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Esses remédios fazem o mundo girar e girar, como numa roda-gigante movida a LSD e Pink Floyd.

Sábia decisão do dia: aparar o cabelo nas laterias e nuca com máquina antes da medicação.

Do contrário, eu estaria pronto para o Carnaval. Só faltaria o tapassexo.

UPDATE: Ah, sim. Eu estava melhorando, mas voltei a piorar. Hoje completam-se nove dias de tontura e dores. Já ganhei, né?
terça - 24 de fevereiro, 10h35


Epifania das amígdalas

Amigdalite do demônio desde segunda-feira. Na terça, cheguei aos 40° de febre. Meu corpo estava mais quente que a rua, segundo a previsão daquele dia.

Desde então, transitei pela total ausência de fome, sonolência profunda, febre da gangorra (sobe e desce, sobe e desce) e muita, muita dor no corpo. No princípio, fiquei alerta para a possibilidade de dengue, dada a semelhança nos sintomas. Convenci-me tanto disso que já xingava em silêncio o vizinho porco que não limpa a piscina.

Cês devem estar pensando que eu devo ter corrido a maratona dos Andes pelado, para ter uma amigdalite tão forte como essa, né? Que nada. Apenas dormi nu e descoberto. Porque - alô, lógica? - estava quente para burro, naquela trágica noite.

Curiosamente, como escrevi para o Walter há pouco, isso tudo me acontece na mesma época em que cabelos brancos aparecem na minha cabeça e na minha púbis. Alô, Deus? Dá para segurar o tempo, por um minuto? Mermão também começou a ter a companhia dos cabelos brancos aos 26, o que me consola um pouco. Mas acho que eu lido com isso melhor que a minha mãe. Outro dia, esperávamos às portas da UTI para ver a minha avó. Eu olhava para as paredes, distraidamente, quando minha mãe disse: "ãh! Um cabelo branco! Deixa eu esconder!". Esse eu nem vi porque era na nuca - onde a vista não alcança. Sabe, né?, longe dos olhos, longe da razão. Difícil mesmo foi para ela perceber que o filho caçula já tem cabelo branco. Se o tempo corre para mim, corre mais ainda para ela.

Hoje, graças à medicação de três dias, começo a melhorar sensivelmente. A amigdalite vai embora, mas os cabelos brancos continuam vindo. Achei mais um na têmpora, ontem. Tentei convencer-me que era loiro, mas foi uma mentira que não se sustentou por mais de cinco minutos. Fui dormir pensando numa reportagem televisiva de muito tempo atrás, a qual ensinou-me que a partir dos 25 anos as células do corpo diminuem a sua renovação, o que explicaria as rugas, os cabelos brancos e, claro, doenças que nascem com um descuido, como a amigdalite. Ou seja, bye bye, células novas; hello, futuro. O que me lembra uma coisa horrorosa que o meu pai me disse, outro dia: "na tua idade, eu já tinha dois filhos". Senti-me chocado com a sua comparação irracional, e, num instinto de autodefesa, respondi: "Pois é, quem mandou não usar camisinha?!".

Toda esta reflexão me fez entender o motivo que leva o David Bowie a compor tantas músicas sobre o tempo. Talvez ele também tenha dificuldades em lidar com esta variável, o que explicaria suas recentes cirurgias plásticas. Quanto a mim, espero que eu nunca recorra ao bisturi ou, ainda, à tintura de cabelo. Velhote com cabelo pretinho, pretinho e a cara esticada é mico na certa. Se um dia, daqui a 50 anos, vocês me virem assim na rua, mandem-me para o analista, porque eu terei perdido a razão. Conto com vocês.

***

Os últimos dias de cama deram-me a oportunidade de acompanhar a programação televisiva de diversos canais, dia após dia. Eis algumas considerações.

1) Algum filme da série Bourne (aquela com o Matt Damon) passa todos os dias, em algum canal - às vezes em dois canais distintos, no mesmo dia. Nunca vi nenhum deles, e quanto mais são reprisados, menos vontade tenho de vê-los;

2) nego não sabe mais o que inventar de reality show. Se eu quisesse, faria um reality show da minha convalescença e jogaria na internet. É boa audiência na certa;

3) se eu encontrasse a Márcia Tiburi (apresentadora do Saia Justa, no GNT) na rua, eu diria para ela: "tu não gosta de homem! Admite! Tá na tua cara que tu não gosta de homem!". Cabe salientar que isso não significa que ela seja homossexual, do mesmo modo que muitos homens misóginos não são gays. Aversão ao sexo oposto não é sinônimo de homossexualidade. A Márcia Tiburi é apenas uma mulher insegura diante do sexo oposto, e ela optou por lidar com essa insegurança alimentando uma aversão a uma ideia de homem;

4) o Canal Brasil passa muita coisa boa, cês já viram?
quinta - 19 de fevereiro, 11h55


Entrevista com a Jovem Escritora do Momento

Pergunta: no seu texto, é possível perceber a presença do autor até quando a narração é feita na terceira pessoa. Quanto de você, Jovem Escritora, existe de fato naqueles livros? O que é seu, naquelas histórias?
Resposta: Ah, muito. Meu cabelo... meu sapato...

P: você se mostra de uma forma diferente de outros escritores; você exibe as suas tatuagens, se veste de uma maneira interessante, de uma forma que não pode ser ignorada. Você sempre foi assim ou faz parte da sua persona literária?
R: sim, meu cabelo. Meu cabelo, minha roupa. Meu sapato.

P: você pensa muito nisso, então. É isso?
R: meu cabelo, é. Viu meu cabelo? Meu cabelo, meu sapato.

P: a sua literatura provoca transformação? Se sim, que transformação é essa?
R: eu tô loira! Viu meu cabelo? E o meu sapato? Meu cabelo... meu sapato... E o meu vestido!

P: quem escreveu a apresentação deste seu último livro foi a Ex-Jovem Escritora do Momento. Por que?
R: ah, ela tem tatuagem, que nem eu... roupas legais... meu vestido... olha o meu cabelo!

P: você é uma das autoras que não são vistas freqüentando eventos de literatura, feiras de livro, mas você é muito popular, muito conhecida entre um público específico. Por que isso acontece? Por que não vemos você nos eventos literários?
R:: inveja do meu cabelo. Do meu sapato. Sou muito visada. Om Namah Shivaya.

P: a inveja prejudica o seu trabalho?
R: não, não. Eu tenho uma tatuagem de São Jorge, sou devota! Tá vendo, aqui perto do meu cabelo?

P: mudando de assunto, em uma entrevista, há alguns meses, você disse, aspas, meu cabelo, meu cabelo e o meu sapato, meu vestido, meu cabelo, fecha aspas. Isso se relaciona com seu último livro, em que uma mulher sofre com a solidão e se relaciona somente com seus bibelôs, não é?
R: ah, sim. O meu cabelo... entende... eu tô bonita, não tô? Olha o meu cabelo!

P: muito bem. A entrevista de hoje é com a Jovem Escritora do Momento. Vamos fazer um intervalo e já voltamos.
quinta - 12 de fevereiro, 10h35


Xis, xis, xis

Se este não é o melhor vídeo que vocês já viram no Youtube, então vocês são um bando de caretas.


terça - 10 de fevereiro, 21h


Da Folha Online:

"Jolie esquece em hotel brincos de US$ 2 milhões"

Achado não é roubado, quem perdeu tem de sobra.
quinta - 10 de fevereiro, 13h30


Constatação

Eu engordei e estou igual ao boneco da Michelin.

Cheio de dobrinhas.

***

Mas é só quando eu sento, tá?
domingo - 8 de fevereiro, 11h


Branco

Arquivado.

Tela em branco há uma hora, enquanto eu penso sobre o que escrever.

Copa de 2014? Reforma ortográfica? Lula? Eu mesmo?

Aceito sugestões.
sexta - 6 de fevereiro, 14h46



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