Metrô em Porto Alegre

Os leitores que não residem em Porto Alegre, terra natal e casa deste blogueiro, talvez não saibam, mas a capital gaúcha não tem metrô. Há, sim, um trem de superfície, que liga o centro da cidade à região metropolitana - cuja ampliação está em andamento, estendendo-se de São Leopoldo até Novo Hamburgo. Com a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, e Porto Alegre como uma das 12 subsedes, a prefeitura da capital e o Governo do Estado afinaram o discurso para tentar inserir no plano de reformas urbanas previstas para atender os jogos da Copa, a construção do metrô de Porto Alegre.

O projeto atual fala em estender os trilhos do trem de superfície desde o Mercado Público até o campus da Ufrgs, no bairro Agronomia, passando pela avenida Borges de Medeiros, estádio Beira Rio, Menino Deus, Azenha, PUC até chegar na Ufrgs, constituindo assim a Linha 2 do referido trem metropolitano. Não é a primeira vez que se propõe construir metrô subterrâneo em Porto Alegre, mas só agora sua construção parece viável, devido à previsão de gastos do Governo Federal com o Plano de Aceleração do Crescimento e a Copa do Mundo como um catalisador de esforços. Porém, para diminuir os custos, o método de construção da linha do metrô subterrâneo será o mais barato possível, e o mais conturbado também. O projeto fala em escavar junto à superfície, o que acarreta em abrir buracos ao longo de todo o trajeto, em oposição ao método mais caro, que consiste em abrir um único buraco e escavar a partir do subsolo utilizando uma máquina conhecida como tatuzão - técnica que pouco interfere na rotina da superfície.



Estação Rua da Praia, nas proximidades da Esquina Democrática.

A intenção da Prefeitura e dos projetistas é ter em operação até a Copa pelo menos o trajeto até o estádio Beira Rio, o escolhido na capital para receber o evento. Ou seja, se a construção for confirmada, vem muito transtorno por aí para quem circula da Zona Sul ao Centro e se vê obrigado a passar pelo estádio e pela avenida Borges de Medeiros diariamente.

Separei alguns materiais com textos e infográficos sobre o metrô de Porto Alege. Aqui, o trajeto com maquetes virtuais de algumas estações. Aqui, especial do UOL sobre o surto de construção e ampliação de trens subterrâneos que assolou o país desde as últimas eleições municipais. Por fim, os posts do blogue Porto Imagem sobre o metrô - site através do qual costumo acompanhar notícias sobre obras, construções e projetos em Porto Alegre. Boa leitura!
sexta - 31 de julho, 12h17


Sarah Palin e o capitalismo

"Mas o que Palin estava dizendo é o que está embutido no próprio DNA do capitalismo: a ideia de que o mundo não tem limites. Ela estava dizendo que não existem consequências, ou deficiências do mundo real, pois sempre haverá outra fronteira, outro Alaska, outra bolha. É só seguir em frente e descobri-la. O futuro nunca virá. Esta é a mentira mais confortante e perigosa que existe: a mentira de que o crescimento perpétuo, sem fim, é possível em nosso planeta finito."

Naomi Klein, escritora, ativista e colunista do The New York Times, em coluna no Terra Magazine.
sexta - 31 de julho, 11h08


O PMDB e o nosso futuro

Matéria da Veja desta semana disseca a história e as intenções do PMDB e nos apresenta o partido como uma agremiação interesseira e imediatista que apoia qualquer governo, independente de posição política.

Destaco alguns trechos:

"Em todas as democracias representativas, o avanço se dá quando o nível de educação e de conforto material permite aos eleitores interessar-se por questões não diretamente ligadas à sua sobrevivência imediata. Ou seja, quando o eleitor toma decisões baseadas em conceitos antes abstratos, como 'interesse nacional' ou 'ética'. Da mesma forma que a natureza abomina o vácuo, o PMDB não se interessa pelo eleitor que escapou do lumpesinato* e não mais se entrega a qualquer partido que lhe ofereça uma recompensa material básica em troca de seu voto. Como uma imensa porção da população brasileira ainda depende desse tipo de recompensa, o PMDB tem um futuro risonho a curto e médio prazos."

"O PMDB é entrave a qualquer mudança necessária para a modernização. O caso mais emblemático é a reforma política. Não há razão em apoiar alterações na regra se as distorções estão na gênese do poder do partido. (...) A reforma tributária também fica em segundo plano. Se puxar de um lado, prejudica o empresariado, que financia as campanhas do PMDB. Se puxar de outro, prejudica estados e municípios, nos quais o partido está entranhado na máquina. Ao negociar alianças prévias com o PT e o PSDB, os dois prováveis adversários nas eleições presidenciais do ano que vem, o PMDB está apenas cuidando do próprio futuro."

Cabe relembrar a entrevista que o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos concedeu à mesma revista, em fevereiro deste ano. Trechos:

"Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?
De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado."

Na entrevista, a qual rendeu muitos problemas com seu partido, o senador estende a crítica ao governo Lula e revela sua decepção com o exercício da política. Link.

A reportagem sobre o PMDB, aqui.

O partido respondeu à reportagem em carta publicada aqui.

Vamos ler estes links todos, galera. Leitores de Bumerangue! são leitores informados e críticos. Temos que ter a clareza de que todos os partidos políticos são diferentes entre si. Temos que fugir do lugar comum que joga todas as agremiações no mesmo saco e diz "é tudo a mesma coisa". Leiam, se envolvam e depois não digam que não sabiam dos horrores por falta de informação.

*Lumpesinato: segundo a sociologia marxista, grupo social proletário formado por pessoas que, por estarem fora do mercado formal de trabalho, vivem na mais profunda miséria, sendo destituídos de qualquer consciência de classe. Dicionário Aulete Digital.
quinta - 30 de julho, 20h10


Aneurisma

Às vezes eu sinto que vou ter um aneurisma. Tenho que falar com a fulana, escrever isso, escrever aquilo, falar com o beltrano, esperar o retorno do cicrano, editar este, esse e aquele. Um dia na minha agenda não tem página o suficiente. Um cérebro na minha cabeça não tem espaço o suficiente.

Alguém quer trocar de vida comigo?

***

Julho Quarta 29

- fazer convite para Ana da Ulbra.

- Enviar material para Sueli CWB.

- Escrever Fluxo de Semiconsciência.

- Escrever Breves Contos Célebres.

- Tentar não enlouquecer.

***

Escrevi M, A, D nos dedos indicador, médio e anelar, respectivamente. Quando juntos, lê-se mad - maluco, em inglês. Era para ser um lembrete para comprar a revista MAD, e foi escrito nos dedos porque uso uma luva, justamente, sem dedos. É engraçado e inesperadamente descreve muito bem o clima desta semana.
terça - 28 de julho, 15h50


Um poema desesperado

Oh, Senhor!, me segura

Eu tô caindo na real:

o futuro não reserva-nos nada

que não tenhamos antecipado agora

Eis uma lição que a faculdade não ensina
terça - 28 de julho, 13h30


Informer, do Snow

Ari qui bom bom nau.
sexta - 24 de julho, 21h05


Vendo o mundo de dentro do armário

"O problema de reprimir a sexualidade é que uma hora ela escapa (vide os escândalos recorrentes na Igreja Católica). Esses políticos conservadores, forçados a fingir que são maridos responsáveis e defensores dos valores da família, cedo ou trade escorregam e são flagrados em bares gays, na companhia de garotos de programa, ou em banheiros públicos. Muitas vezes eles são denunciados por ex-parceiros, que se irritam com a hipocrisia."

Denis Russo, no blogue Sustentável é pouco.
sexta - 24 de julho, 19h40


De novo, de novo e de novo

Até quando a gente vai ter que ouvir esse negócio emo, hein?

Já tá ficando anacrônico. Cês não acham, não?
sexta - 24 de julho, 15h45


Batalha aérea de gigantes

O sessentista Underdog e o contemporâneo Stewie Griffin lutam por uma Coca-Cola na parada de Dia de Ação de Graças, em 2008. Quem ganha?


sexta - 24 de julho, 12h07


Exemplo de como os problemas são resolvidos aqui em casa

Problema: o micro-ondas balança quando em operação, produzindo um ruído enervante.

Solução: atocha-se uma laranja entre o aparelho e a lateral do móvel de serviço que o guarda. Vide foto abaixo.

Pronto!
quinta - 23 de julho, 16h22


Sobre associações de toda ordem no Brasil

"Segundo tal concepção (da burguesia urbana), as facções são constituídas à semelhança das famílias, precisamente das famílias de estilo patriarcal, onde os vínculos biológicos e afetivos que unem ao chefe os descendentes, colaterais e afins, além da famulagem e dos agregados de toda sorte, hão de preponderar sobre as demais considerações. Formam, assim, como um todo indivisível, cujos membors se acham associados, uns aos outros, por sentimentos e deveres, nunca por interesses ou ideias."

Trecho de "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda, que explica porque frequentemente recorremos às relações familiares para conseguirmos trabalho e ascender socialmente, em todas as esferas da sociedade brasileira. Tal panorama sempre será um empecilho para o amadurecimento tanto de nossa democracia quanto de nosso capitalismo.
quarta - 22 de julho, 12h22


Sexo selvagem

Aqui.
terça - 21 de julho, 19h32


Inspiração profunda

Assisti Garganta Profunda dublado em espanhol.

Depois escrevi sobre isso. É um filme muito inspirador. Recomendo.
terça - 21 de julho, 16h22


Meu novo vício: Reno 911!

Passei a última semana inteira assistindo na TV e baixando na web episódios de uma série americana chamada Reno 911!, o que é algo raro de acontecer, já que não sou entusiasta desse estilo de comédia. Mas Reno 911! é completamente diferente de tudo o que eu já vi.

A série é uma paródia de programas policiais americanos, que abordam o dia-a-dia de socorristas e profissionais da emergência pública. Sete policiais inaptos ao ofício, absolutamente incompetentes, estúpidos e levianos são responsáveis pela segurança da pequena cidade de Reno, no estado de Nevada. Todas suas ações são acompanhadas pelas câmeras, simulando um teledocumentário. O diferencial da série reside naquilo que não aparece na tela: o roteiro. Segundo seus autores, que também atuam no programa, interpretando o tenente Jim Dangle e o policial Travis Junior, os diálogos não são escritos, deixando os atores abertos à improvisação, mas sempre sob indicações de como a cena deve terminar. Assim, cada situação é uma surpresa e a habilidade dos atores com humor garante a graça e o absurdo em cada episódio. É um ótimo exemplo de criatividade bem aplicada e bem trabalhada na televisão.



Os policiais de Reno, com destaque para o tenente Jim Dangle e seus shorts: ele os usa por motivos de mobilidade.

Aqui no Brasil, Reno 911! passa somente na TV a cabo, no canal FX, à meia-noite de domingo, com reprises durante a semana. Consegui baixar duas temporadas incompletas e passei o fim de semana rolando de rir na frente do PC.

O sucesso da série, que nasceu em 2003 e hoje está na sexta temporada, rendeu um longa metragem, chamado Reno 911! Miami, no qual os personagens são transportados para a colorida cidade da Flórida, onde substituem os policiais locais, às voltas com um ataque terrorista. O filme é como um episódio estendido - ou seja, igualmente engraçado e absurdo.

Quem quiser ver mais cenas, com legendas em português, clica aqui. Os primeiros nove minutos do filme, com a cena da perseguição a uma galinha, aqui. E recomendo acompanharem os novos episódios na TV e baixarem o longa legendado no eMule. É diversão na certa.
segunda - 20 de julho, 23h20


Fato

Você sabe que passou tempo demais em casa quando começa a se divertir à beça com o tradutor do Google.

Amanhã eu não fico em casa. Não mesmo.
domingo - 19 de julho, 23h40


Pagando para tocar a própria música

"Foi confirmada a legitimidade do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) para cobrar direitos autorais de entidade que realizou baile, com fins lucrativos, com apresentação ao vivo dos conjuntos autores das obras musicais. Pela execução de músicas pelos grupos Os Monarcas, Pala Velho e Tradição, o Centro de Tradições Gaúchas Lalau Miranda, de Passo Fundo, deve pagar ao ECAD R$ 3.743,59. O valor será acrescido de correção monetária pelo IGP-M e de juros legais. A decisão, por maioria, é da 9ª Câmara Cível do TJRS."

É como se os autores pagassem direito autoral para tocar a própria música. Ou seja, se eu publicar um trecho do Granada aqui, terei que pagar direito autoral. E para quem vai esse dinheiro?

Copiado da newsletter do vereador Adeli Sell (PT).
quinta - 16 de julho, 16h03


Quer dinheiro? Põe na bolsa brasileira

Bovespa rendeu 124%, neste ano. Até agora, é o maior rendimento entre as bolsas do mundo. Em segundo lugar, Filipinas, com 117%.

Roubado deste blogue aqui.

***

Como cês podem ver, hoje foi um dia dedicado às leituras sobre economia. Duca.
quarta - 15 de julho, 20h28


Revolução das elites

"Se entendermos que o socialismo não é um programa de distribuição das riquezas mas, na verdade, um método de fotalecimento e controle da riqueza, então o aparente paradoxo de homens extremamente ricos promoverem o socialismo deixa de ser um paradoxo. Torna-se, então, algo lógico - a ferramenta perfeita de alguns megalomaníacos obcecados por controle. Comunismo, ou, mais precisamente, socialismo, não é um movimento das massas oprimidas, mas da elite econômica."

Gary Allen, pesquisador americano, falecido em 1986, dedicado a estudar as elites políticas, industriais e financeiras dos Estados Unidos. Citação retirada do documentário Money Masters: How International Bankers Gained Control of America (senhores do dinheiro: como os banqueiros internacionais adquiriram controle sobre a América, em português).
quarta - 15 de julho, 16h47


Estradas na Rússia, estradas no Brasil

Reportagem do Los Angeles Times sobre a péssima condição das estradas russas revela que o governo de lá não soube aproveitar o período de forte crescimento econômico dos últimos anos para melhorar a infraestrutura do país. Realidade que serve de alerta para nós, habitantes de uma das economias de crescimento mais sustentável da atualidade. Reproduzo alguns trechos da reportagem abaixo.

"(...) E agora, com o encolhimento do PIB e o FMI prevendo crescimento econômico zero em 2010, há um crescente medo que a Rússia possa ter desperdiçado sua melhor chance de se reinventar.

(...) Mas a falta de ação teve um custo: estradas em farrapos roubam da Rússia 3% de seu PIB por ano, de acordo com estimativas do governo. Custos com transporte acrescentam 20% ao valor das cargas, enquanto que em outros países europeus, o custo é de 5% a 7%.

(...) De acordo com especialistas, as péssimas estradas frequentemente são cortesia de violenta corrupção: construtores superfaturam seus orçamentos com propinas para cada autoridade imaginável, de inspetores da Saúde, à polícia e aos burocratas da licitação. E decidem usar materiais deficientes e violar padrões de qualidade, certos de que o dinheiro distribuído manterá os cúmplices calados.

(...) Os 693 quilômetros entre as duas maiores cidades russas levam doze horas; em uma autoestrada adequada, estimam-se, levariam oito."

O texto ressalta ainda que falta de investimento em infraestrutura acaba com as ambições russas de se tornar uma superpotência, apesar de seu potencial. Lembra um pouco a nossa situação, não é?

Íntegra aqui, em inglês.
quarta - 15 de julho, 12h20


Toma, imprensa!

"O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) veio a público, na última segunda-feira (13), para criticar o desapego da imprensa brasileira pela cobertura dos 'escândalos invisíveis' do país. (...) 'A mídia não consegue ver escândalo na falta de prioridades das políticas, mas só no comportamento dos políticos', disse o senador.

A taxa de analfabetismo de 27% no estado do Piauí, a concentração de 50% da renda nas mãos de 1% da população e a dependência da grande parcela dos brasileiros junto aos programas assistencialistas foram exemplos de 'escândalos invisíveis' citados pelo político."

Por estes e outros motivos que Cristovam Buarque é pauta assídua neste blogue. Íntegra da nota aqui. Aliás, visitem o portal do senador e percebam que nem tudo está perdido no Planalto Central.
terça - 14 de julho, 21h56


Pressa? Que pressa?

"A editora Harper Collins deverá ser a primeira a chegar às lojas com uma biografia em homenagem a Michael Jackson, morto há três semanas.

A Harper Collins espera lançar Michael Jackson - Legend, Hero, Icon: A Tribute to the King of Pop nesta sexta-feira, e, assim, conseguir passar à frente de outras 15 editoras que também estão preparando títulos sobre a vida do Rei do Pop.

O livro de 196 páginas e contendo 250 fotos foi criado em tempo recorde. A decisão de lançar a obra foi feita pela editora britânica em 26 de julho, apenas um dia depois da morte de Jackson."

O empreendedor vê oportunidade até na morte. Se o mundo arder em chamas, não vai hesitar em vender água pra apagar o incêndio. Por essas e outras que anseio pelo filme de Michael Moore, Capitalism: A Love Story. Link sobre o tributo literário do Michael.
terça - 14 de julho, 21h14


Um trecho novo

Aliás, por falar no livro em produção, segue mais um trecho.

***

O retorno de Jesus

Diante da humanidade, ainda aturdida pelo recém-ocorrido Armaggedon, Ele surge com um lápis atrás da orelha e uma caneca de café preto na mão:

- Ok, pessoal. Vamos organizar isso aqui. Todo mundo em fila, os mais altos no final. Estiquem o braço e tirem a distância do colega da frente, por favor. Nã-nã! Sem piadinhas, rapaz! Tu, aí, de gravata! Não, o outro! É, tu. Fique quieto. Temos muito trabalho pela frente, negada. Eu não tenho pressa, posso ficar aqui até o fim dos dias, o interesse é de vocês, então vamos colaborar. Eu sei que não era bem assim que vocês imaginavam, mas é assim que vai ser. Vamos começar. Gabriel, o formulário, por favor. Obrigado. – Senta-se diante da escrivaninha. Remexe-se na cadeira, suspira. – Você, pode vir. É Kleison, né?

- Isso, doutor.

- Certo. – Consulta os papéis - Açougueiro... blá-blá-blá... evangélico... fumante? Fumante não dá, meu querido.

- Mas, doutor...

- Porta da esquerda, sim?

- Mas, doutor...

- “Mas”, nada. Tem muita gente na fila, meu querido. Vá passando. Pode vir o próximo.

***

Semana que vem tem mais.
terça - 14 de julho, 15h31


Ai, ai, ai

Tenho ouvido tanto "não" este ano que só sendo otimista pra não deitar e chorar.

O lado bom é que a cada "não" faço uma crônica. Acho que esse próximo livro vai ser tristemente engraçado.
terça - 14 de julho, 15h14


Será um prenúncio?

Talvez vocês não saibam, mas as imagens deste Bumerangue! são hospedadas no GeoCities, aquele host em que todo mundo hospedava seu site medonho nos primórdios da internet, lá nos idos de 1996. Pois eu lhes informo disso porque eu recebi um comunicado por e-mail avisando que o GeoCities vai fechar (porque eu devo ser o único cliente deles que ainda resiste!) e que devo salvar tudo que tenho lá e migrar para outro servidor gratuito, se não quiser perder as dezenas de imagens publicadas neste blogue. Eu tenho que fazer isso até outubro. Ainda tem tempo, mas o fim do GeoCities como host das imagens deste blogue me levou a refletir sobre o futuro do Bumerangue! e da minha relação com este tão bem sucedido meio de publicação - o blogue.

Eu tenho blogue desde o ano 2000, quando, recém saído do Ensino Médio, criei o Desocupado Demais, que contava com dois ou três leitores, sendo o Mallmann, coelga da escola, o mais assíduo. Quando consegui trabalho e entrei para faculdade, deixei de ser desocupado e senti que precisava de um novo blogue com outro conceito. Assim nasceu o araujo.tk, um blogue que durou um ano e era um tédio sem fim. Desestimulado, resolvi não ter mais blogue, decisão que durou até 2003, quando, num ímpeto, nasceu este Bumerangue!. Não sei se vocês já leram o primeiro post, mas o nome deste blogue é uma referência ao vai-e-vem de blogues na minha vida. No início, imagens de Carlos Zéfiro ilustravam o cabeçalho e a lateral. Mas o blogue foi criando uma identidade muito forte, meu texto foi melhorando e o Bumerangue! passou a ter vida própria, abandonando os posts do tipo "hoje eu cortei o cabelo" e voltando-se mais às minhas criações textuais e análises sobre comunicação, política, mundo, música, com algumas inserções sobre cervejadas e festas com amigos, tudo sempre com muito senso de humor.

E agora eu me pergunto: será que não chegou a hora de mudar de novo? Desde que o Bumerangue! foi criado, nunca investi em recursos diferenciados para este veículo. Ou cês acham que o "comenta, vai" sempre esteve aí embaixo? Publicação de comentários foi a primeira e última grande inovação aplicada neste blogue. Desde então, nada mais aconteceu. Outro dia, o Mallmann, aquele mesmo assíduo leitor desde o finado Desocupado Demais, me pediu pra colocar RSS no blogue porque ele esquece de entrar aqui pra ver as atualizações. Eu, que não tenho RSS, fiz corpo mole até descobrir que o Pitas.com, onde estamos hospedados, não permite criação de RSS. E se eu contar o que mais o Pitas não permite, cês caem pra trás, não sem antes perguntar "mas o que tu ainda tá fazendo nesse Pitas?!"

Sendo assim, sinto-me estimulado a mudar de casa. O Desocupado Demais foi meu blogue pré-universidade; o Bumerangue!, o universitário. Então é hora de um blogue pós-universidade, né, não? Outro momento de vida, início de carreira, novas perspectivas - um novo blogue.

Mas temos um problema. Se eu cancelar minha conta no Pitas, perderei os arquivos que fazem, ocasionalmente, leitores novos me escreverem dizendo "meu, li todo teu blogue! Adorei!". Sou profundamente apegado à história deste blogue, porque ela se confunde com a história de um período da minha vida - período este que talvez, estimulado pela premente extinção do jurássico GeoCities, esteja perto do fim. Por isso, preparei um referendo e o apresento abaixo, cheio de expectativas que vocês participem de verdade e ajudem-me a iluminar este novo caminho. As opções de resposta são engraçadinhas, mas a intenção é séria, falei?


sexta - 10 de julho, 16h44


Jogo das Definições 3

Os leitores mais assíduos devem lembrar das duas primeiras edições do Jogo das Definições publicadas neste blog, em abril deste ano. Até hoje, ninguém comentou nada sobre tão divertida brincadeira. Ou só eu acho este jogo simplesmente genial?

Bem, fato é que ontem eu fiquei sem computador por algumas horas e mantive-me ocupado produzindo a terceira edição do Jogo das Definições. Pra quem não sabe como funciona, eu explico: escrevem-se alguns conceitos, ou palavras abertas a intepretações diversas, em uma folha de papel e algumas definições aleatórias em outra folha, estas em mesma quantidade que aquelas. Recortam-se as palavras e difinições, dobram-se e colocam-se num saco. A graça consiste em misturar palavras e definições, resultando em muita diversão, risada e reflexão. Além de divertidíssimo, é um jogo altamente pedagógico que exige muita criatividade na confecção dos textos.

Necessário lembrar que a ideia deste jogo foi retirada diretamente de um texto de Millôr Fernandes, publicado no livro "Trinta anos de mim mesmo" (Editora Desiderata, 2006).

Sem mais, seguem abaixo os resultados desta terceira edição:

Conflito: parece um acidente de trem.

Oposição: algo do qual os deuses se arrependem de terem criado.

Comunicação: algo que demanda parcimônia.

Paternidade: um macaco treinado faz melhor.

Velhice: leva os homens à loucura com certa frequência.

Yeda Crusius: à primeira vista, parece uma boa ideia.

Nação: faz muita sujeira.

Pirataria: vem por cima, vem por baixo, vem por todos os lados.

Educação: impermeável, mas não escapa à ferrugem.

Tesão: doi, mas vale a pena.

Realeza: pesa na consciência, quando mal aproveitado(a).

Domínio: fede.

Criatividade: um poço sem fundo.

Poluição: fez a alegria de muita gente.

Presidência do Brasil: nem Jesus salva.

Azar: necessita lubrificação de cinco em cinco minutos.

Ilegalidade: só se encontra no fundo da garrafa.

Diogo Mainardi: só tem graça pela televisão.

Literatura: desaparece com o tempo.

Orgasmo: fere os mais sensíveis.

Lealdade: não vale o que cobram.

Coerência: por trás é melhor.

Amy Winehouse: exige paciência.

Dilma Rousseff: só funciona na tomada.

Madonna: carece manual de instruções.

Capitalismo: algo que exige financiamento a longo prazo.

Governabilidade: muito útil na enchente.

***

Espero comentários. Espero mesmo.
sexta - 10 de julho, 15h30


Relatos de vidas marromenos

A tua vida é medíocre? Se pensas que sim, saibas que não estás sozinho. O site My Life is Average (em inglês, a minha vida é medíocre) publica descrições de leitores sobre momentos medíocres de suas rotinas. Parece bobagem, mas eu sou da linha que vê o absurdo no cotidiano e a rotina como o máximo da experiência humana sobre esta terra. Abaixo, alguns destaques.

"Hoje, eu estava em um lugar cheio de gente e super entediado, então decidi ver se alguém conseguia ler a minha mente. Eu pensei 'se você consegue ouvir isso, tussa duas vezes'. Duas pessoas tossiram. Eu me assustei."

"Hoje, minha irmã falou enquanto dormia. Eu respondi, esperando um diálogo. Ela não colaborou."

"Hoje, minha professora fez uma pergunta à classe. Eu sabia a resposta e levantei o braço. Ela escolheu outra pessoa. No fim, eu estava errado. Que bom que ela não me escolheu."

Mais, aqui, em inglês.

***

O site não aceita mais contribuições, devido ao grande número de mensagens esperando publicação, mas seu eu pudesse enviar, seria assim:

"Hoje eu fechei a porta do quarto enquanto a faxineira passava o aspirador de pó porque eu tive vergonha de dançar Coco Jamboo na frente dela. Quando fechei, dancei e fui feliz à beça."
quarta - 8 de julho, 11h50


Lula + Sarney = dark side of the force

"De acordo com Cristovam (Buarque, senador do DF pelo PDT), Sarney feriu o decoro parlamentar ao se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a portas fechadas para fazer um acordo de apoio a ele em troca do apoio do PMDB à candidatura do governo à Presidência da República no ano que vem. 'Eu estou muito preocupado é com a desmoralização do Congresso, por causa do acordo em que o presidente da República passou a ser o tutor do presidente Sarney'.

Cristovam Buarque afirmou que o problema é que a República, que se sustenta por causa dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), 'não tem mais os Três Poderes independentes. O Senado foi transformado em um ministério do governo Lula. Isso é que é a maior de todas as tragédias'."

Ainda existe coerência em Brasília! Por essas e outras que eu votei em Cristovam Buarque para a presidência, em 2006. Íntegra da matéria aqui.
terça - 7 de julho, 17h10


Lost In Your Eyes

Eu adorava esta música, quando pequeno.


segunda - 6 de julho, 14h11


Agruras do atendimento ao público

The Costumer Is Not Always Right (em português, O Cliente nem sempre tem razão) é um site americano em que os leitores publicam diálogos supostamente verídicos entre clientes e atendentes. Tem muita situação engraçada e maluca. Reproduzo uma delas, abaixo.

Eu: *ao telefone* “Olá, bem-vindo à (nome da editora). Como posso ajudá-la?”

Cliente: “Eu quero cancelar a asssinatura do meu marido.”

Eu: “Okay. Posso falar com ele, já que ele é o assinante?”

Cliente: “Desculpe, ele faleceu semana passada. Por isso que eu tô ligando. Eu não vou ter que pagar o que ele deve, né?”

Eu: “Sinto muito, senhora. Eu vou cancelar e a senhora tem razão, não vai ter que pagar.”

(Eu informei os procedimentos. Ao final, disse que ela receberia um novo exemplar de graça.)

Cliente: “Desculpe, eu não entendi. Eu tô muito ocupada desde que o meu marido morreu. Nós o enterramos ontem.”

Eu: *sinto-me incomodado com ela* “Claro. Eu repito tudo de novo.”

(Eu repito tudo, certificando-me de que ela entendeu. Ela diz que entendeu.)

Eu: “A senhora gostaria de receber um exemplar de graça? Nesta edição, a senhora ganha um vale para comprar livros.”

(15 segundos de silêncio.)

Eu: “Senhora?”

Cliente: “Eu não entendi. Eu não sou boa com essas coisas. Deixa eu chamar o meu marido; é ele quem geralmente lida com isso.”

Eu: “Senhora, a senhora me disse que o seu marido morreu.”

Cliente: *afobada* “Eu não disse isso.”

Eu: “Me desculpe, mas a senhora disse, sim. A senhora me disse que o seu marido morreu, que o funeral dele foi ontem e me pediu pra cancelar a assinatura dele e para não ser cobrada pelo que deve."

Cliente: *ansiosa* “Eu não disse isso. Tu entendeu errado.”

Eu: “Senhora, as ligações são gravadas. Eu posso lhe passar para o gerente, depois de ouvir a gravação, se quiser".

(Mais 15 segundos de silêncio.)

Eu: “Senhora?”

Cliente: *click*

***

Mais, aqui, inteiramente em inglês.
domingo - 5 de julho, 22h50


Brincando de fazer listas

Eis algumas listas relevantes, elaboradas noite passada, em casa de Walter.

Celebridades ideais para mesa de bar:

* Bruno Gagliasso;
* Marcelo Adnet;
* Bruno Mazzeo;
* Ethan Hawke;
* Millôr Fernandes.

Celebridades ideais como cúmplices de crime:

* Marilyn Manson (tem experiência no assunto);
* Sean Penn (parece não carregar culpa);
* Dado Dolabella (porque ele bate em quem oferece oposição);
* João Gordo (porque tudo com ele deve ser divertido);
* Shirley Manson (porque um crime no currículo a tornaria mais sexy ainda).

Celebridades ideais para as quais compor uma canção pós-coito:

* Jude Law;
* Katy Perry;
* Joaquin Phoenix, antes de perder a razão;
* Dita Von Teese;
* Lily Allen.

Celebridades mais feias:

* Keith Richards;
* Amy Winehouse;
* Pete Doherty;
* Steve Buscemi.

Músicas ideais para dançar sozinho no quarto:

* The Salmon Dance, do Chemical Brothers;
* Does Your Mother Know, do ABBA;
* Dressed For Success, do Roxette;
* The Sign, do Ace of Base;
* Leave a Scar, do Marilyn Manson.

Tenho ainda a lista das celebridades ideais para uma suruba, mas essa eu não posto aqui porque tenho vergonha.
sábado - 4 de julho, 21h45


Outro trecho

Da obra sucessora de "Granada", ainda em produção.

***

Dizem que o aquecimento global levará a humanidade a um antecipado fim. Talvez, assim, a evolução das espécies restantes traga, finalmente, uma civilização inteligente para este mundo – porque quem se autossabota e destrói a própria casa, como nós o fazemos, é imbecil ou suicida. A fim de orientar a próxima espécie dominante e superdesenvolvida a cuidar do meio ambiente, apresentamos este...

Decálogo da preservação ambiental

I) Limpe a sua sujeira. E isso vale para o seu quarto, sua casa, sua cidade, seu país e sua nave espacial.

II) Não extraia petróleo. Os lucros não compensam os danos.

III) Recicle tudo: supercomputadores, trajes espaciais, água (ou seja lá o que vocês bebam e usem para higiene), cápsulas de nutrientes siderais, garrafas PET (que, aliás, têm grande serventia no artesanato!).

IV) Reutilize o papel. Escreveu e errou, use o verso. Errou de novo, faça um bloquinho. Gastou o bloquinho, corte em tiras e faça serpentina. Depois de jogá-las sobre as baianas e a madrinha de bateria, recolha-a, pique-a e você tem confete. A reciclagem do papel dá um novo sentido à expressão “tudo termina em festa”.

***

Outro trecho, aqui, na semana que vem.
quinta - 2 de julho, 10h37


Sobre nós

"Entre nós, o domínio europeu foi, em geral, brando e mole, menos obediente a regras e dispositivos do que à lei da natureza. A vida parece ter sido aqui incomparavelmente mais suave, mais acolhedora das dissonâncias sociais, raciais, e morais. Nossos colonizadores eram, antes de tudo, homens que sabiam repetir o que estava feito ou o que lhes ensinara a rotina. Bem assentes no solo, não tinham exigências mentais muito grandes e o Céu parecia-lhes uma realidade excessivamente espiritual, remota, póstuma, para interferir em seus negócios de cada dia."

Sérgio Buarque de Holanda, em "Raízes do Brasil".
quarta - 1° de julho, 15h51



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