Lugares em Porto Alegre pelos quais eu nunca passei

- Praça Japão. Nem sei onde fica;
- Sobre a Ponte dos Açorianos. Já passei ao lado, ao redor e por perto. Por sobre, nunca;
- Parque Germânia. O único parque cercado da capital. Também não sei onde fica;
- Parque Marinha. O vejo da janela do ônibus todos os dias. E só;
- Átrio do Santander Cultural. Que vergonha, mas até hoje só o vi pela tv ou em fotos no jornal;
- Country Club. Na verdade nem sei se qualquer um pode entrar quando bem quiser.

Que eu me lembre, são só estes.
sábado - 28 de abril, 12h30


Viva o sol!

Porque só o Junior sabe como fica o meu humor em dias chuvosos.

Fica que nem o post abaixo: sem-graça, cinzento e atravessado. Pronto. Agora vocês também sabem.
sexta - 27 de abril, 11h21


Raindrops keep falling on my head

Daqui a trinta anos, quando me perguntarem como eu era aos vinte-e-poucos, acho que vou responder "preocupado demais. Com rompantes de juventude, tá certo, mas na maior parte do tempo preocupado demais". Eu espero que o tempo me ensine a ser mais jovem e que eu perca alguns medos no meio do caminho. Dentre eles, o medo de fracassar.

Uma das coisas que eu espero não perder é a vaidade. A criatividade e a visão também - esta mesma, míope e imperfeita, me é muito útil.

Também espero que eu nunca pare. Para isso, é vital não perder tempo e caminhar sempre. Mas se o que nos move é o medo de fracassar, de que adianta o fazer se não se sabe senti-lo como um prazer? Eu gostaria muito que o tempo me ensinasse a perder o medo de fracassar. Assim, quem sabe, eu me torne menos preocupado.
quinta - 26 de abril, 08h24


De surpresa

Agora, vergonha mesmo é zapear na TV com a mãe ao lado e pegar por acaso uma cena bem sem-vergonha. Nenhuma dica de etiqueta previne desse embaraço.
quarta - 25 de abril, 10h23


Bárbaros à solta

O futebol é o fim da civilização.
quarta - 25 de abril, 10h17


O melhor segundo eu

O melhor lugar do mundo é a minha cama. A melhor bebida é Nescau com leite gelado servido na minha caneca vermelha. O melhor disco do ano é Life in Cartoon Motion, do Mika. A melhor noite é qualquer uma cheia de amor e sexo.

O melhor almoço é aquele que estufa a barriga. O melhor passeio é feito a pé. A melhor temperatura é frio com sol. A melhor segunda-feira é a que nunca chega.

O melhor sono é ininterrupto. A melhor cantada é passada com o olhar. O melhor trabalho é aquele que não dá trabalho. O melhor download vem rápido. O melhor ônibus também.

O melhor ponto é o final. E o melhor final é o que faz >clique<. Mas isso eu já disse aqui.
sábado - 21 de abril, 21h37


Estréia

Trecho da minha primeira coluna na Revista Mirabolante:

"A cocaína tem, no Brasil, um papel social consistente. É companhia em festas concorridas, reuniões entre amigos, eventos de moda, saraus literários, encontros informais ou formais. Negócios são acertados e trabalhos são conquistados em torno de bandejas de cocaína. Cheirar é um meio para conquistar pessoas, cargos, mercados ou clientes. Muito diferente do tratamento midiático que o hábito recebe."

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.
sábado - 21 de abril, 12h11


Millorésima

"Dor-de-corno é quando você pensa que ela e ele, os traidores, estão mergulhados num oceano de orgasmo, de plena satisfação. Na realidade, em geral, eles estão apenas discutindo como matar você."

Este blogue sempre encontra mais um espaço para o Millôr.
sexta - 20 de abril, 11h


Os segredos que um corpo contém

Minha bisavó faleceu ontem à tarde enquanto eu reconstruía uma obturação no dentista. Quando eu soube da notícia, percebi que a morte é tão prosaica quanto íntima. Prosaica porque não tem epifania nenhuma, não tem magia nem mistério. Simplesmente é, acontece como um deslize. E íntima porque cada um tem a sua, e apesar de ser a única certeza de nossas vidas, ainda habita o obscuro campo do desconhecido - aquele onde é melhor não mexer.

A vó Olga morreu aos 94 anos. Uma guria, quando comparada com a mulher mais velha do mundo, a brasileira Maria Olívia, de 127 anos - nascida portanto em 1880. Já eu, aos 24, nasci ontem. Acabei de chegar. Sou novato, virgem, calouro, wannabe. Não sei de nada, tenho muito que aprender.

Sempre que eu me pego pensando nas certezas e nas dúvidas da vida, entro no Post Secret para ler as intimidades dos outros e perceber que não só a morte mas os pecados íntimos também são a única coisa que faz de todos nós humanos. Quantos segredos cabeludos guarda uma nonagenária alemã? No caso da minha avó, essa resposta ninguém nunca mais vai saber. Aquele papo que algumas pessoas têm segredos que elas levam para o caixão é mais comum do que pensamos, porque, na verdade, todos fazemos isso. Somos todos um confessionário à espera do próximo pecado. Sem exceção à regra.

Com tanto obscurantismo na vida a morte não poderia ser diferente. Tudo, afinal, parece muito justo e tudo está certo, no seu tempo e ao seu modo. Quando percebemos que a vida termina de uma forma tão banal, questioná-la torna-se inútil. A morte é o desemprego do filósofo. Tá aí: um segredo a menos para pesar no caixão.
quarta - 18 de abril, 12h40


Link novo aí ao lado. É o Dois dedos de prosa agridoce, da Aline Marques. Ela gosta de furar - e fura super bem. No sentido jornalístico, gente.
terça - 17 de abril, 10h12


Economia doméstica

Em tempos de previsões climáticas catastróficas, faz-se sensato pensar nas economias a serem feitas a fim de poupar-nos dos horrores do futuro, porque deixar as coisas piorarem para então tentar resolvê-las é burrice. Portanto, siga-me:

É necessário poupar água. E comida também. Assim como paciência, inteligência e os ouvidos dos outros. Temos que economizar o verbo, o substantivo e o adjetivo, porque o seu uso inconseqüente pode afetar nossas reservas no futuro. Poupemos as perguntas, porque assim pouparemos também as respostas. Poupando a literatura, pouparemos as árvores e as tintas da impressão. Economizemos o tempo online para economizarmos os acessos aos sites eróticos e jornalísticos - estes às vezes tão pornográficos quanto aqueles. O que me lembra de poupar o sexo, para pouparmos os preservativos, os lubrificantes, os brinquedos sexuais, as taras, as fantasias e a imaginação. Poupemos orgasmos, para pouparmos as molas do colchão. Poupemos as horas de sono, para também pouparmos as molas do colchão. Economia igualmente importante é a da política. Poupemos as promessas, as juras e os compromissos. Assim, economizaremos em desilusão, desgosto, desespero e outras palavras que comecem com o radical "des". Poupemos as ligações telefônicas, os e-mails, os torpedos, os recados, os lembretes, os anúncios, os discursos e os avisos. Economia no diálogo, no monólogo e no solilóquio. Economia de pensamento e de ação. Economia de reflexão. Poupemos Deus de nossa insatisfação eterna. Poupemos o terapeuta de nossa insatisfação eterna. Economizemos nos rituais, na pompa e na circunstância. Poupemos a tradição, a família e a propriedade. Poupemos a liberdade, a igualdade e a fraternidade. E a futilidade também. Poupemos as uvas, para pouparmos o vinho. Aliás, poupemos as bebidas elaboradas e os drinks com nomes metidos a bacana. Poupemos os refrigerantes e os refrescos. O ser humano só precisa de água. O que me lembra que é necessário poupar água.

Viu? Não é tão difícil poupar a humanidade.
Segunda - 16 de abril, 21h


Texto é mecânica

Se no final fizer >clique< é porque funciona.
segunda - 16 de abril, 16h


Trecho da entrevista televisionada de um conhecido cantor pop brasileiro que enfrenta uma crise de egolatria aguda

Pergunta - Este seu segundo CD é muito diferente do anterior. Por que essa guinada? Por que mudar quando está dando certo?
Resposta - (Longa pausa) Eu acho que é natural do artista buscar novas fronteiras. Com certeza. A História prova isso. Temos aí a Ivete Sangalo, grande Ivetinha. Temos aí o Sandy Júnior, que está sempre se reinventado, né. Acho que é isso aí mesmo, tem que arriscar, tem que se reinventar.

P - Que artistas te influenciaram neste novo trabalho?
R - Com certeza. Ah, muitos. Muitos.

P - (Pausa) Quais?
R - Temos aí vários, né. Desde... (Pausa. Os olhos varrem o chão) tem muita influência do... Eu ouvi muita coisa antiga para me inspirar, assim.

P - Quem?
R - Ah, artistas mais velhos... (Pausa) Eu acho que hoje em dia a música anda muito repetitiva. Todo mundo faz a mesma coisa. E com este novo trabalho eu quis fugir um pouco disso. Sem esquecer dos meus fãs, né (Sorri para a câmera, simula cumplicidade com o telespectador).

P - Posso fazer um bate-bola com você?
R - Com certeza!

P - Amor?
R - É uma coisa maravilhosa. Eu acho que é o que falta no mundo. As pessoas, eu vejo na tv, você sabe que eu não consigo ver telejornal? É tanta desgraça, tanta notícia ruim, me dá uma dor. Eu vejo os políticos que roubam, assaltante que mata, as pessoas morrendo na fila do hospital e ninguém faz nada...

P - É pra responder só uma palavra. É um bate-bola.
R - Ah, sim. Com certeza. Vamos lá, então.

P - (Suspira. Consulta suas fichas visivelmente enfadado) Trabalho?
R - Eu acho que sem trabalho não dá. Eu vejo o povo, o trabalhador só sofre. É o filho que não sei o que, a mulher que tá doente, o chefe que, né. Com certeza. Eu vejo na tv as pessoas...

P - De novo, é pra responder só uma palavra.
R - Ah, com certeza.

P - (Não esconde sua impaciência. Olha para a câmera) Vamos fazer um intervalo e já voltamos.
sexta - 13 de abril, 11h48


Millorescas

Ainda leio o Livro vermelho dos pensamentos de Millôr. É oficialmente meu livro de cabeceira. Eu, que nunca tive um, agora tenho.

Os trechos abaixo foram extraídos do capítulo Artifícios da arte.

Com uma mídia controlada pelo comércio, a promoção de pessoas incompetentes - sobretudo nas atividades subjetivas - a expoentes de sua atividade, atingiu uma proporção assustadora. Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, examinando melhor, nem são contemporâneos.
Decadência das artes plásticas. 1961.

A poluição semântica trouxe seu apoio malígno a todas as atividades não objetivas, facilitando a exploração dos incautos com uma enxurrada de palavras pomposas e esotéricas. Por isso os pintores, ao invés de pintarem para serem entendidos pelo que pintavam, passaram a pertencer a escolas com denominações esdrúxulas e intimidadoras, saindo do abstracionismo daltônico para a pura ininteligibilidade cromática. Isso significa que quando o leigo (e comprador) pede explicações podem responder que a coloração neo-realista e a configuração pragmática perderam terreno definitivamente para as revolucionárias concepções ótico-acústicas, embora estas tenham voltado a se basear num realismo sincrético. Na prática isso serve para elevar artificalmente o preço de alguns artistas. E aumentou o risco, já enorme, de um desprevinido colocar seus quadros de cabeça para baixo.
Por uma arte de massas. 1955.

É tão visível a decadência das artes plásticas que, nas exposições, as poucas pessoas que olham os quadros com atenção estão apenas querendo que todo mundo veja que elas estão olhando os quadros com atenção.
Diálogo com o colecionador Gilberto Chateaubriand. 1967.
quarta - 11 de abril, 22h45


Parece nome de personagem mas não é

José Ramos Horta
PM do Timor Leste e candidato a primeiro presidente do pequeno país asiático.

Mas poderia muito bem ser um simpático agricultor lusitano cuja sobrinha, Maria Horta Liça, está gamadona num bofe do vilarejo próximo.

Mas a vida real é bem mais sem graça que isso.
terça - 10 de abril, 11h13


Jornalismo onírico

Eu sonhei que fui entrevistar o Jon Secada horas após sua saída da prisão. Ele estava barbudo e tinha olhos de louco. Encontrei-o em seu trailer, onde conversamos rapidamente sobre sua falida carreira musical e quais seus planos para retomar a vida depois de cumprir pena por assassinato. Correu tudo tranqüilo e ele foi super educado, até o momento em que rolou uma brincadeira entre nós dois e uma agente carcerária envolvendo uma corda e um lençol - coisa que eu não conto neste blogue.

Em seguida sonhei que fui entrevistar o Maradona, mas ele estava um bocado louco e não conseguia prestar atenção nas minhas perguntas. Além do que, o julguei gordo e feio demais para aparecer na TV. Decidi por ilustrar o off só com imagens de arquivo.

Depois disso tudo, ainda sonhei com minha mamografia - digo, monografia. Esse foi o pior de todos.
segunda - 9 de abril, 10h46


Picumã News

Esqueci de mencionar que o cabelão foi-se. Agora não me pareço mais com o George Harrison em 1985. Agradeçam ao Júnior.
domingo - 8 deabril, 22h05


Blargh!

Como tem gente chata nesse mundo. Os comentários que o povo deixa nas notícias do Último Segundo seguem sempre a linha da revolta-com-as-injustiças-sociais-e-com-os-políticos-corruptos.

Não agüento gente engajada e sem senso de humor.
domingo - 8 de abril, 11h38


Verdades que vêm de fora

Uma coisa sobre a qual não se ouve mais falar são os discos voadores. Há alguns anos, volta e meia aparecia um zé mané do interior dizendo ter visto "luzes estranhas" no céu à noite. Naturalmente ele não havia registrado o fato em vídeo ou fotografia, amparando seu relato unicamente em um depoimento falado. Depois foram os habitantes das cidades que começaram a levar às emissoras de TV fitas VHS com imagens de péssima qualidade de luzes sobrevoando prédios, casas, antenas e viadutos, como se os ETs tivessem cansado das temporadas de férias nas pradarias e resolveram trocar pelo asfalto das metrópoles. E agora ninguém mais fala nisso. Não aparecem mais vídeos ou fotos de luzes que vagam pelo céu, nem solteironas gordas jurando de pés juntos que um ET cinzento, baixinho e cabeçudo as comeu durante a noite. O que será que aconteceu? Será que os ETs cansaram de nós? Ou fomos nós que já nos habituamos à sua presença? Ou, ainda, será que todos caímos na real que ET não existe e nos conformamos à idéia de nossa indubitável solidão terrena?

Ultimamente, o que tem rendido muita polêmica tanto quanto os discos voadores das décadas passadas são as revelações envolvendo Jesus Cristo, a Bíblia e os fundamentos da cultura ocidental judaico-cristã. Refiro-me ao Código da Vinci e genéricos, que propõem uma revisão da história da nossa civilização, com seus anúncios espetaculares e discussões aparentemente profundas. Trocamos a história de seres que viajam pelo espaço por aquela que revê o nosso passado. Porque, de fato, o passado é tão obscuro quanto o vácuo do espaço. Não temos certeza quanto à constituição de ambos. Conhecemos suas sombras mas não seu cerne. É o cenário perfeito para o surgimento destas paranóias modernas.

De acordo com os ufologistas, os extraterrestres já aprontaram poucas e boas por aqui. Já comeram nossas mulheres, mataram nosso gado, enlouqueceram nossos homens, pilharam nossas minas, mentiram, ludibriaram, lograram, passaram a perna. Ao que parece, os outros planetas também carecem de ética. E por aqui tem gente que ainda espera um contato definitivo que aproxime nossas culturas supostamente tão diferentes. Assim como a gravidade, a sacanagem é regra universal. Pensando por este viés, podemos concluir que, ao contrário do que imaginávamos, não estamos tão atrás assim dos ETs e a única coisa que nos falta é um disco voador cheio de luzes estroboscópicas.

Por outro lado, as recentes revelações sobre o passado da cultura ocidental pretendem mostrar que talvez tenhamos sido enganados por um complô mundial e milenar. Dizem que Jesus comeu a prostituta, que por sua vez foi exilar-se no sul da França porque a comida e o vinho lá são melhores que na Palestina - e, você sabe como é, o filho do Cordeiro de Deus que ela carregava no bucho precisava do bom e do melhor para poder nascer e crescer forte o suficiente para lutar pela manutenção do segredo de sua origem e do fim de Cristo. E recentemente descobriram a tumba de um Jesus, filho de um José e uma Maria, casado com uma Maria Madalena, cuja datação por carbono determinou que o ossário tem origem na mesma época do nosso popular Jesus Cristo. Ufa! Quanta coisa! Pede-se um parágrafo para respirar!

Quem consegue guardar um segredo desses por tanto tempo? Será que somos idiotas e não percebemos até agora que Jesus era um cara normal que, assim como metade da torcida do Flamengo, deu uns pegas na prostituta da esquina? E também não percebemos que os ETs não existem e estamos fadados à solidão universal? Será que somos tão estúpidos a ponto de alimentarmos crenças fantásticas só para dar um agito nas coisas e ver quem cai primeiro? Sustentam-se mistérios subseqüentes, porque, em tese, se a verdade não está no céu, está no passado. Que necessidade de questionar é essa?

Caso ETs existam, nada muda. Caso Cristo tenha sido mais humano do que a fé católica prega, nada muda. Demoramos muito tempo para construir o mundo como o conhecemos. Não seriam algumas meras verdades as responsáveis pela revisão de nossos valores. Afinal, instituição alguma quer pagar para ver e correr o risco de estar errada. É mais caro mudar do que manter. Pelo menos essa tem sido a verdade maior das verdades que conhecemos.
sábado - 7 de abril, 13h20


Miúdas

Nada de novo no reino da Dinamarca. Exceto que eu cansei de ser pobre. Mas isso faz tempo, não é de agora.

***

Cansei também foi do meu cabelo. Chega. Não dá pra ser cabeludo com esse calor. Além do que, ninguém mais usa mullet desde 1989. O meu cabelo faz de mim um refugo dos anos 80. Eu não sei de onde eu tirei que cabelo eighties seria uma boa idéia. Agora, vejo a máquina de raspar a cabeça me seduzindo silenciosamente. Eu não sei o que eu faço. Me ajudem.

***

Depois que parei de fumar, criei barriga. Coisa pouca, charmosinha. Claro, não é uma senhora barriga, mas um mero pneuzinho tímido. Nada que muita esteira não resolva.

***

A parte da esteira é piada, viu?
quarta - 4 de abril, 12h45


Meu gosto musical é brega, eu sei

Mas eu não preciso sentir vergonha.


domingo - 1° de abril, 11h50


Esclarecimento

A fim de evitar qualquer mal-entendido quanto a uma suposta insatisfação minha em relação à universidade que freqüento, a Ulbra, publico aqui a íntegra do texto mencionado em matéria da Revista Mirabolante. Aproveito para lembrar que o artigo foi originalmente publicado neste blogue no dia 3 de outubro de 2005, e minhas opiniões acerca da qualidade tanto da minha universidade quanto do meu curso não mais conferem com aquelas expressas na referida dissertação. Falei?

***

Nós e eles

Pedi por e-mail o endereço do blogue de um conhecido porque sei que o cara tem um texto bacana, é esperto e sempre tem um ponto de vista que acrescenta algo às conversas. Ao ler seus posts, confirmei o que já pensava sobre o autor. Mas aí, me deparei com uma frase que me deixou com a pulga atrás da orelha. Em determinado texto, ele criticava o editorial de uma revista que teria sido escrito por alguém que "cometeu a faculdade de Jornalismo da Ulbra". Assim mesmo, como quem comete um crime ou pecado capital. Imediatamente, me veio à mente todas as outras vezes em que estudantes de Jornalismo da Ulbra foram desdenhados, subestimados ou – crime igualmente grave – generalizados. Parei para fumar e pensar quantas vezes nós nos apressamos em generalizar realidades que desconhecemos a fundo. Quem de nós nunca comete esse crime?

Sempre que me perguntam onde estudo, murmuro entre dentes "na Ulbra", porque já imagino que a resposta será "oh... sinto muito" ou algo do gênero. Nos círculos que eu freqüento, e até naqueles dos quais eu não participo, a Comunicação Social da Ulbra é reconhecida como uma faculdade menor, onde seus acadêmicos não têm a mesma capacidade, inteligência e pré-requisito dos estudantes da Puc ou da Ufrgs. Eu sei que a minha universidade não é a melhor que eu poderia cursar, mas o que me incomoda é ser encaixado na mesma categoria de alguns pouco interessados que cursam a mesma faculdade que eu, naquela mesma universidade.

A Ulbra não tem um histórico de investimento em pesquisas ou em laboratórios experimentais. Eu não tenho orgulho de cursar Jornalismo lá. E quando páro para me lembrar que ao ser perguntado sobre onde estudo eu murmuro "na Ulbra" até considero que tenho vergonha. Mas não da universidade em si, mas de ser generalizado e sentenciado à mesma categoria que muitos jornalistas em formação na Ulbra se encaixam – categoria compartilhada por muitos estudantes da Puc ou da Ufrgs, porque não é a faculdade que forma o profissional, e sim o próprio estudante que se forma. E quando se é condenado por "cometer" uma faculdade específica, não sobra muito espaço para o debate.

Espera-se menos de mim só porque eu curso Jornalismo na Ulbra? Se sim, de que vale o currículo off-universidade que eu construí ao longo desses anos? E aproveito para salientar que quem espera pela faculdade para ter um currículo de destaque não se torna profissional nem à força. Por isso acredito que no final das contas pouco importa se o teu diploma é da Ulbra, Puc ou Ufrgs. O que vale é o interesse individual do estudante em formar-se um profissional adequado para um mercado em que a profissionalização nunca termina. E as generalizações sobre os acadêmicos de certas universidades desconsideram essa realidade de eterno crescimento, estabelecendo que todos os estudantes de, no caso, Jornalismo da Ulbra jamais poderão contribuir com o mercado ou com a profissão. Eu não "cometo" a faculdade de Jornalismo da Ulbra. Eu a curso há alguns semestres e a considero apenas como mais um passo na minha formação. Eu agiria e pensaria da mesma forma se estudasse na pontifícia católica ou na federal gaúcha. É isso o que diferencia um profissional em formação de um mero estudante de universidade.

Generalizações são crimes que desconsideram a realidade. Sutis ou explícitas, são sentenças que não dão margem ao diálogo e impedem a reflexão sobre as diferenças. Dividir o mundo em "nós" e "eles" é muito fácil. E quem faz isso, não está aberto às inúmeras possibilidades que a vida em sociedade traz. Isso não quer dizer que eu vou sair a bradar pela rua "eu adoro a Ulbra! eu adoro a Ulbra!", mas a Ulbra é a universidade que eu freqüento e é por lá que eu pretendo conquistar meu diploma de Ensino Superior. Claro, sem esquecer que só o diploma não vai me trazer nenhuma garantia profissional ou intelectual. Só espero que os estudantes da Puc e da Ufrgs também saibam disso.
sábado - 31 demarço, 23h24


Duas notas

Menção a este blogue em matéria da recém-inaugurada Revista Mirabolante. Visitem.

***

Atendendo a pedidos, este blogue não mais conta com aquela encheção de saco do Snap.
sábado - 31 de março, 14h27



o espírito de porco olha por este blogue


instigar
repolhópolis
la vie jetable
groundhog day
caderno de vidro
pensar enlouquece
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caligrafia na pele
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república livre
entretantos
sympton of the universe
trEPA!
dois dedos de prosa agridoce

vitor.diel@gmail.com


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