Rescisão
Fui demitido. Redução de quadro funcional.
Mas como eu sou esperto e sempre tenho uma carta na manga, já sei o que fazer. Vou pro Centro fazer concorrência ao tiozinho que repete pilhaisqueirocortaunhaagulheiroumreal na parada do ônibus.
Não, mentira. Eu vou ler mais. Demissão resulta em mais tempo livro.
Buscas malucas
Já há alguns meses, Bumerangue! tem um contador do Statcounter que não apenas registra a quantidade de visitas a este blogue, mas também de que maneira vocês chegam até aqui. Todas as palavras-chave digitadas nos sites de busca e que os trouxeram a estas páginas ficam gravadas e, dessa forma, nós, da redação, conseguimos saber o que vocês mais querem ler.
De acordo com o contador, as Pussycat Dolls e suas variáveis disparam na frente:
Em segundo lugar, vêm as buscas mais, ahn, explícitas:
Em seguida, vêm os internautas utilitaristas:
Os apressados:
Os místicos:
Os existencialistas:
Os historiadores:
E os que preferem o Google ao médico:
Eu aqui me esforçando para manter um blogue com assuntos diversos e o povo querendo saber mesmo é de Pussycat Dolls, muita putaria e tratamento para problemas gengivais.
Desconsideração é o que vejo. Mágoa é o que sinto.
Estamos em greve.
Tédio
Minhas previsões se confirmaram: a File é um saco.
Eu tenho alguns poréns em relação à arte digital, por que muitas vezes ela parece mero exibicionismo tecnológico. Sem falar que as coisas vivem pifando.
Pendura um quadro na parede que ele nunca pára de funcionar. Heh
Hay que endurecer, pero sin perder la democracia jamás
Fidel renunciou hoje por problemas de saúde, depois de 49 anos no poder. Dizem que Cuba vai respirar ares democráticos pela primeira vez em quase cinco décadas. Talvez seja o início de um período politicamente frutífero para a ilha caribenha. Finalmente.
Sim, Cuba não tem analfabetos e seu sistema de saúde é exemplar. Mas Educação e Saúde foram as duas armas encontradas por Fidel para cooptar o apoio popular necessário para legitimar seu governo. Afinal, toda ditadura precisa mascarar-se de benéfica ao povo para ser aceita e, assim, permanecer no poder.
Quem paga o preço da ditadura de Castro é o povo cubano. E cá entre nós, se Cuba fosse o ideal socialista, eles não se jogariam ao mar em balsas feitas com paus e portas de geladeiras, tentando chegar à Florida.
Mas alguém além do próprio comandante en jefe se beneficia com sua permanência no poder. Afinal
"(...) nenhum regime forte produz igualdade ou liberdade. Já é sabido de antemão quais grupos serão beneficiados nos regimes ditatoriais"
Preferência pela estupidez
- Isso aí é tipo Pearl Harbor - disse um dos homens.
Matéria sobre a atual oposição dos americanos à cultura geral aqui. É de arrepiar.
Atenção para a narração do episódio envolvendo uma participante do "American Idol" (o "Ídolos" americano) no programa "Você é mais inteligente que um aluno da quinta série?" de lá.
- Eu achava que Europa fosse um país.
Heh.
Abaixo, o vídeo.
Educação e democracia
Que o exercício da democracia de um país depende diretamente do plano de educação estabelecido por ele, todo mundo já sabe. Mas foi lendo "Origens do discurso democrático" (Editora L&PM), de Donaldo Schüler, que encontrei a explicação mais sucinta e objetiva sobre esta relação. Vide abaixo.
"Recordemos 'Os tristes trópicos' de Lévi-Strauss. Um cacique nhambiquara, vendo-o escrever, imita-o para impor respeito aos subordinados. O antropólogo, com cinco anos vividos na floresta brasileira, baseado no episódio, conclui que a escrita é instrumento de opressão. Assim foi no Egito Antigo. Assim é no Brasil?
Reexaminemos a conclusão do observador. A escrita é opressiva quando só o cacique escreve ou quando apenas uma classe escreve como ocorreu às margens do Nilo e na Idade Média. À medida que aumentam os escreventes aumentam os caciques. Em nossa terra, sujeitos a caciques estão os que não sabem escrever ou os que mal escrevem. Quem não tem mãos para escrever, afirma Xenófanes, não se levanta acima do nível de cavalos e bois. Seremos um estado verdadeiramente democrático quando a escrita fizer de todos os brasileiros caciques. (...) A escrita não está sujeita a autoridade, ela constrói autoridades."
Britney na rua
Hoje eu vi duas moças classe média vestidas como a atual Britney Spears e não sabia se ria ou chorava.
Quer saber? Assim, ao vivo, nem é tão ruim. É, na verdade, conceitual: moda rampeira barata.
Dando dados
Saindo dos meus favoritos e entrando nos meus links, sem cair no meu conceito. Te dou um dado? aí ao lado (opa, rimou!) - o melhor blogue sobre a monocelha da Lourdes Maria.
Reflexões sobre a TV aberta
Tenho tido sucesso em minha última empreitada: manter-me completamente alienado quanto ao BBB. Afinal, devemos reconhecer o esforço envolvido nesta tarefa, considerando que o BBB é assunto em todos os círculos sociais, sites, portais, jornais e programas televisivos - inclusive os da concorrência. Taí uma prova do caráter impositivo do Big Brother: até a concorrência se curva a ele. Não há competição, há reiteração de assunto. Muda-se o canal, mas a pauta é a mesma. A Globo consegue propaganda de si mesma até em outros canais. Quer força maior que essa?
Impossível ignorar, porém, a repetição da mesma novela das nove há mais de ano. Sempre a mesma história, o mesmo conflito, os mesmos atores, as mesmas cenas, o mesmo cenário. Ao que parece, a elite-branca-zona sul-carioca é a fonte inspiradora primeira dos novelistas. De modo tal que cometem alguns absurdos na concepção de suas histórias, como colocar a Susana Donatella Versace Vieira no papel de reitora de universidade e retratar uma universidade como algo não muito diferente da escola da Malhação. A novela brasileira é um dos nossos principais produtos de exportação. O que pensam os chineses, mexicanos, portugueses e franceses ao nos verem ocupados com tanta azaração, curtição, ciumeira e bate-boca durante o dia? Devem pensar que somos uma nação de fúteis. Mas aí eu penso: não seríamos mesmo?
Dó de quem não tem TV a cabo - que também não tem grandes programas, mas pelo menos nos dá a possibilidade de zapear por mais canais. A TV brasileira entrou no túnel do tempo e não encontra o caminho de volta. Até quando estaremos fadados à mesmice televisiva? A ausência de ousadia é a regra e o tédio, o objetivo. Acordem, diretores de programação. Com os computadores a preço de banana, a nova tv vai roubar o público de vocês. Podem escrever. |
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