgeous - que tá na minha lista de melhores músicas daquela década.

Naturalmente, tem o Garbage, que também surgiu nos anos 90 e bebeu da mesma fonte que o Republica, mas continua tão ativo quanto sempre esteve.



But you´re not gonna crack, no, you´re never gonna crack
Shirley Manson é escocesa, ruiva natural, esposa e mãe dedicada

Um dos últimos clipes deles é Run Baby Run, do álbum Bleed Like Me, de 2005.

Na boa, o que eu acho bacana em mulheres à frente de bandas de Rock é justamente o estranhamento que causa a acidez do estilo explorado pela feminilidade de uma frontwoman. Não tem nada mais sexy que isso e, até onde eu sei, o Rock é um estilo extremamente sensual. Portanto, nada mais natural que mulheres no comando do tríptico baixo-guitarra-bateria.
terça - 13 de fevereiro, 11h17


Elas e o Rock

"(...) Aliás, aqui vai um comentário pra gerar polêmica: mulheres tem que curtir Rock, e não cantar Rock. O Rock é sujo, é pesado, é feio. A mulher é bonita, é leve e é limpa. Não combina."

Mermão, em Sympton of the Universe.

Eu me adiantei e já disse que conheço várias mulheres sujas pesadas e feias. Curiosamente, de Rock elas não gostam.
terça - 13 de fevereiro, 10h31


Eu tenho preguiça!

A vida moderna pode ser muito cansativa. Tem algumas coisinhas que, pelo menos a mim, dão muita preguiça vezenquando. Saca só algumas delas:

- Fazer cadastro em site;
- Tele-entrega que não entrega no meu bairro;
- Delivery Status Notification (Failure);
- Menu numérico de atendimento telefônico;
- As Pussycat Dolls (na verdade eu não as entendo. São seis mulheres, todas cantam no mesmo tom e dançam do mesmo jeito. Pra quê seis, pombas? Uma só dava conta do recado tranqüila!);
- Controle remoto com pilha ruim.

Quem tiver outras sugestões, favor listar nos comentários.
segunda - 12 de fevereiro, 22h25


Uma nação de idiotas

O motivo é novo, mas as discussões ao seu redor são as mesmas. A morte do menino carioca de seis anos, que ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por sete quilômetros e três bairros pelos assaltantes que tentaram levar o carro, trouxe à pauta novamente as mesmas idéias: redução da maioridade penal, instauração da pena de morte, prisão perpétua, legislação penal estadual e não mais federal. Quando a imprensa adota um problema, todo mundo se sensibiliza. Do contrário, cai tudo no esquecimento. É a lógica brasileira de resolução das tragédias já cotidianas.

As reações populares também não são diferentes daquelas de sempre: tentativa de linchamento, repúdio público aos criminosos e por aí vai. É o eterno teatro da tragédia brasleira, em que os atores são a sociedade, o judiciário, o poder público e os criminosos. Ora, os nossos criminosos não são importados. Não brotaram do chão. Não são uma praga que o vento trouxe. São brasileiros como nós, criados por nós, alimentados por nós e armados por nós.

O povo brasileiro é o único responsável pela sua falência. Nem a globalização, alvo preferido da esquerda ultrapassada, consegue falir uma sociedade com tanta eficácia. Nós somos o nosso próprio vilão, com nosso jeitinho de burlar as leis que nós mesmos criamos, com a nossa plantação de políticos geneticamente criados para nos trair e, assim, aumentar o nosso sentimento de injustiça e infortúnio diante do mundo. Somos todos vítimas e algozes de nós mesmos. Invejamos uma elite que se alimenta de cocaína, cujo comércio alimenta o mercado negro de armas, que, por sua vez, abastece as favelas e arma os menores que tentam assaltar carros na sinaleira e levam literalmente uma criança de arrasto. Esta mesma elite que se isola nos condomínios horizontais dos bairros nobres, porque prefere pagar segurança exclusivo a conhecer o que acontece do outro lado do portão. Nós somos os autores do nosso Apocalipse diário e fingimos não sabê-lo, porque é mais fácil responsabilizar os políticos, a legislação, a globalização, o mercado, as injustiças sociais. Não nascemos para sermos donos de nossos próprios narizes, mas para apontar responsáveis pela nossa incompetência estamos sempre prontos. Nós criamos os homens que criaram o Mensalão. Nós elegemos Maluf. Diferentemente do que ocorre em muitos países, os nossos terroristas não são importados; nascem e crescem debaixo dos nossos narizes. E nosso conservadorismo de povo anestesiado é tão arraigado, silencioso e perigoso que nos julgamos altamente politizados quando agitamos bandeiras anti-isso ou anti-aquilo. Se queremos mesmo nos curar, deveríamos estar combatendo a nossa malemolência cultural que nos impede de pensar como um povo só e nos cega com o mito de que somos pacíficos, cortêses e alegres. Somos todos criminosos. E o que nos condena a tal condição é o simples ato de alimentarmos a visão distorcida que temos de nós mesmos. O Brasil é bonito, mas também é muito feio. O Brasil é verde, mas também é muito cinza. O Brasil é alegre, mas também é muito, muito triste. Nós só fingimos que não sabemos disso porque se não acreditarmos na nossa beleza, no nosso verde e na nossa alegria, temos a impressão que não restará mais nada que nos faça acreditar em nós mesmos.

Ontem fui ver a exposição de Pierre Verger no Margs. Conhecido fotógrafo dos anos 30, 40 e 50, Verger nasceu na França mas depois de visitar a Bahia resolveu fincar os pés por lá. Viajou pelo País registrando desde as artes circenses no interior de São Paulo até os mais secretos rituais do candomblé baiano. Verger levou o Brasil para o Brasil conhecer, porque, criminosos que somos, precisamos que um gringo venha nos mostrar para nós mesmos.

As fotos são tocantes, sensíveis, assustadoras e belas, e nos fazem perceber que há uma unidade maluca entre todas as peças que formam este país. O trabalho de Verger prova que somos complicados demais para sermos compreendidos - inclusive por nós mesmos. Talvez daí tenha vindo este sentimento de desalojamento que sentimos e que nos faz sempre ir em busca do nosso lugar, seja nos condomínios de luxo das capitais ou nos grupos criminosos que se formam na informalidade das vielas e se profissionalizam às nossas barbas.

Talvez sejamos todos um bando de idiotas com um país nas mãos. Idiotas que gostam de brincar de viver e que sonham e imaginam um Brasil mais justo para todos. Idiotas demais para perceber que a arma que estamos apontado para nossa própria cabeça está engatilhada de verdade.

No Brasil é Carnaval o ano inteiro. E no Carnaval, as pessoas usam fantasias e máscaras e finjem que não são elas mesmas. Talvez seja exatamente esse o problema do Brasil: aqui é Carnaval o ano inteiro.

Imagem: arte sobre ilustração de veer.com.
sábado - 10 de fevereiro, 12h11


Do pára-choque do meu caminhão

Homem de alma feminina é eufemismo pra viado.
quinta - 8 de fevereiro, 19h53


Os ventos que me carregam

Uma hora e meia. Acho que eu nunca terminei um livro tão rápido. Eu, que sou muito disperso e demoro pra ler. Isso me lembra a época em que eu era CDF e conseguia me concentrar com mais facilidade. Mas daí, um belo dia, eu decidi fazer sexo e perdi pra sempre a concentração nos estudos. Fodeu. E foi bem gostoso.

Uma vez eu li em um site meia-boca que eu sou muito disperso porque o elemento da natureza que representa o meu signo zodiacal é o ar. Ou seja, vai com o vento. Sou uma pessoa eólica, que tira sua energia criativa da abstração à realidade e do subjetivo. E faz mais sentido ainda quando eu penso nas muitas idéias que eu freqüentemente tenho, mas não consigo executá-las - porque executar as coisas é ser pé no chão; é terra, e não ar. Mas isso eu ainda posso aprender, porque não há nada que não se aprenda nesta vida, não é o que dizem?

E aprender é uma coisa que eu adoro. Eu sou muito curioso e reconheço que tenho certa facilidade em absorver o novo. Acho que é isso que dá graça à vida. E na boa, quem não aprende, tá morto. Não sente, não pensa, não vê, não cresce, não muda. E nem falo dos estudos formais, acadêmicos, da sala de aula, daquela coisa chata e austera. Falo de querer aprender algo novo. E querer aprender é querer crescer. É uma forma de rebeldia. É um protesto. Querer aprender significa não resignar-se, opôr-se a alguma coisa. Isso é política. É como disse Aristóteles, ou Platão (eu sempre confundo um com o outro; eu disse que sou disperso, não disse?), o ser humano é um ser político. E eu ouso completar dizendo que é só através do estudo que se exercita esse caráter político da vida.

Ando lendo algumas coisas bem diferentes. Teorias, críticas, análises. Ando estudando, na real. Da praia, pelo telefone, minha mãe disse que eu tenho que dar um tempo pra cabeça. "Vem pra Capão, guri", ela insiste. Mas eu não quero. Não gosto de dar tempo pra cabeça. Já dou toda noite, dormindo oito (às vezes um pouco mais, confesso) horas por dia. Não gosto de ficar com a cabeça parada. Eu enlouqueço. Eu preciso sempre de algum território novo pra ser desbravado. Mais ou menos como Cristóvão Colombo, que se deixou levar pelo vento e deu de cara com uma terra nova. O mundo seria um lugar bem diferente se ao invés de tentar circunavegar o mundo, ele tivesse dito "ah, deixa pro verão que vem! Eu vou é pra Capão!".

Moral da história: cada um tem a sua fonte de energia. A minha são as idéias que ventam e que passam e que, às vezes, ficam e desagüam. É difícil lidar com isso, reconheço. Mas até agora, ler, estudar e aprender têm sido as melhores soluções. Isso, claro, quando a minha dispersão me permite. Mas talvez ela não seja assim tão ruim. Talvez ela seja uma espécie de neutralizador sem o qual eu viveria em constante pane e sobrecarga. Aquele dito popular tem razão, a natureza é realmente muito sábia. Pelo menos a natureza dos ventos que me carregam é, sem dúvida, muito sábia.
quarta - 7 de fevereiro, 22h41


Trecho da entrevista televisionada de um novo "artista" brasileiro gerado pela publicidade em torno de um evento íntimo indecoroso

Pergunta - Você gravou um CD, fez uma ponta na novela e agora vai estrear um programa de TV. Como você se define profissionalmente?
Resposta - (Suspiro longo) Como um sobrevivente.

P - Você não teme ser julgado pelas pessoas por ter conseguido essa fama meramente através daquele vídeo divulgado na Internet?
R - Sim. (Pausa) Digo, não. (Pausa) Pode repetir a pergunta, por favor?

P - (Se mexe na cadeira e revira os olhos) Você conseguiu esses trabalhos todos e essa fama toda depois que aquele vídeo seu caiu na Internet, correto?
R - É.

P - Então. Você não teme ser julgado como mais um aproveitador do acaso gerado pelo estardalhaço em torno de um episódio íntimo?
R - Ah, com certeza. Mas eu batalhei pra chegar aqui, né. Deus me ajudou muito nesse caminho. Eu sei que eu mereço. Tenho muita fé.

P - Fé no que?
R - Em Deus. Eu acho que sem Deus, a vida não... né, não vai, né...

P - ...
R - ...
segunda - 5 de fevereiro, 11h53


Como reconhecer se um homem heterossexual tem pinto pequeno

- Ele fala alto ao celular, pra ter certeza que todos ao redor estão ouvindo sua falsa desenvoltura jovial, malandra e bem-resolvida;

- Ele fala muito de mulher, de quando comeu a fulana, a beltrana, a cicrana e todas as outras, pra disfarçar pra si mesmo a verdade de que ele não come ninguém;

- Demonstração de velocidade automobilística lhe é necessária toda vez que pega a auto-estrada;

- Tem gestos largos e espaçosos, pra compensar o tamanho mínimo de certo membro;

- É um cliente pé no saco, reclamão, exigente e pretensioso, sente prazer em sê-lo e faz o atendente se sentir um idiota.

Se alguém souber de mais algum, por favor, inclua nos comentários.
domingo - 4 de fevereiro, 20h08


Vai com o vento - II



Posar pra foto com sol a pino não dá certo.




Só porque eu curto foto com assunto deslocado.

O dono da propriedade disponibiliza uma carroça puxada por um burro pra quem quiser ver as torres de perto. Ele cobra dois pila por cabeça, mas só libera o veículo com lotação esgotada - ou seja, cinco pessoas.

Se o terreno fosse meu, eu trocaria a tração animal por mecânica - ainda que um trator - e colocaria uma banca de souvenirs na entrada, onde as pessoas poderiam comprar aqueles gorros com uma hélice no topo e adesivos com os dizeres "eu apóio a energia eólica". Faturava certo.
domingo - 4 de fevereiro, 19h36


Vai com o vento

Ontem, pé na estrada. Fomos ver a usina de energia eólica em Osório. É bonita, grande - maior do que eu pensava - e meio Gattaca. Fotos em breve.

***

Esqueci de mencionar que vi Babel recentemente.

É tão bom e forte que acho que preciso ver de novo pra ter uma opinião.

Ou talvez ele seja tão bom e forte que rejeite qualquer opinião, porque quando uma obra atinje tal nível de consistência, as opiniões particulares são desnecessárias. Bumerangue recomenda.

***

O relatório da ONU sobre o aquecimento global me fez perceber que nós estamos invariavelmente fodidos. Digam adeus ao mundo, pessoas, porque daqui pra frente o caminho é um só - e ele não é nada bonito.

E na onda dos relatórios apocalípticos, o Pentágono apresentou um documento no qual levanta três prováveis futuros para o Iraque. São eles:

1) Conflito generalizado entres três facções (curdos, xiitas e sunitas) por anos;
2) Surgimento de um ditador xiita;
3) Anarquia, com o país imerso no caos.

Suficientemente feliz por não ser iraquiano e por morar em uma região em que se investe em energia eólica, que, ao contrário da queima do carvão, não contribui para a instauração progressiva do Inferno na Terra.

Fonte: Zero Hora
domingo - 4 de fevereiro, 11h15


Trecho da entrevista televisionada de um conhecidíssimo artista brasileiro

Pergunta - E o que te move?
Resposta - O que me move? (pausa) Acho que é o legado que eu quero deixar. Não sei. Nunca pensei muito sobre isso. O que me move é o medo de morrer e ser esquecido, eu acho. Ou não, também.

P - Ser esquecido por quem?
R - Ah, pelas pessoas. Por todo mundo, eu acho. Pela história.

P - (longa pausa) Você disse numa outra entrevista que sente muita vergonha pelos outros. Como é isso? Quando essa vergonha aparece?
R - Aparece quando eu me coloco no lugar de alguém que tá fazendo, seja na TV ou na minha frente, algo que eu não teria coragem de fazer. Não chega a ser inveja. Não, não é inveja, não é uma questão de covardia ou bravura.

P - Mas de que tipo de coisa você está falando?
R - Qualquer coisa que beire o ridículo, eu acho. Tipo, outro dia eu vi aquele ator cantando aqui no seu programa. Você pediu pra ele cantar e ele, né, cantou. Eu pensei "putz, ele é ator, gente" e fiquei com vergonha. Não só porque ele cantou mal, mas porque ele fez isso só pra atender o seu pedido e pra sair de bacana também. O (faz gesto de aspas no ar) "ator que sabe cantar", entende?

P - E o que você faz quando sente vergonha pelos outros?
R - Eu mudo de canal.

P - E quando é na sua frente?
R - Também.

P - Posso fazer um bate-bola com você?
R - Claro!

P - Amor?
R - Tudo!

P - Vida?
R - Tudo! Não, já disse. Ahn..

P - Trabalho?
R - Oi?

P - Sucesso?
R - Peraí que eu tô lá na vida ainda!

P - E desejo muito sucesso nos seus projetos futuros!
R - Oi?
quarta - 31 de janeiro, 12h41



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