O prazer também é um sintoma da existência


Sync - video powered by Metacafe
segunda - 30 de julho, 12h08


Sintomas de uma existência

Assisti a um especial no Discovery Channel sobre os projetos da Nasa para futuras viagens tripuladas à Lua. Assim como no anos 60, os atuais planos envolvem muitas máquinas e geringonças que fariam James Bond se arrepiar de inveja. Robozinhos, foguetinhos, modulozinhos - assim mesmo, no diminutivo, pra parecer mais fofinho e humano e menos técnico e frio. Tudo elaborado para estabelecer uma base, talvez permanente, que serviria de primeira parada em viagens para Marte. E aí você pergunta "mas pra quê?". Realmente não tem um motivo prático para alguém querer ir até Marte, mas parece que a busca pelo desconhecido é mesmo inerente à experiência humana.

O desvelamento do espaço, seja ele exterior ou não, é um sintoma da existência. Estamos vivos e caminhamos para algum lugar. As ciências asseguram a existência do desconhecido: ele sempre existirá. Novas descobertas abrem novas fronteiras. Quanto mais sabemos, mais há para saber. Chegamos à Lua, agora vamos à Marte. Depois, só a tecnologia dirá. E a excitação diante destas experiências sempre existirá.

Nunca soubemos tanto sobre nós mesmos, nosso habitat e nosso íntimo. Nunca chegamos tão longe, tão fundo e tão acima. Mesmo assim, ainda existem universos que se esquivam de nosso conhecimento. Há verdades e regras que ainda permanecem obscuras. É isso o que garante a nossa existência. O céu não é o limite. O leito do oceano também não. O limite é a desistência humana.

Portanto, quem deseja, caminha. E quem caminha, vive. Enquanto houver curiosidade, nossa existência é certa. Uma pena que muitas pesquisas, em países como o Brasil, ficam à mercê de investimentos públicos. Nesses lugares, o interesse e a curiosidade freqüentemente sucumbem diante das verbas curtas. Aí, a existência humana é dúvida.

Eu sempre desconfiei, mesmo. Burocracia mata.
domingo - 29 de julho, 23h10


Engrenagem maior

Montar uma boa equipe não é trabalho para qualquer um. É função que exige percepção, clareza, confiança e sensibilidade aguçadas para sacar que o mais hábil não é necessariamente o mais afinado ao time. Bom currículo não é garantia de bom colega. E bom colega é aquele que além de ser bom no que faz está disposto a aprender e a dialogar.

Porém, é fácil falar sobre isso quando pensamos em um grupo de trabalho formado por seis ou sete pessoas. Transferir este raciocínio para a gestão de uma empresa ou, se quisermos, de um país, é que é o desafio. Ninguém nunca pensa na dificuldade que um governante municipal, estadual ou federal tem para montar uma equipe de secretários e assessores competentes, confiáveis e, sobretudo, afinados à sinfonia do trabalho em grupo. Os problemas resultantes das más escolhas caem impiedosamente sobre o líder, afinal saber escolher não é o mesmo que saber gerenciar - são trabalhos diferentes.

Há somente uma coisa em comum entre um avião lotado que cai sobre uma cidade e uma equipe de nadadores que ganha ouro no revezamento: o trabalho em grupo. No primeiro, alguém não executou sua função com a perícia exigida. No segundo, pelo contrário, todos os integrantes não apenas alcançaram seus objetivos como levaram a busca pela excelência ao limite. Ou seja, com o primeiro, o Brasil foi ao inferno. Com o segundo, à glória.

Uma equipe deve ser norteada pela percepção de coletividade e igualdade. As relações profissionais resultam em melhores resultados quando são vistas como uma linha horizontal - um integrante ao lado do outro, não acima ou abaixo. Desta forma, percebe-se o reflexo do trabalho individual diretamente em quem está ao lado. O resultado disso é a ciência das responsabilidades individuais diante da coletividade. Somos todos peças de uma engrenagem maior; integrantes de uma equipe formada por milhões de pessoas e, por isso mesmo, de difícil afinação. Mas se tivermos a certeza que cada um fez a sua parte buscando a excelência, poderemos, talvez, voar sem medo de cair e nadar em busca de mais medalhas. Aí sim seremos nação.
segunda - 23 de junho, 18h20


Adieu

Esse senhor aí me lembra uma máxima do Millôr Fernandes:

Brasil, uma empresa unifamiliar.

***

Não vai deixar saudades.
sexta - 20 de julho, 17h31


$spice Girl$ de volta

Aliás, este blogue faz coro ao Groundhog Day e declara total apoio ao retorno do grupo. Afinal, as Spice Girls são o produto mais honesto dos últimos dez anos: todo mundo sabe que elas foram produzidas para serem o que são e elas nunca esconderam isso. Em tempos de ética em crise, tamanha franqueza é admirável.

Força, Spice!
terça - 17 de julho, 11h56


Mais estranho que a ficção

Uma bela surpresa nesse fim de semana. Mais estranho que a ficção é discreto, sensível, inteligente e engraçado. Eu sempre torci o nariz para Will Ferrell, mas dessa vez reconheço que sua interpretação do metódico e assustado Harold Crick está na medida certa. Na verdade, não sei se outro ator interpretaria tão bem quanto Ferrell. Seu senso de humor anda na linha entre a angústia e a esperança, horas caindo para um lado, horas para outro, mas nunca em exagero. Will Ferrell é preciso como um relógio - objeto que é um dos principais personagens da história.

Destaque para os diferenciados pontos de vista que a direção nos coloca: dentro do relógio de pulso, dentro do chuveiro ou dentro da boca. Assim, nos diz que tudo interage com o mundo exterior - exceto Harold Crick.

A história nos faz pensar sobre as pequenas coisas importantes que deixamos passar por estarmos concentrados demais em nossos métodos, tabelas e ansiedades camufladas. Logo, é uma história singela - como a atuação de Will Ferrell.

O filme é uma reflexão sobre o papel do ser humano diante de sua própria existência. Seríamos agentes de nossa história ou meros brinquedos que atendem aos caprichos da vida? Quando devemos avançar, escolher, fazer, agir, ser? E qual a relevância de cada decisão?

Estas respostas o filme não traz, porque, como toda criação que pretende-se a relevância, resulta em novas perguntas, dando, assim, continuidade ao ciclo do saber. Portanto, se você tem perguntas e não espera respostas, mas sim outras perguntas, assista. Bumerangue! recomenda.

***

Assisti também Scoop, de Woody Allen, e achei entediante. Além disso, ver a lindinha Scarlett Johansson tentando imitar Woody Allen não segura atenção de ninguém. E cá entre nós, o roteiro tem uns furos que só se fazendo de desententido pra deixar passar.
domingo - 15 de julho, 19h23


Eu queria estar lá...

...no Maracanã, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, só pra ouvir o discurso do presidente da Organização Desportiva Pan-Americana, o mexicano Mário Vasquez Ranha.

Ele começou assim:

- Hoy...

E os brasileiros responderam:

- Ooooooi!

Mais adiante, de novo:

- Hoy...

E os brasileiros:

- Oooooooi!

É por isso que eu sou fã declarado do senso de humor dos cariocas.

Mas eu preciso dizer que o Cristo não é maravilha, não.
sexta - 13 de julho, 20h35


Falso inverno

Nos últimos dias, estive em Caxias do Sul e retornei hoje com algumas considerações relevantes.

1 - Definitivamente, eu não acredito na temperatura indicada pelos relógios digitais de rua. Eles exageram pra menos no inverno e, imagino, pra mais no verão, só pra render manchete na capa dos jornais locais. E, naturalmente, pra chamar turista da capital e do centro do País.

2 - A comida em Porto Alegre é muito, muito, muito barata.

3 - Eu tenho medo da estrada.

4 - Caminhar em Bento Gonçalves faz bem para os glúteos.

5 - Você pode fazer de um quarto de hotel a sua casa, é só bagunçar bastante.

6 - HB é uma ótima companhia nos percursos e destinos.
quinta - 12 de julho, 15h33


Um bom companheiro

As relações humanas são, por natureza, truncadas e cheias de poréns. Porém, vezenquando encontramos alguém com quem a comunicação corre solta. Pode ser amigo, conhecido e até namorado. Mas, indubitavelmente, um bom companheiro.

Este post pondera, a seguir, sobre o que é ser um bom companheiro.

O bom companheiro ri ao mesmo tempo que você e da mesma coisa que você. Ele faz você se sentir menos esquisito. Ele entende tuas meias-palavras.

O bom companheiro escuta tuas reflexões sobre as próprias neuroses e medos, mas mantém o distanciamento necessário para poder dizer "ah, não fode" na hora certa.

Ele não te julga por que te vê como um semelhante. É diversão certa na vida social. O bom companheiro quebra o gelo das situações embaraçosas.

O bom companheiro divide a conta. O bom companheiro troca o agito da balada por uma noite de Imagem & Ação. O bom companheiro tem senso de humor e não leva a vida tão a sério - por isso que é bom. O bom companheiro torna a vida mais leve.

O bom companheiro não te ofusca com o próprio brilho. Aliás, o usa para te fazer brilhar também. É um brilho espontâneo, generoso e educado. O bom companheiro é polido.

Mas como tudo na vida move-se para algum lugar, inclusive as relações, um dia o teu bom companheiro não é mais teu, e sim de outra pessoa. Aí, quando vocês se encontram de novo, ressona aquele sentimento ainda sem nome que surge toda vez que encontramos um antigo bom companheiro, e só então você se dá conta que a relação silenciosa e misteriosamente moveu-se para um lugar distante. E embora estejam ambos muito bem cada um com a sua vida, agora as diferenças entre vocês parecem falar mais alto que as semelhanças que um dia existiram. Mas na despedida, no íntimo, ambos se dão satisfeitos pela boa companhia que um bom companheiro um dia fez ao outro. Porque, naturalmente, um bom companheiro atrai outro. É Lei da Natureza.

No fim, encontra-se outro bom companheiro que vai marcar a vida tanto quanto o anterior. Assim, as relações continuam em movimento eterno. Na próxima esquina pode haver um próximo bom companheiro. É só dar chance para o azar.
quarta - 4 de julho, 22h35


Sobre a frase

Frase é síntese. Sábio é o homem que consegue estender um raciocínio apenas entre uma letra capitular e um ponto final.

Em uma frase, há o tudo. Ele está ali, anunciado, explicado e dissecado. A frase é a unidade textual mais rica. Com ela, se inventa um mundo.

A frase que mais comunica é a mais curta. A Publicidade sempre soube disso. Porém, ao mesmo tempo que seduz, a frase também condena e trai. Quantos em Brasília já morreram pela boca? Prova disso são as rotineiras gravações sigilosas cheias de frases que, quando tornadas públicas, se voltam contra seus enunciadores. A frase é forte. Tão forte que é eterna.

Por isso, peço mais cuidado com vossas frases. Mais é menos. Poupe a palavra, a maquiagem e o acessório. Preveja o ponto - saiba que toda frase obrigatoriamente tem um fim. Igual a tudo na vida.
terça - 3 de julho, 11h08


Fáeld

Arquivado. Texto novo em breve. Ainda hoje, espero.
terça - 3 de julho, 10h31



o espírito de porco olha por este blogue


tem uma entrevista
velha aqui


instigar
repolhópolis
groundhog day
caderno de vidro
pensar enlouquece
caligrafia na pele
república livre
entretantos
sympton of the universe
trEPA!
dois dedos de prosa agridoce

vitor.diel@gmail.com


2007
junho
maio
abril
março
fevereiro
janeiro

2006
dezembro
novembro
outubro
setembro
agosto
julho
junho
maio
abril
março
fevereiro
janeiro

2005
dezembro
novembro
outubro
setembro
agosto
julho
junho
maio
abril
março
fevereiro
janeiro

2004
dezembro
novembro
outubro
setembro
agosto
julho
junho
maio
abril
março
fevereiro
janeiro

2003
dezembro
novembro-outubro
setembro
agosto