Novidades millorescas

"Muitas coisas, feitas há tempo, não reconheço.
Portanto, são inéditas"

Millôr Fernandes, um brasileiro genial.

Livro novo e relançamento na área. Agradeçam à Editora Desiderata.
terça - 25 de setembro, 11h19


A título de curiosidade...

Eu odeio as páginas do Myspace. Odeio, odeio, odeio. São feias, bagunçadas, quadradonas e só tem coisa inútil. Me lembra muito a internet dez anos atrás: feia pra dedéu.

Pronto. Falei.
terça - 25 de setembro, 10h28


Impotências diversas

"O sol também se levanta" é o meu primeiro Hemingway e, mesmo faltando cinqüenta páginas para o final, já entrou para a minha lista de livros preferidos.

Outro dia, Júnior e eu conversávamos sobre o efeito imagético que a literatura produz. Lemos e criamos imagens vivas, feito cinema, que ficarão gravadas tal como memórias sobre fatos vividos. Mas, na verdade, tudo não passa de palavras impressas - as cores, os odores, as dores. Talvez Hemingway seja mesmo um ótimo contador de histórias. Afinal, posso descrever com exatidão as imagens e impressões que "O sol..." criou em minha cabeça. Isto é envolver-se com o texto, penso.

Aliás, o título da obra é uma referência clara à ereção e a história é uma evidência que o homem é, irrefutavelmente, seu falo. Sem o tal, não se é touro, macho, viril. O ser masculino implica necessariamente no uso do pênis. Sem ele, somos todos soldados feridos, como é Barnes - personagem principal da obra.

O sol também se levanta - ou seja, tudo sobe. Sobe o orgulho, sobem as expectativas, sobem os critérios. Mas para isso tudo subir, o homem precisaria ver subir seu falo. Do contrário, é meio-homem, voyeur da vida, masturbador mental. Ressentido, Barnes bebe. Como bebem todos os seus amigos, afogados em ressentimentos íntimos. Haveria, talvez, impotências além da peniana - como afetivas, amorosas e familiares? Seríamos todos vítimas de impotência, em alguma de suas manifestações? Hemingway nos faz crer que, infelizmente, sim.

***

O autor suicidou-se aos 61 anos, com um tiro de fuzil na cabeça. Drástica maneira de pôr fim às suas impotências, esta.
segunda - 24 de setembro, 12h05


Link novo aí ao lado. É o Banho-Maria, de Melina Diehl.
sábado - 22 de setembro, 18h17


Vegetarianos andam pelados

"Eu sou Alicia Silverstone e fui photoshopada pra cacete"

Legumes não fazem tudo isso.

Não enganou, Batgirl. Não enganou.
quinta - 20 de setembro, 11h46


Caleidoscópio 2007

Este é um post compartilhado. Para entendê-lo, clique aqui.


domingo - 16 de setembro, 21h35


Mais um post sobre o amor

Mentira. Não é, não. Na verdade, eu não vou mais falar de amor coisa nenhuma. Chega.

Agora eu vou falar de sexo.

Mentira, também. Esta é apenas uma piadinha infame que pretende provocar risos por dissociar o sexo do envolvimento, com a típica naturalidade da minha geração.

Na verdade, eu queria dizer que Porto Alegre está cheia de programas culturais, como o Porto Alegre Em Cena e a Bienal do Chimarrão (crédito de Dani Moreira, aqui), e mais uma penca de exposições e eventos paralelos, mas eu não ando com paciência pra interpretar, refletir e discutir sobre obras de arte. Efeito dos excessos da mamografia. Além do quê, eu tenho medo da Bienal. É muito grande, monstruosa. Porém, ao que parece, esta edição está sensivelmente menor - em tamanho e pretensões. Quem sabe, quem sabe....

Ultimamente, porém, eu tenho visto como arte o clipe de Automatic Lover, da Dee D. Jackson. A original, não a cópia brasileira.

Hermes e eu descobrimos que a Dee D. Jackson canta exclusivamente sobre sexo. Automatic Lover é sobre um vibrador e Meteor Man, sexo casual.

Eu colocaria todos os referidos videos aqui, se o YouTube criasse vergonha na cara e carregasse como qualquer outro site o faz. Mas é pedir demais, pelo jeito.

Logo mais, um update com os links youtubísticos.
sábado - 15 de setembro, 13h31


80 = 20

Saí a caminhar em busca de concentração e encontrei-a na metade do caminho. Veio como uma indagação:

A diferença de idade pesa mais na amizade ou no amor?

Eu começo.

Acho que pesa mais na amizade. A relação entre amigos cuja diferença de idade avança, digamos, duas décadas fica mais... ahn... truncada. Mas quando se ama, ama e ponto. O objeto do amor pode ser 15, 20, 30 anos mais velho. Não interessa.

Parênteses: é por isso que eu acreditava na Anna Nicole Smith.
quinta - 13 de setembro, 16h35


Explicações irrelevantes sobre o que todo mundo já sabe

Se me pedissem para explicar o amor, eu diria assim: você sabe que está amando quando partir é ruim e ficar junto é bom. Ponto final. Mas todo mundo sabe, ou deveria saber, que amor não se explica - apenas é. Porém, como nós vivemos no Ocidente e somos ensinados a racionalizar a vida desde a infância, acabamos tentando enquadrar algo tão sinuoso como o amor nas tabelas retas da razão, o que pode resultar, pois, em uma grande idiotice.

Tem gente que ama e nem sabe. Aliás, só sabe quando perde. Mas aí já é tarde demais e o amor que ela recebia tem, então, outro foco. Há aqueles que conseguem amar duas pessoas ao mesmo tempo. São polivalentes. Estes, francamente, me fogem da compreensão. Para quê tanto? Que fome é essa?

Há ainda aqueles que amam com egoísmo. Querem receber sem dar. E se dão, é com desconfiança e cobrança. Têm medo, na verdade. O que não é nada promissor, por que, como já dizia Mestre Yoda, o medo é a porta para o Lado Negro da Força. E lá só existe solidão, que talvez seja o oposto exato do amor. Mas disso eu não sei, tem que ser Jedi para saber.

Tem amores que duram uma vida inteira. Às vezes até em segredo. Já outros, duram apenas um verão e são espalhados aos quatro ventos. Pensando bem, talvez seja por isso mesmo que não passem de uma estação: são públicos e não privados, rifados e não guardados. Quem ama, preza. E quem preza, quer manter. É como uma "lei natural do amor responsável". Lei esta que não precisa de papel para existir, basta o verbo.

Na verdade, acho que nada relacionado ao amor precisa de papel e se basta apenas no verbo. Afinal, amor sem diálogo não é amor, é convívio. E disso, a indústria do casamento está cheia. Por isso, amantes, conversem. Se não pelo verbo, pelo ato. E se vocês não sabem se é amor, sugiro atenção à saudade que pinta. Por que, como eu disse, você sabe que está amando quando partir é ruim e ficar junto é bom. É só disso que vocês precisam.
domingo - 9 de setembro, 23h48


Texto novo na Revista Mirabolante.

O fim do mundo num clique

Ontem, eu assisti ao fim do mundo. Curiosamente, ele não se deu através de uma guerra relâmpago entre Estados Unidos e China, nem de um ataque nuclear promovido por um grupo terrorista do Oriente Médio. O fim do mundo aconteceu na tela do meu computador, num vídeo do YouTube.

Só ontem fui apresentado ao "Fala, Sônia", um vídeo que há alguns meses ganhou fama pelo boca-a-boca na Internet (versão moderna do cortiço imaginado por Aluísio Azevedo). Nele, uma senhora tenta falar "www.youtube.com" a todo custo, lutando contra a falta de domínio de seu próprio músculo lingual. O que chama a atenção é a veracidade do vídeo: o que ele tem de espontâneo, tem de documental. Está ali, em um minuto e meio, um retrato do Brasil que engorda as estatísticas de analfabetismo digital. Para quem não sabe, "analfabetismo digital" é somente uma nova maneira de entender a Educação no País. Ou seja, é um eufemismo novo para um problema velho.

A Internet tem reforçado cada vez mais o abismo entre as classes sociais brasileiras. Para pessoas como Sônia, o mundo contemporâneo é cheio de mistérios e símbolos que exigem muitos conhecimentos prévios para serem decodificados. Enquanto uns avançam rumo à comunidade global, usufruindo de seus recursos e benefícios, outros permanecem sem nem ao menos conseguir falar aquelas palavras novas que surgem a todo momento. Para elas, o mundo se torna cada vez mais hermético; uma festa VIP em que não são convidadas a participar.

O mundo acaba toda a vez em que testemunhamos a nossa falência enquanto sociedade. Inabilidade com as palavras que descrevem e dão nome a fenômenos sociais é um sinal disso. Por outro lado, as livrarias nunca foram tão espaçosas e nunca se publicou tanto livro no Brasil. No mercado da cultura, há mais oferta que demanda. As políticas que conseguirem reverter este panorama serão consideradas salvadoras de almas perdidas. Por enquanto, resta-nos o “YouTube” e o circo de aberrações que a Internet promove a cada clique.

Deus tenha piedade de nós!
domingo - 9 de novembro, 22h32


Indicações classe A - parte III

- Este blogue já foi citado aqui, mas repito-o com prazer. É o Conversas furtadas, que se dedica à coleta de trechos de conversas ouvidas acidentalmente na rua. Qualquer um pode postar lá, só enviar um diálogo real. O resultado é um blogue ideal pra matar o tempo e dar boas risadas.

Agora acabou.
sábado - 8 de setembro, 12h09


Indicações classe A - parte II

- Não posso deixar de fora o blogue do Terça eu conto pra você!, o projeto de contação de histórias do Júnior. Lá tem galeria de fotos, clipping, depoimentos, agenda e entrevistas. Tudo editado por moi.

Eu sou meu melhor jabá. Depois eu volto para última.
quarta - 5 de setembro, 13h03


Indicações classe A

Em todo blogday, todo blogueiro tem que recomendar cinco blogues para seus leitores. Como eu não me ligo no quente do momento, faço agora o que deveria ter feito no blogday de fato - 31 de agosto. Aí vão minhas dicas atrasadas:

- Recomendo o Favoritos, da Luiza Voll. Mó sucesso, o blogue dá dicas dos sites mais legais da web. Tem de tudo: fotografia, edição, humor, literatura, design, utilidades, galerias, listas e por aí vai. Praticamente uma enciclopédia de curiosidades da web.

- Descartável.com, da Dani Moreira. Arte, humor, música, nerdices, política, beleza, sexo e bizarrices made in Japan. Tudo com um texto ácido e irônico, pra fazer a gente dar risada do que muita gente leva a sério.

- Te dou um dado?, da Tia Polly. Grande mídia e celebridades à mercê de uma língua muito ferina. Atentem para os posts sobre Britney Spears e Lindsay Lohan. Cereja do bolo.

As outras dicas vêm mais tarde. Só posso dar três, agora. Estou sem tempo. Tenho uma mamografia pra fazer.

Update, 8 de setembro: Além da Tia Polly, Te dou um dado? é atualizado também por Tia Lele. Perdão pela falha.
quarta - 5 de setembro, 10h38


Depois do susto

Toda a vez em que me lembro de quando fui no túnel do terror, há uns dez anos, ainda dou risada. Pra quem não sabe (e quem não saberia, pois?), túnel do terror é aquela atração de parque de diversões que funciona como um trem-fantasma, porém percorre-se a pé. A ausência de um carro para te guiar torna tudo mais assustador, ou ridículo, que o trem-fantasma.

Fomos minha prima e eu, num túnel do terror no shopping da praia. Geralmente, eles esperam que se forme uma fila para que um grupo de pessoas entre no brinquedo. Mas naquele dia, ninguém pareceu muito interessado na atração. Entramos somente os dois.

Não me lembro muito bem dos monstros que vi, fiquei cego de pavor. Os atores fantasiados pulavam em cima da gente; uns carregavam serras, outros machados. Lembro-me de um alienígena acorrentado num calabouço que se jogou em cima de mim quando passei. A suposta graça do brinquedo está na existência de apenas uma saída, que fica na extremidade oposta da entrada - ou seja, para cair fora, você precisa obrigatoriamente percorrer tudo e passar por todos os monstros. Ou enfartar no meio do caminho e esperar a ambulância. Eu preferi a primeira opção, a fim de evitar a segunda.

Acho que antes de mim, nunca alguém saiu tão rápido, tão branco e tão trêmulo de um túnel do terror. Por outro lado, nunca alguém saiu rindo tanto quanto minha prima. Como disse, não me lembro dos detalhes da experiência, mas sei que tentei fugir por uma fresta na quina do cenário e que usei minha prima de escudo contra o Jason. Ela, apenas ria. E provavelmente deve rir até hoje.

No dia seguinte ao trauma, já recuperado, perguntei o que ela achou da experiência:

- Ah, os bichos eram muito mal feitos. Dava para ver que era maquiagem - disse, despreocupadamente. Vendo que só me restava minimizar o meu vexame, reforcei:

- É! Super mal feito!

E ficamos em silêncio. Nunca mais voltei ao túnel do terror. Na verdade, nunca mais o vi. Foi-se o tempo em que era atração freqüente em shopping e parque de diversões. É uma pena, por que é diversão garantida. Confesso: demorei dez anos para perceber isso. Mas tem coisas que só fazem sentido depois do susto. O túnel do terror definitivamente é uma delas.
terça - 4 de setembro, 15h25



o espírito de porco olha por este blogue


tem uma entrevista
velha aqui


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