Da morte aparente

Que medo de estar morto sem ter percebido! Sabe aquela impressão que se é invisível - literalmente invisível? Não? Não mesmo? Então deixa pra lá.

Eu só ia dizer que às vezes falo sozinho em público, de modo que alguém me escute, só pra ter certeza disso mesmo: que alguém ainda me escuta. Afinal, eu não sei como é a morte. Eu nunca morri! Pergunto: e se a morte for exatamente igual à vida, onde tudo continua do mesmo jeito, no mesmo espaço-tempo? Daí é fácil não se aperceber morto. Morrer e só cair a ficha dias depois, ao se lembrar que talvez você não tenha sido rápido o suficiente quando atravessou a rua correndo: Deus me livre. Por isso, vezenquando verifico se ainda estou vivo.

O problema de continuar falando sozinho para verificar se estou vivo é que além de desconfiar que, de fato, estou vivo, desconfiarei que estou louco. Porém, melhor vivo e louco que morto e são. Pelo menos até prova em contrário.
quinta - 30 de agosto, 12h40


Breve lista de pequenas irritações diárias - parte II

Eu disse que podia continuar.

4) Adolescentes em bando no fundo do ônibus. Pior ainda quando estes adolescentes têm 20 ou 30 anos.
quarta - 29 de agosto, 12h25


Tortura

Apertei os parafusos de uma tomada.

Li o jornal de cabo a rabo.

Passeei pelos meus sites favoritos.

Ouvi um disco inteiro duas vezes seguidas.

Fiz a barba.

Continuei Hemingway.

Esqueci Roberto Carlos no repeat.

Monografei.

Isso é mentira, na verdade me sabotei.

Sonhei acordado.

Matei tempo no YouTube.

E o tempo não morreu.

I´m trying to concentrate but all I can think of is you.

Enquanto isso, blogueio a música mais bonitinha a falar de saudade.


terça - 28 de agosto, 14h


Na capa do Terra, hoje

Ela fez faculdade comigo.

Estou tentando encontrar um significado nisso, mas não consigo.
segunda - 27 de agosto, 20h05


A morte do Manuel

A principal linguagem da Internet é a textual. A falta de domínio do português ocasiona alguns "deslizes" curiosos. Separei alguns erros de português encontrados casualmente na web tupiniquim.

- Despreoculpada, sem culpa prévia, sabe?
- Almenos, sinônimo de "pelo menos".
- Fassa, do verbo fazer.
- Idiotisse.
- Atrazado.
domingo - 26 de agosto, 16h28


Medo do escuro
Um texto que não foi escrito numa noite insone

Quando eu era pequeno, tinha muito medo que um ET viesse me pegar à noite, enquanto eu dormia. Por isso, quando sentia que o sono se aproximava, abria um olho e espiava o quarto, esperando não encontrar nada além do que a pouca luz que vasava pela janela deixava revelar. Meu conforto era saber que o escuro continuava ali, silencioso, pronto para ouvir os meus sonhos. Cedo, aprendi que quando se teme o escuro, o sono demora a chegar.

Nunca entendi aqueles que dormem de olhos abertos. A primeira vez que vi alguém dormindo com as pálpebras levantadas e o olhar fixo em nada, achei que ele estivesse catatônico ou morto. Que nada. Quando acordou, disse que havia até sonhado. Ele devia temer o escuro e os ETs muito mais que eu - se não os ETs, talvez as bruxas, os gnomos, os espíritos, os demônios... Na real, eu podia ficar aqui até amanhã listando as ameaças às quais estamos sujeitos enquanto dormimos. Realmente, é um hábito muito perigoso, este.

Eu não gosto de pensar na vida antes da lâmpada elétrica. Não tem conforto maior que espantar os fantasmas do escuro com o toque de um botão. Plim! Fez-se a luz! A Bíblia previu a energia elétrica, que muitos acreditaram ia pôr fim ao medo do escuro. Ledo engano. As trevas se perpetuaram e ainda hoje sofremos com os estalos da madeira no escuro. A tecnologia não acaba com nossos medos, apenas os adapta a uma nova condição.

Hoje, por outro lado, não tenho medo de invasores do espaço entrando no meu quarto sem convite. Agora, temo as ansiedades que acordam quando deito a cabeça no travesseiro. Afinal, ainda não inventaram interruptor que as espante. Somos seus reféns até que nos vençam pelo cansaço e nos derrubem pela nossa desistência em administrá-las. É curioso, mas parece que nossas ansiedades modernas são notívagas: dormem durante o dia e despertam à noite. Para o azar de nossa sanidade.
segunda - 20 de agosto, 22h36


Vida - do it yourself

Do Savage Chickens, traduzido pelo Silveira, do Eu podia tá matando.
segunda - 13 de agosto, 11h36


Segredos de domingo

Sou um franco entusiasta do Post Secret. O vídeo abaixo, produzido pelo idealizador do projeto e originalmente publicado em seu site, explica por que os segredos de domingo são tão fascinantes.


domingo - 12 de agosto, 12h40


Breve lista de pequenas irritações diárias

Júnior e eu refletimos hoje sobre pequenas coisas do dia-a-dia que nos irritam. Eu listei apenas três, porque são as que tenho botado reparo, ultimamente.

A título de curiosidade, publico-as aqui.

1) Irritam-me coisinhas da rotina que atrapalham o andamento de alguma tarefa habitual, como um tapete que tranca a porta toda vez que a abro;

2) Perco a cabeça também com ruído de pratos, talheres e copos, muito comum em cozinhas de restaurantes e refeitórios. Na verdade, este é o único ruído que considero profundamente irritante;

3) Por fim, irritam-me as burocracias, filas, notas, autenticações, duas vias, senhas, guichês, formulários e outras invenções burras que o ser humano cunhou estritamente pra te fazer perder a cabeça - por que elas não têm tana necessidade assim de existir.

Pronto. Ufa. Catarse. Se me lembrar de mais alguma, continuo a contagem.
sexta - 10 de agosto, 21h31


Fora do mapa

Recebi a newsletter do Digestivo Cultural e um texto me chamou a atenção. A matéria falava sobre as montagens teatrais de um grupo do Rio Grande do Norte que serão apresentadas fora de sua terra natal (o trocadilho foi acidental, juro!). De imediato, fiquei intrigado com a primeira frase do texto: "o sul-maravilha terá oportunidade de ver uma produção cênica potiguar de excelente qualidade este mês". Frase de abertura boa é aquela que instiga o leitor a seguir em frente. E este foi o caso.

Como sou de Porto Alegre, li o texto esperando encontrar uma agenda dos espetáculos para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - os estados que compõem a região sul do País. Mas fiquei surpreso ao constatar que o sul a que o texto se refere é Minas Gerais, estado da região sudeste. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Indaguei-me o que esta imprecisão geográfica significaria. O Brasil acabaria em São Paulo? Ou não se sabe o que existe abaixo do sudeste? O Rio Grande do Sul está realmente tão distante assim do norte e nordeste, a ponto de ser considerado uma terra estrangeira? Se Minas Gerais fica no sul, onde fica o Rio Grande do Sul? Na Argentina?


...e aqui termina o Brasil. Placa na rodovia SP-255,
próximo a Itaí, em São Paulo. Wikipedia.

Durante os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, o David Coimbra, cronista da Zero Hora, o jornal de maior circulação no Rio Grande do Sul, mantinha uma coluna no caderno especial sobre o evento. Nela, Coimbra voltava-se aos assuntos off-esportes, falando da movimentação e frisson que os jogos causavam na capital fluminense. Lembro-me de um texto sobre um episódio em que a delegação paraguaia passou sorvendo seu mate, que é diferente do chimarrão gaúcho, diante de alguns fotógrafos cariocas. Estes, não perderam tempo: "olha lá os gaúchos, não largam o chimarrão pra nada". Tá certo que ninguém precisa entender a diferença entre os mates da América do Sul, mas, pô, achar que paraguaio é gaúcho é comprovar que o Rio Grande do Sul fica de fato em outro país.

Ninguém precisa ser grande conhecedor da cultura popular brasileira, ou ter diploma em Geografia, para saber onde fica o norte e o nordeste brasileiros. E também para saber que só por que o Acre e Roraima estão muito, muito distantes do Rio Grande do Sul não quer dizer que o primeiro pertença à Bolívia e o segundo, à Venezuela. O Brasil ocupa uma vasta porção de terra do continente, o que resulta num agrupamento de muitas culturas diferentes. Até segunda ordem, o Rio Grande do Sul fica no sul e Minas Gerais, no sudeste. E ambos pertencem ao Brasil, assim como o Rio Grande do Norte - que, aliás, não fica no norte, mas no nordeste. Complicou? Não tem problema. Abra um mapa do Brasil aí que você vai ver. E vai ver também que tem muita gente falando português entre São Paulo e Uruguai. Afinal, o Brasil só vira outro país depois da fronteira. Pelo menos foi assim que eu aprendi na escola.

***

Um adendo com algumas horas de atraso. Como a Dani Moreira muito bem lembrou, o descartável.com está de volta mais gostoso que nunca. Posts bem humorados, críticos, ácidos e notícias do mundo nerd/geek que não se vê por aí. Bumerangue! recomenda.
quarta - 8 de agosto, 12h26


Fora de foco

Uma vacina contra a miopia há de ser inventada. Não é humano depender de lentes. Algo me diz que os homens das cavernas não tinham miopia. Se tivessem, deixariam a caça escapar e morreriam de fome. Mas a Natureza foi sábia e privou-os deste mal a fim de garantir-lhes a existência e, por consegüinte, a evolução da espécie. Hoje, somos astronaúticos, cosmonáuticos e, por outro lado, míopes.

Evolução não é sinônimo de progresso, já dizia minha professora de Filosofia. Agora a entendo.
sexta - 3 de agosto, 23h46


Essa guerra é uma fria

Nesta semana, os russos entraram num minisubmarino, afundaram quatro mil metros e fincaram sua bandeira no Pólo Norte geográfico do globo.

Bumerangue! apurou os fatos e descobriu que eles pretendem abrir um hotel de luxo no leito do Oceano Ártico. Apesar de não terem encontrado uma única criatura viva, e de a luz do sol não atingir profundidades semi-abissais, os cientistas garantem que o charme dos apartamentos a serem construídos no local será a vista: uma profunda, retumbante, assustadora e infinita escuridão.

Se a Guerra Fria ainda existisse, o feito marcaria a vitória dos russos sobre os americanos - que não conseguiram fazer nada de útil com uma Lua inteira só pra eles. Bobos.

Ponto pro Putin.
sexta - 3 de agosto, 16h22



o espírito de porco olha por este blogue


tem uma entrevista
velha aqui


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vitor.diel@gmail.com


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